Vida no trabalho

Você é um procrastinador? Controle essa característica para não prejudicar sua carreira

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A procrastinação pode estar relacionada à insatisfação profissional Imagem: Thinkstock

Ciça Vallerio

Do UOL, em São Paulo

12/09/2012 16h07

Você sabe o que é um procrastinador? O termo, que parece um palavrão cabeludo, é designado àquele que costuma empurrar com a barriga tarefas e obrigações, deixando para depois o que se deve ser feito agora. Mas nem por isso seu significado deixa de ter um lado nocivo. Afinal, procrastinar afeta a vida, principalmente a profissional, explica o psicólogo Alessandro Vianna. "É no trabalho que esse comportamento fica mais evidente por causa da pressão e da cobrança cada vez maiores nos ambientes corporativos", diz.

Para Vianna, esse é o tipo de comportamento de que se fala pouco, embora se pratique em larga escala. Esse hábito aparentemente corriqueiro pode se tornar crônico, a ponto de causar muito estrago. "Vira um circulo vicioso que piora com o tempo". Tudo começa com o adiamento de uma obrigação importante no trabalho, que acaba gerando inevitavelmente ansiedade e angústia. Só que em vez de se livrar das próximas tarefas para evitar esses sentimentos, a pessoa passa a adiar seus compromissos mais e mais. 

Em um cenário corporativo, no qual cobrança, responsabilidade e competitividade se acentuam de forma crescente, procrastinar é como dar um tiro no próprio pé. Segundo a consultora de Recursos Humanos e de Gestão Maria Inês Felippe, procrastinar nos tempos de hoje prejudica a carreira porque reflete no descumprimento de prazos e entrega de um trabalho sem qualidade –por ser realizado na última hora.


"É natural que, às vezes, surjam pequenos momentos de preguiça", explica Maria Inês. "Mas esse não é o estado frequente de quem é comprometido e motivado. Por isso é importante ficar atento à frequência com que as tarefas estão sendo postergadas". E cuidado para não se enganar ao usar a velha desculpa do pouco tempo –a ineficiência em administrá-lo não pode ser justificativa para o descumprimento das obrigações. Especialmente quando se perde minutos e até mesmo horas navegando em redes sociais, nos sites favoritos e checando exageradamente e-mails, diz a especialista em RH.

"Sempre reforço em treinamentos a importância de aprender a se planejar e de separar as tarefas urgentes das importantes para atingir objetivos", afirma Maria Inês.

Uma das características do procrastinador crônico, segundo o psicólogo Vianna, é realizar várias coisas ao mesmo tempo, justamente para fugir daquilo que realmente deve ser feito. E aí está outro grande problema, que pode afetar não apenas a vida profissional, como a pessoal. A começar, prejudicando a autoestima. "A pessoa passa a acreditar que não é capaz", explica. "Com o tempo, essa sensação pode desencadear até depressão."

Controle o impulso de adiar

- Identifique a repetição desse tipo de comportamento;

- Reconheça que adiar uma obrigação é infinitamente mais incômoda do que realizar o que dever ser feito; 

- Faça as coisas chatas primeiro e deixe as mais prazerosas e fáceis para o final: serve como motivação para novos desafios e traz segurança; 

- Verifique se você não está procrastinando por ter pouco conhecimento ou habilidade para desenvolver a tarefa. Se for isso, é hora de mudar, seja estudando ou conversando com o chefe;

- Veja se o problema é falta de motivação: analise a carreira para ver se a função e o emprego estão dentro das expectativas;

- Se procrastinar já virou um tormento na sua vida, procure ajuda.


O procrastinador crônico também está sujeito a desenvolver transtorno de ansiedade. A psiquiatra do Hospital Albert Einstein Mara Fernandes Maranhão explica que a repetição de sentimentos negativos, como ansiedade, estresse e angústia, gerados entre quem vive adiando obrigações, predispõe alterações químicas no cérebro. "Mas é importante saber distinguir se o hábito de procrastinar levou a uma doença psiquiátrica ou se essa atitude já é o resultado de um problema psíquico", afirma a médica.

Natureza humana

Faz parte do comportamento humano dar preferência ao que lhe dá prazer imediato, tirando  da frente aquilo que é chato, difícil, complicado. É o que explica a psiquiatra Mara Fernandes Maranhão, do Hospital Albert Einstein. O ideal, contudo, é ter capacidade e disciplina para abrir mão de um prazer imediato em prol de um benefício no futuro. E um procrastinador tem dificuldade de equalizar esse processo –mesmo que seja para seu próprio bem. "Pessoas passivas ou impulsivas tentem a agir dessa forma", diz a médica.

A capacidade de controlar os impulsos naturais também está relacionada à serotonina, um neurotransmissor produzido pelo cérebro. De acordo com Mara, pessoas com alteração nessa atividade cerebral estão mais propensas à ansiedade e depressão e, portanto, mais vulneráveis à procrastinação. "É a maneira que elas encontram para aliviar a angústia causada pela necessidade de realizar uma tarefa", explica.

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