Comportamento

Depois da separação, evite que o seu filho se torne o 'homem da casa'

Orlando/UOL
Um erro frequente das mães que se separam é deixar que os filhos passem a dormir com elas Imagem: Orlando/UOL

Rita Trevisan e Louise Vernier

Do UOL, em São Paulo

É comum que a separação do casal tenha um grande impacto na vida dos filhos. Porém, algumas atitudes dos adultos podem agravar ainda mais a situação de desconforto que as crianças e jovens naturalmente experimentam.

De acordo com a psiquiatra Ana Margareth Siqueira Bassols, professora da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e chefe de serviço de psiquiatria da infância e da adolescência do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, em separações difíceis ou quando as mulheres são mais dependentes, a perda do cônjuge pode despertar sentimentos de insegurança e desamparo, contribuindo para que o filho, sem se dar conta, acabe assumindo algumas funções do pai.

O problema é que essa inversão de papeis pode prejudicar o desenvolvimento da criança ou do adolescente, que se encarrega de tarefas que, muitas vezes, não condizem com a sua idade. A postura do garoto pode até ser vista com bons olhos pela família, mas despertará sentimentos bastante controversos, fazendo-o sofrer.

Isso porque, no imaginário do menino, ao mesmo tempo em que surge uma espécie de satisfação por "vencer" o pai e conquistar toda a atenção da mãe, é comum coexistirem sentimentos de culpa, já que o garoto se sente, até certo ponto, responsável pela separação.

"Estamos falando de um processo complexo, que ocorre em nível inconsciente. O importante é entender que haverá um importante abalo emocional", explica a psiquiatra Vera Blondina Zimmermann, coordenadora do Centro de Referência da Infância e Adolescência da USP (Universidade Federal de São Paulo).

Portanto, deve haver muito cuidado para não fazer do garoto o "homem da casa". "Todos os filhos devem ter tarefas na rotina doméstica, sem distinção de sexo e idade. Mas é superimportante que a mãe avalie com critério se elas estão compatíveis com o momento do desenvolvimento do filho", diz Vera.


Assim, mesmo quando o filho se oferece para desempenhar determinadas funções, seja para apoiar e agradar à família ou para negar a falta que o pai faz, é interessante que a mãe reflita, antes de delegar a responsabilidade. Se houver dúvidas sobre o que o filho tem condições ou não de assumir, vale consultar as pessoas que estão de fora, familiares ou amigos confiáveis. Eles auxiliarão nessa difícil missão, ajudando a estabelecer limites saudáveis.

O acompanhamento de um psicólogo facilita a vida e é uma boa pedida, especialmente quando o garoto começa a apresentar sinais de que está sofrendo por conta da falta da figura paterna. "Isolamento, irritabilidade extrema, queda no rendimento escolar e muita dependência da mãe são sinais de que algo está errado", afirma o psiquiatra Luiz Cuschnir, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. O profissional vai avaliar a necessidade de indicar algum tipo de tratamento para o filho, para a mãe ou para ambos.

Cada um no seu espaço
 

Outra questão importante é o cuidado com a reorganização dos espaços domésticos a partir da saída do pai. Nesse momento, é comum que algumas mães coloquem o filho para dormir junto com elas. A mudança é uma estratégia para suprir a própria carência afetiva e está ligada ao desejo de manter o filho amparado nessa fase tão difícil. Entretanto, segundo os especialistas, o melhor é evitar tanta proximidade. 

"Os filhos devem ter seu próprio espaço e respeitar o dos pais", de acordo com Ana. Caso contrário, fica muito fácil a mãe transmitir e projetar no filho seus temores e inseguranças. Além disso, a situação pode reforçar a fantasia do filho de que é culpado pela separação dos pais, gerando angústia e prejudicando o bem-estar dele. Por fim, a mãe também pode sair prejudicada, ao passo que o garoto, tornando-se possessivo e dependente, terá dificuldade em aceitar um possível padrasto.

Nova dinâmica
 

Replanejar a própria vida para tentar preencher o vazio que ficou é a melhor forma de não causar problemas para o filho. Isso implica em encontrar outras fontes de afeto e até novos relacionamentos. "O grau de maturidade da mulher e a forma de  lidar com a separação favorecerão uma adaptação mais fácil à nova situação", diz Ana.

Manter o contato da criança com o pai, planejando visitas ou viagens, por exemplo, prezar pela participação dele nas tomadas de decisões importantes e garantir a presença de outras figuras masculinas –pessoas da família, amigos ou professores– na vida do garoto também é importante.

"É essencial oferecer ao menino a possibilidade de ter vivências com homens mais velhos, para que tenha modelos diferentes dos da mãe", explica Cuschnir. Outro cuidado é nunca se queixar do "ex" para a criança, procurando preservar a imagem paterna tão valorizada pelo menino.

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.title}}

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
do UOL
Redação
Redação
Redação
Redação
BBC
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Comportamento
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
UOL Estilo
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Topo