Comportamento

Filmes pornográficos podem prejudicar desempenho sexual do homem

Stefan/UOL
Tomar filmes como referência pode destruir a autoestima do homem e levar à impotência sexual Imagem: Stefan/UOL

RENATA RODE

Colaboração para o UOL

18/12/2011 07h00

Segundo um estudo do urologista italiano Carlo Foresta, da Universidade de Pádua, publicado na revista Psychology Today, 70% dos homens que procuram tratamento para problemas sexuais revelaram serem consumidores assíduos de pornografia. Eles prendem-se ao mundo da fantasia e não conseguem transar com mulheres “reais”, informa a reportagem. Para Carmita Abdo, sexóloga e coordenadora do Projeto de Sexualidade do Hospital das Clínicas, o problema vai além do ato em si. "O homem precisa de estímulos visuais para se excitar e a masturbação é uma prática comum. O fato de deixar de fazer sexo com a parceira para ter o prazer solitário torna-se uma patologia, que passa a interferir na rotina e na relação social."

Para a especialista, tudo depende de como o homem vê a figura do personagem masculino nos filmes. “Se vê na pornografia um homem que é viril, tem uma frequência e variação sexual melhores do que a dele, se compara àquele cenário e deixa que isso diminua sua autoestima. Quando a pornografia é apenas um meio para apimentar a relação e é bem vista pelos dois, não tem nada de ruim. Mas quando passa a ser requisito fundamental para que haja ereção significa que seu prazer se tornou escravo, o que não é bom.”

Carla Cecarello, sexóloga e coordenadora do Projeto AmbSex de São Paulo, afirma que tentar brinquedinhos ou novidades durante a transa pode ser uma tentativa de resgatar o desejo perdido -porém, não há garantias. “Propor coisas novas para o sexo, desde que as novidades estejam dentro dos limites do casal, pode ser um início de renovação a dois.” 

SINAIS DE EXAGERO

Carmita Abdo aponta sinais de que o homem está exagerando:

- Querer ver pornografia a dois toda hora, mesmo que a mulher não queira;

- Considerar que é uma prévia necessária e se irritar quando a parceira negar;

- Aumento da necessidade de pornografia para conseguir ter prazer na relação;

- O sexo fica menos frequente;

- O homem fica mais isolado.


De acordo com Carmita, o homem que chega a desenvolver compulsão por pornografia, normalmente, tem um histórico de ser depende sexual, ou seja, se deixa controlar pela vontade excessiva de sexo aliado à pornografia e, consequentemente, à masturbação. “Deixemos claro: pornografia não é ruim, desde que utilizada para os fins corretos. Há casais que a utilizam para eventuais variações na hora do sexo. Ela tem seu espaço na relação, mas não pode tomar conta.”

Como a mulher pode agir
Se o consumo de pornografia do parceiro for exagerado, a primeira atitude é conversar com ele e expor o que você sente com essa atitude. "É claro que precisa ser uma conversa delicada, para chegar a uma solução. Na maioria das vezes, o homem acaba se explicando e apresentando os reais motivos para se comportar assim. A mulher pode sugerir uma psicoterapia para o casal, de acordo com as razões de ambos”, diz Carla.

Carla ainda explica que a dependência da pornografia pode ter vários níveis de intensidade. A vontade de assistir a filmes e acessar sites picantes aumenta como se fosse um vício, assim, a pessoa quer cada vez mais se masturbar e fantasiar. "O homem entra no segundo estágio em que despreza a mulher real e se isola, apresentando problemas de relacionamento não só com ela, como também todo o meio social. Há homens que acabam exigindo que suas parceiras façam o que eles veem no material pornográfico. Como muitas não cedem, o desejo por elas diminui. Na terceira fase, eles necessitam de muito estímulo sexual para transarem."

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