Comportamento

Escritora publica guia depois de resistir à perda do namorado, da mãe e ter a franja destruída

Bob Wolfenson/Divulgação
Gisela Rao, autora do blog Vigilantes da AutoEstima e do livro "Não Comi. Não Rezei. Mas Me Amei" Imagem: Bob Wolfenson/Divulgação

VLADIMIR MALUF

Da Redação

28/09/2011 07h00

Ao criar o blog Vigilantes da AutoEstima (VAE), a publicitária, jornalista e escritora Gisela Rao propôs um desafio: ficar atenta aos julgamentos negativos que ela fazia sobre si mesma. Dois anos depois, o blog deu origem ao livro "Não Comi. Não Rezei. Mas Me Amei" (Matrix Editora): um apanhado de 365 posts que narram a jornada da autora em busca do autoconhecimento, onde ela escancara os problemas familiares, tropeços amorosos, falhas e descobre seus atributos, sempre –ou quase sempre– com bom humor. O título, que faz óbvia menção ao best-seller "Comer, Rezar, Amar", segundo Gisela, resume o que ela fez e não fez neste primeiro período de vigilância –principalmente, aprender a gostar de quem é. Leia a entrevista que o UOL Comportamento fez com a autora do livro, lançado na quarta-feira (28), em São Paulo.

UOL Comportamento: o que te levou a vigiar a sua autoestima?
Gisela Rao: Quando me vi aos 44 anos, sem o que consideramos bases sólidas para a vida –apartamento próprio, dinheiro guardado, holerite, marido próprio etc– me deu um pânico. Aí, navegando na internet, eu li um texto que dizia que o oposto de angústia é criatividade. Então, resolvi desengavetar este projeto e colocá-lo em um blog. Este termo [Vigilantes da AutoEstima], eu criei em 2000, quando fazia parte de um grupo de amigas que se encontrava toda semana para fortalecer a autoestima. O grupo durou dois anos.

  • Bob Wolfenson/Divulgação

    "Os maiores inimigos das pessoas são elas mesmas", diz a escritora Gisela Rao

 

UOL Comportamento: deu certo?
Gisela: Sim, posso afirmar que deu certo porque comecei a aplicar as três principais regras do VAE, o famoso “Stop, Minhocation!”: parar com a autodepreciação diária; trocar lista de infelicidade por lista de felicidade; deletar a síndrome de vítima. Todo dia eu me dava uma pontuação: casinha de palha, madeira ou tijolaço. E ia observando onde poderia melhorar. Fora que comecei a ver o quanto eu ajudava as pessoas. Tenho 17 mil comentários de leitores que também aprenderam a ser uma excelente companhia para si mesmos. E, na minha opinião, não tem nada mais eficiente do que isso para se dar mais valor.

UOL Comportamento: É mais fácil acreditarmos nas críticas negativas do que nos elogios?
Gisela: Infelizmente, sim. Principalmente, se tivemos uma estrutura familiar “meia-bocation”. Porque, desde a infância, fomos vítimas de depreciação, falta de amor e atenção, rejeição, falta de valorização por parte de quem mais amávamos, no caso, nossos pais. Então, fica difícil acreditar que somos mesmo bons em algo ou bonitos ou o que seja.

UOL Comportamento: o que é pior: a depreciação alheia ou a autodepreciação?
Gisela: Pelas pesquisas que fiz, os maiores inimigos das pessoas são elas mesmas. Estamos o tempo todo nos julgando ou nos comparando com os outros, para pior, sem a menor compaixão. Por isso, no VAE, costumamos dizer que o lobo mau é interno. Quando temos uma estrutura emocional frágil, acabamos dando valor demais ao que os outros pensam da gente. Autoestima não é só se curtir. É, também, parar de dar tanta importância para a opinião destrutiva das pessoas sobre a gente. O famoso “ah, vai catar sapo na lagoa!”.

UOL Comportamento: você narra em seu blog que sua autoestima ora é elevada, ora é baixíssima. Tem exemplos de situações que mostrem como cada uma dessas condições influencia imediatamente a sua vida?
Gisela: Ao longo do ano, eu vou deixando a autoestima de “palha” para trás, depois a de “madeira”, até, praticamente, me estabilizar no “tijolaço”. A “palha” influenciava minha vida quando minha “síndrome de patinho feio” aparecia escancaradamente. Como eu fui condicionada a crer que era feia na infância, não acreditava que alguém quisesse namorar comigo, ainda mais se fosse bonito. E, acredite, muitos quiseram e eu dei um jeito de sabotar a relação. A “madeira” influenciava quando eu, por exemplo, ainda aceitava um “relacionamento tóxico”. Como com um namorado que era bipolar e que, em um dia, me tratava com amor e, no outro, com indiferença. Eu tolerei até que um bocado. O “tijolaço” ficou evidente quando perdi meu emprego, um namorado, minha mãe faleceu, a cabeleireira destruiu minha franja. Tudo isso em seis meses. E nada disso me derrubou. Nada disso tirou os valores que eu já havia consolidado em mim durante a jornada. O que não quer dizer que eu não tenha ficado triste e com ataque de asma.

  • Coletivo Carta Branca/Divulgação

    Capa do livro "Não Comi. Não Rezei. Mas Me Amei"

UOL Comportamento: autoconfiança demais não blindaria a pessoa das críticas honestas e construtivas, o que seria prejudicial para a evolução pessoal?
Gisela: Sim. Eu mesma escrevi outro dia em um post que estava sentindo que autoconfiança demais estava me deixando um pouco arrogante. Desde então, voltei a ter humildade suficiente para voltar a ouvir as críticas construtivas das pessoas. Aliás, voltei a, simplesmente, ouvir e dar atenção às pessoas. Por isso, é legal se vigiar todos os dias, para não dar esse tipo de “escorregada no quiabo”.

Serviço
“Não Comi. Não Rezei. Mas me Amei”
Editora: Matrix
Páginas: 336
Preço: R$ 39,90

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Facebook Messenger

Receba seu horóscopo diário do UOL. É grátis!

do UOL
Redação
Redação
Redação
Redação
Comportamento
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
do UOL
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Comportamento
Comportamento
Redação
do UOL
Redação
do UOL
Blog da Morango
Redação
Redação
Comportamento
Redação
BBC
Redação
Redação
Redação
Redação
do UOL
do UOL
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Comportamento
do UOL
Blog do Fred Mattos
Comportamento
do UOL
Redação
Redação
Redação
Redação
Blog da Morango
Topo