Comportamento

Renata do "BBB" é a prova de que mulheres ainda não têm a liberdade sexual dos homens

Divulgação/TV Globo
Use o campo de comentários desta página para dar sua opinião sobre o caso de Renata (foto), do "BBB12" Imagem: Divulgação/TV Globo

Rafael Roncato

Do UOL, em São Paulo

23/02/2012 17h28

Tente acompanhar o "BBB12": primeiro, Renata e Jonas ficaram. Depois, Jonas beijou Monique. Jonas voltou a trocar beijos com Renata e, nesta semana, o clima entre Renata e Rafa foi esquentando, até que na madrugada desta quinta-feira (23), após algumas provocações, os dois ficaram juntos durante a festa "Lapinha". A estudante também se engraçou com Ronaldo, que já foi eliminado, e Jonas mencionou que a mulher que mais lhe interessa na casa é Fabiana

Não cabe avaliar se o comportamento dos dois é certo ou errado. Mas uma coisa ficou clara: a forma como as pessoas enxergaram as atitudes dos dois confinados. As situações, apesar de semelhantes, geraram reações muito diferentes dentro e fora do "BBB12". Yuri e Monique disseram não confiar em Renata, enquanto Jonas falou que a mineira é ninfomaníaca. Fora da casa, no Twitter, um dos tópicos mais comentados foi "RenataSurfistinha", fazendo uma referência à ex-garota de programa Bruna Surfistinha. Em resumo: o comportamento de Renata foi reprovado, mas o de Jonas passou ileso, mesmo ele também tendo ficado com mais de uma pessoa na casa.

Para Maria Claudia Lordello, psicóloga e sexóloga da Unifesp, até hoje, espera-se que a mulher mantenha sua sexualidade escondida, algo que vem de "séculos e séculos de repressão feminina". "Essa questão é antiga", explica Maria Claudia. "A mulher é vista como alguém que, por natureza, não poderia ter desejo sexual e vários parceiros. É aquela que deveria ficar mais restrita à condição de reprodutora."

Mesmo após as mulheres tendo conquistado muito mais espaço e igualdade entre a décadas de 1960 e 1970, ainda há resquícios de pensamentos machistas enraizados na sociedade. "O machismo é uma questão social que pega tanto homens quanto mulheres, mas tudo por conta do passado. A igreja foi uma das grandes responsáveis, na época da idade média, por essa repressão sexual feminina", diz a psicóloga e sexóloga.

Para Giovanna Lucchesi, psicóloga e especialista em sexualidade do Instituto Paulista de Sexualidade, há uma tolerância maior para as manifestações sobre sexualidade masculinas do que femininas. "Na construção dos papeis sociais, é possível notar que, historicamente, os homens tiveram e têm mais permissões sociais do que as mulheres, devido à forma como as relações de gêneros foram construídas", afirma a psicóloga.

Com a sociedade impondo determinados comportamentos, mesmo as mulheres acabam sendo machistas por influência desse passado. "Está tão arraigado na nossa sociedade que até as mulheres carregam o machismo. Então, se perguntar para uma garota, por mais moderno que esteja o mundo, ela ainda reprovará alguns comportamentos. As meninas que ficam com vários homens não são bem vistas. O menino pode, pois é considerado natural o homem ser o caçador", conta Maria Claudia.

Mulher para se divertir, mulher para casar
Na busca de relações mais efêmeras, a mulher sexualmente expressiva acaba sendo mais aceita do que para relacionamentos longos. "Para investimentos afetivos, os homens poderão temer e fantasiar que ela poderá buscar outros parceiros, devido à imagem de que essa mulher é sexualmente  insaciável", diz a psicóloga e especialista em sexualidade Giovanna Lucchesi.

Para a psicóloga Maria Claudia, não faz muito tempo que a mulher percebeu sua condição de também ter prazer com o sexo. "Com a chegada dos métodos contraceptivos, houve a libertação feminina da condição de procriadora. A partir disso, a mulher teve a chance de sentir prazer sexual, tanto quanto o homem. Foi um grande conquista."

Giovanna ainda abre uma nova questão: "É importante discutir que as próprias mulheres exercem um discurso que trata o comportamento sexual feminino de forma pejorativa --uma mulher sexualmente ativa  pode gerar medo e a sensação de competitividade nas próprias mulheres". Para ambas as psicólogas, esse pensamento está mudando, mas ainda levará muito tempo para se igualar ao homem.

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