Comportamento

Hoje em dia, as mulheres exigem prazer sexual, diz sexóloga; leia entrevista

Divulgação
"Muitas fantasias que as mulheres nem ousavam ter já são colocadas em prática", diz Regina Navarro Imagem: Divulgação

GISELA RAO

Colaboração para o UOL

09/05/2011 07h00

Quando o assunto é sexo, Regina Navarro Lins é uma das profissionais mais indicadas para esclarecer dúvidas. Ela é psicanalista, sexóloga e autora de livros como ”Se eu Fosse Você” (Ed. Best Seller) e “A Cama na Rede” (Ed. Best Seller).

Em entrevista exclusiva ao UOL Comportamento, Regina explica as razões pelas quais muitas pessoas não se sentem plenamente satisfeitas com o sexo, fala sobre as diferenças entre homens e mulheres e revela como ter uma vida sexual mais satisfatória.

UOL Comportamento: Apesar de terem mais liberdade para fazer sexo, algumas mulheres não são felizes na cama. Por quê?
Regina Navarro Lins: O sexo ainda continua sendo um problema complicado para muita gente, afinal, há dois mil anos ele é considerado algo sujo e perigoso. A mulher foi ensinada a corresponder à expectativa do homem em tudo. No sexo, não poderia ser diferente. Um dos motivos para essa insatisfação é que muitas mulheres não relaxam durante o sexo, pois ficam preocupadas com o seu desempenho. Outro fator é a mentalidade patriarcal de muitos homens, que vão para o sexo para provar que são machos. Por medo de perder a ereção, eles vão logo penetrando a mulher e se esquecem de que ela precisa de, no mínimo, três vezes mais tempo para ficar no mesmo nível de excitação que eles. Com isso, surge a frustração sexual.

UOL Comportamento: Por que algumas mulheres têm dificuldades para falar o que gostam de fazer e receber durante o sexo?
Regina: Por conta de toda a repressão sexual. No século 19, por exemplo, a marca da feminilidade era a mulher não gostar de sexo. Difundiam a ideia de que a mulher só se interessava por ter filhos e criá-los. Sexo era algo exclusivamente masculino. A mulher que gostasse de sexo seria mal vista e, dificilmente, seria respeitada. Muitas mulheres, ainda hoje, tentam ajustar sua imagem às necessidades e exigências masculinas. Mas já está mais do que na hora de mudar essa mentalidade.

UOL Comportamento: As fantasias sexuais das mulheres mudaram durante as últimas décadas?
Regina: É inegável que a repressão sexual vem diminuindo da década de 60 para cá. Muitas fantasias que as mulheres nem ousavam ter já estão sendo colocadas em prática, como o sexo a três, por exemplo. O ser humano só deseja o que conhece ou sabe que é possível.

UOL Comportamento: E os homens estão satisfeitos sexualmente?
Regina: Aqueles que já se libertaram do mito da masculinidade, ou seja, que não se sentem pressionados para provar que são machos, são mais felizes e conseguem ver o sexo como algo bom e desejável. Para eles, é mais tranquilo proporcionar e obter prazer. Mas ainda há homens que não relaxam durante o sexo, pois se sentem preocupados com o seu desempenho. Dessa forma, é impossível ser feliz sexualmente.

UOL Comportamento: Os homens se sentem seguros para falar sobre suas fantasias ou preferem procurar amantes para realizá-las?
Regina: Muitos homens procuram prostitutas independentemente do fato de se relacionarem com mulheres abertas para realizar seus desejos. Hoje em dia, as mulheres exigem prazer sexual, o que não acontecia antigamente. E isso deixa o homem tenso, pois ele teme não ser considerado bom de cama. Com a prostituta, ele paga e não deve mais nada. Não tem de se preocupar se a mulher gostou ou não da transa, se ela teve ou não orgasmo. Porém, hoje, o patriarcado dá sinais de sair de cena. As fronteiras entre o masculino e o feminino estão se dissolvendo. Não há nada que interesse ao homem e não à mulher e vice-versa. Essa é a pré-condição para uma sociedade de parceria entre homens e mulheres, repercutindo na vida sexual de ambos.

UOL Comportamento: Em sua opinião, o que falta para a vida sexual das pessoas ser mais satisfatória?
Regina: Homens e mulheres sofrem demais com questões amorosas e sexuais. Para a vida ser mais plena, penso ser fundamental que se reflita sobre os valores, mitos e tabus que cercam o sexo. A maioria deles é responsável pelos sofrimentos nessa área.

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