Equilíbrio

Noemí tira a roupa no "BBB" e revela pudor brasileiro com a nudez

TV Globo/Frederico Rozário
Banhos e trocas de roupa de Noemí deram o que falar no "país do Carnaval" Imagem: TV Globo/Frederico Rozário

Bárbara Stefanelli

Do UOL, em São Paulo

21/03/2012 07h00

A relação que a espanhola Noemí tem com o próprio corpo está dando o que falar no "BBB". Desinibida, a garota não tem tantos pudores quantos os colegas brasileiros têm na hora de se trocar ou tomar banho. Isso porque, quando a participante entrou, ela logo avisou que na casa espanhola os integrantes tomavam banho nus. Mesmo assim, os comentários nas redes sociais e notícias sobre o assunto foram inevitáveis.

No discurso de eliminação do último domingo (18), o apresentador Pedro Bial chamou atenção para o tema e disse: “Nossa hóspede vem nos demonstrando que, para trocar de roupa no ‘Big Brother’, não é preciso fazer contorcionismo sob os edredons. Vocês mostram vergonhas tão maiores que pererecas, peitinhos e pintinhos. A nudez relâmpago de Noemí, ao trocar de roupa com a naturalidade de quem está em casa, sua nudez natural, tão breve e inocente, virou notícia no país do Carnaval, do 'Créu', do [biquíni] fio dental”.

Para Rosa Hercoles, coordenadora do curso de Comunicação das Artes do Corpo da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica), essa relação mais contida que o brasileiro tem com o corpo foi construída com a vinda dos portugueses para o Brasil. “Os colonizadores chegaram e viram os índios nus, convivendo com outras normas, completamente diferentes das europeias, e foi aí que nasceu essa impressão de que brasileiro é ‘soltinho’. Essa é uma noção que persiste até hoje e tentamos corresponder à imagem que o colonizador teve da gente no século 16”, afirma Rosa.

Nudez e erotismo

  • Reprodução/BBB

    "Nossa hóspede vem nos demonstrando que, para trocar de roupa no ‘Big Brother’, não é preciso fazer contorcionismo sob os edredons", diz Bial

Para Juliana Bonetti, terapeuta do Inpasex (Instituto Paulista de Sexualidade), a nudez no Brasil ganha uma conotação sexual. “Ao contrário do brasileiro, o europeu lida com a nudez e se relaciona com o corpo de uma forma mais natural. Em nosso país, essa relação é muito erotizada. O topless na Europa é habitual, já por aqui é algo sexualizado. A amamentação em público, por exemplo, também é um comportamento que no Brasil, muitas vezes, adquire um viés erótico.”

Segundo o psicólogo e psicoterapeuta sexual Oswaldo Rodrigues, também do Inpasex, “nudez não significa sexo, mas pode ser erótico para quem olha, mesmo que não o seja para quem se expõe”. Além das diferenças culturais, o especialista ainda ressalta os fatores climáticos dos continentes, que fazem com que um corpo nu seja encarado de forma mais natural em países da Europa. “Por causa do frio, o europeu vive, necessariamente, vestido e escondido mais da metade de cada ano. Ele nasce e aprende que precisa compensar e viver o sol, para que desenvolva a saúde. Então, a nudez passa a ser tolerada no verão”.

Moral cristã

Entre todos os entrevistados, é unânime que a religião também é causadora do estranhamento que a ausência de roupa causa por aqui. “A moral judaico-cristã, muito forte no Brasil, prega que a nudez é pecado. Isso faz com que os corpos não sejam livres e não é o fato de vestir regatas e shortinho, por causa do calor, que faz com que o corpo seja liberto. Liberdade é uma velhinha de 80 anos da Dinamarca, por exemplo, poder nadar só de calcinha”, diz Rosa Hercoles.

Para Oswaldo Rodrigues, a religião foi o caminho que os colonizadores encontraram para doutrinar a nudez dos brasileiros. “Assim, se determinou o caminho para significar a nudez: se é temente a Deus, vive vestido e não permite o oposto”, explica.

O terapeuta sexual ainda diz que, durante o Carnaval, é o momento que o brasileiro tem para extravasar essa tensão. "Passamos por alguns dias agindo como se pudéssemos transpor todas e quaisquer barreiras morais e, depois, nos outros 360 dias, vivemos em restrições”, diz Rodrigues. Fato que nos faz pensar se não é a naturalidade de Noemí que deveria ser mais apropriada no “país do Carnaval”.

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