Comportamento

Bem-estar e felicidade dependem muito do autoconhecimento

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Conhecer e fazer valer os próprios desejos são os primeiros passos para uma vida plena Imagem: Thinkstock

Por Louise Vernier e Rita Trevisan

do UOL, São Paulo

14/01/2013 07h00

Você sabe a diferença entre bem-estar e felicidade? Os dois conceitos se confundem e ambos estão relacionados a um estado de satisfação pleno. No caso do bem-estar, o prazer é momentâneo e está ligado a um acontecimento objetivo, como a sensação que se tem ao terminar uma atividade importante ou quando se conquista uma meta almejada.

Já a felicidade é mais ampla e muito mais subjetiva. Ela não depende necessariamente de acontecimentos externos. "A felicidade não é a ausência de sofrimento. É possível não estar sofrendo, estar até se sentindo bem e, mesmo assim, não ser feliz", explica a psicóloga Lilian Graziano, diretora do Instituto de Psicologia Positiva e Comportamento da Universidade de São Paulo.

A especialista afirma que a felicidade, de maneira geral, está relacionada ao significado que se atribui à própria vida. Ela é, por isso mesmo, muito mais profunda e tem um viés existencial.

Seja feita a sua vontade
Embora não haja receita de bolo para alcançar a sensação de bem-estar e até mesmo de felicidade, é muito mais fácil chegar lá se houver um investimento no autoconhecimento. "É fundamental saber o que lhe dá prazer e o que empresta sentido à sua existência. São critérios pessoais, que ninguém pode estabelecer por você", reforça Lilian.  

Depois da descoberta de si mesmo e das suas verdadeiras vontades, o caminho para o prazer, seja ele momentâneo ou um estado de espírito mais estável e permanente, ainda depende de você fazer valer os seus desejos. É um gesto que requer coragem, já que implica em abrir mão do anseio de agradar aos outros ou de atender às expectativas deles.

"Apesar de a felicidade ser algo subjetivo, conseguir ser você mesmo e respeitar as próprias vontades e limites é a chave para se relacionar de uma forma positiva com o resto do mundo e para se sentir bem", garante Mirian Goldenberg, antropóloga e autora do livro 'Corpo, Envelhecimento e Felicidade', da editora Civilização Brasileira.

É assim que se assume o controle da própria vida, outro ponto importante na busca pelo bem-estar e pela felicidade. "Não fazer dos agentes externos os responsáveis pelos problemas que surgem no caminho e compreender que é possível operar mudanças na sua realidade a qualquer tempo é uma ótima forma de encontrar a satisfação", ensina Lilian.

Aprender a dizer não sem culpa também ajuda. "Para isso, é preciso entender que você é livre para exercer as próprias vontades e desejos e não só pode como deve fazer uso do seu tempo para cuidar de si mesmo e dos próprios prazeres", garante Mirian.

Deixo a vida me levar
Outra orientação dos especialistas é buscar a felicidade, mas não persegui-la. A sutileza se refere à aceitação da dor, do sofrimento e das frustrações como parte do ciclo natural dos acontecimentos, encarando-os com mais resistência e leveza. Acreditar na felicidade plena e querer que ela dure para sempre é, geralmente, um fator gerador de frustração.

"Muitas pessoas estabelecem metas irreais e atrelam a conquista delas à felicidade. Exigem de si próprias coisas impossíveis. Isso é um erro", alerta Jocilaine Martins da Silveira, psicóloga clínica e coordenadora do Núcleo de Análise do Comportamento da Universidade Federal do Paraná.

Também é um equívoco comum vincular a felicidade aos bens materiais e ao consumo. "Trata-se de uma falsa ideia de felicidade, uma vez que as riquezas e os prazeres satisfazem apenas momentaneamente e, em geral, tornam o ser humano cada vez mais dependente e alienado", opina a historiadora e socióloga Rosana Schwartz, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Além disso, a felicidade não pode ser planejada ou construída, de uma maneira absolutamente objetiva. "A felicidade é um estado de espírito que não se pode elaborar ou conceber, é algo que simplesmente acontece, em certos períodos da vida, de forma muito natural", afirma o psicólogo clínico Marcelo Quirino.
 
Deixar fluir é, portanto, uma palavra de ordem. "Aprender a deixar as coisas acontecerem de maneira leve e apreciar as coisas simples ao redor é um bom começo. Focar no presente, cultivar o amor, a sinceridade e um círculo de amizades verdadeiras e positivas também são formas de se aproximar o máximo possível da tão almejada felicidade", finaliza Lilian. Vale tentar.

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