Equilíbrio

Mulheres com medo de ser sexy construíram imagem preconceituosa da sensualidade

Julia Bax/UOL
Algumas mulheres aprenderam a associar, erroneamente, a sensualidade à vulgaridade imagem: Julia Bax/UOL

Andressa Magalhães

Do UOL, Em São Paulo

Você foge de peças decotadas, não vê motivos para subir em um sapato de salto e tem pavor em imaginar um batom vermelho nos seus lábios? Para especialistas em comportamento, há mulheres que exercem a sensualidade com naturalidade, enquanto outras a rejeitam e passam a ter medo de ser sexy –e, algumas vezes, até se enfeiam. É claro que a vaidade não é a única ferramenta de uma mulher sensual. As atitudes contam muito, e também são evitadas por aquelas que temem a comparação com um tipo que, por preconceito, reprovam. 

Anos atrás, a sensualidade era encarada como arma de mulheres com deficiência em outros atributos –assim, a atitude sexy passava a ideia, aos olhares mais recatados, de ser uma muleta usada por "mulheres burras". Para a psicóloga clínica Fabíola Alvares Garcia Serpa, diretora do Interac (Instituto de Terapia Comportamental), de São José dos Campos, isso é passado. “O estereótipo da mulher inteligente como feia e mal arrumada foi superado. Hoje, não se duvida da capacidade intelectual e da competência de uma mulher sexy”. Ao menos, não se deveria duvidar.  

Quem também acredita que inteligência e sensualidade não são características mutuamente excludentes é a psicóloga cognitivo-comportamental Mara Lúcia Madureira. Segundo ela, essas características podem conviver em harmonia, desde que dosada a manifestação de cada uma delas. “Negligenciar uma competência tão valorizada pelo público masculino tem mais a ver com o autojulgamento do que com o julgamento alheio”, diz.

Por que camuflar a sensualidade?
Cedo ou tarde, toda mulher define como deseja ser vista. “Agimos como em um palco, no qual o outro é a plateia”, diz o psicólogo e professor do Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo) Ailton Amélio da Silva. “Uma pessoa habita diferentes espaços psicológicos, que variam conforme o momento.”

A sensualidade é parte da natureza humana, e as mulheres desempenham comportamentos sensuais de acordo com parâmetros da cultura na qual estão inseridas. A rejeição dessa arma poderosa, está, em geral, ligada ao ambiente familiar. “Algumas mulheres aprenderam, por meio de modelos educacionais, a associar sensualidade a despudor e vulgaridade”, diz Mara Lúcia Madureira. “Então, para se manter longe das críticas, preferem abdicar do charme natural.”

É preciso, portanto, avaliar os motivos pelos quais uma mulher não se sente à vontade exercendo esse papel. Madureira alerta que meninas severamente criticadas na infância podem se tornar mulheres descrentes de si mesmas, que duvidem da própria sensualidade. Se o medo de ser sexy pode afastar a mulher de determinados comportamentos, usar o lado sensual é essencial no relacionamento a dois. “Uma mulher não teme ser desejada, mas rejeitada”, diz Madureira. “Como não é fácil discernir entre desejo duradouro e momentâneo, a mulher que tem medo evita o fim, inviabilizando o início de uma relação". 

Um erro comum é associar sensualidade a lançar mão de decotes profundos ou maquiagem exagerada. A mulher deve apostar na atitude sexy, diz Aílton. “A roupa é um recurso fixo; o comportamento é ajustável. Tem hora que é bom sumir, mas às vezes é preciso ser sensual. Uma mulher deve saber usar esses recursos.”

Ser sexy não é preciso
A mulher também pode adotar um comportamento avesso ao sexy por timidez, afirmam os especialistas. “Ela fica imaginando o que pensarão dela. E camufla-se, mistura-se à paisagem”, explica Ailton Amélio. Garcia Serpa afirma que evitar a exposição de atributos físicos só é problema se as consequências estiverem relacionadas a isolamento e à rejeição social. “Tais práticas podem, muitas vezes, estar relacionadas à dificuldades de interação ou timidez”. Porém, se, simplesmente, fizerem parte da personalidade, não há motivos para forçar uma mudança. Basta ter autoconhecimento suficiente para se avaliar e saber se a escolha de sua conduta a faz feliz ou não. 

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