Comportamento

Vale usar o Papai Noel para negociar com as crianças no Natal?

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A famosa frase "Você se comportou bem este ano?" não deveria servir de intimidação para os pequenos Imagem: Thinkstock

ANDRESSA ROVANI

Colaboração para o UOL

16/12/2011 07h00

Em sua primeira cartinha destinada ao Papai Noel -e escrita de próprio punho-, Raphael, de 6 anos, listou os presentes que espera ganhar neste Natal. No final, deixou um recadinho: “Eu chupo o dedo todos os dias. Desculpe-me, Papai Noel". A mãe, Camila Lau da Silva, 33, brinca que "Papai Noel adorou a mensagem". E, em resposta, a criança deve receber o aguardado presente.
 
Não será a primeira vez que Raphael faz um acordo de Natal. Desde pequeno, ele e a irmã, Priscilla, de 7 anos, negociam o bom comportamento com o Papai Noel. O pai das crianças, Luiz, diz ser o “braço-direito” do bom velhinho. “Ele tem o e-mail e o celular do Noel, para passar mensagens quando as crianças não se comportam”, brinca a mãe. Ela conta que os filhos sempre tiveram o Papai Noel como interlocutor nesta época do ano. “Ele entra em ação principalmente na hora de comer”, diz Camila.

De acordo com a psicanalista Vera Zimmermann, coordenadora do Centro de Referência da Infância e Adolescência da Universidade Federal de São Paulo (Cria/Unifesp), usar a figura do Papai Noel como moeda de troca entre pais e filhos é saudável para a criança. “Vincular o desempenho dela ao presente não é errado, pois o sistema de trocas faz parte da vida."

  • Arquivo pessoal

    Os irmãos Raphael e Priscilla com o Papai Noel, em 2010

 
Socialmente, o Papai Noel é usado para isso nesta época do ano. Mas os pais já adotam esse sistema em outras situações, como no aniversário.
 
Para que a negociação funcione, a especialista recomenda que os pais aproveitem esse momento para educar, discutindo, por exemplo, os efeitos de um comportamento. “A criança precisa entender que o outro também é importante e que seus atos têm consequências”, diz Zimmermann.

Por isso, a lista de pedidos feitos ao Papai Noel, segundo ela, deve ter várias opções, para que a criança perceba que essa não é uma decisão dela, mas dos adultos, e que o presente depende do seu comportamento.
 
Ao esperar a chegada do Papai Noel, a criança faz sonhos para, então, realizá-los. “Ela não pode ganhar presente a toda hora. Ao ter que aguardar o Natal, aprende a tolerar a espera, o que é muito importante para seu desenvolvimento psíquico”, afirma Zimmermann.
 
Sem intimidar as crianças
Para a psicóloga Denise Bandeira de Melo, da divisão de creches Universidade de São Paulo (USP), o Papai Noel deve ser uma fantasia exclusivamente lúdica, desamarrada do peso de ter de decidir se a criança merece ou não aquilo que pede. Ou seja, a resposta à clássica pergunta do velhinho “Você se comportou bem este ano?” não deveria servir de intimidação.
 
“Usar o Papai Noel como ferramenta de negociação é delegar uma função que ele não tem. Os pais não podem transferir o ônus de frustrar as crianças para o Papai Noel”, diz Denise. Ela defende que as crianças aprendam a fazer suas escolhas longe da avaliação do Papai Noel, que deve ficar encarregado de dar o presente desejado sem julgamentos. “A criança precisa agir de determinada maneira porque acredita, não porque será recompensada ou punida”. A recomendação de Denise é que o Noel seja citado de outra forma, para incentivar os filhos depois de atitudes boas, dizendo frases como “O Papai Noel ficará muito feliz!”.
 
Quando a criança é muito pequena, a figura do Noel pode servir como símbolo de um momento de ruptura, como a hora de largar a mamadeira, diz Maria Thereza França, psiquiatra e psicanalista infantil da Sociedade Brasileira de Psicanálise (SBP-SP). Os pais podem, por exemplo, ir preparando a criança nas semanas anteriores para que ela entregue a mamadeira quando o Papai Noel chegar.

“Com a ajuda dos pais, o Natal entra como um momento de fazer esse corte [entre a criança e a mamadeira], ajudando-a a crescer", afirma. Quando são maiores, entretanto, elas tendem a não cumprir o estabelecido com o velhinho, diz Maria Thereza, sobretudo quando a negociação exige mudança de atitude. “O Papai Noel pode ajudar a dar limites, mas o presente que ele vai dar não mudará o comportamento da criança."

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