Relacionamento

Rihanna não consegue se desligar de uma relação destrutiva; entenda

AP Photo/Alex Gallardo
O casal de músicos Chris Brown e Rihanna assistem à rodada especial de Natal da NBA Imagem: AP Photo/Alex Gallardo

Giovanny Gerolla

Do UOL, em São Paulo

18/01/2013 07h28

É o típico caso de "amor tóxico": primeiro, veio a público que Rihanna havia sido agredida pelo namorado Chris Brown, com socos e mordidas. E ela mesma afirmou que não tinha sido a primeira vez. Com o rapper condenado pela Justiça, eles ficaram um período afastados, para, depois, voltarem a aparecer juntos.

Recentemente, Rihanna e Brown lançaram duetos como "Nobody’s Business" ("Não Interessa a Ninguém", em tradução adaptada do inglês), música que circulou na internet em novembro de 2012, pouco antes do lançamento do novo álbum da cantora, "Unapologetic" -algo como "sem disposição de se desculpar", em inglês. A mensagem parece uma tentativa dos dois de pedir privacidade.
 
Apesar de não terem assumido oficialmente o reenlace, fotos dos dois juntos publicadas pela imprensa alimentam rumores de que eles teriam voltado. Mas o que levaria alguém a reatar um relacionamento que já demonstrou ser destrutivo?
 
Para a psicanalista Sandra Teixeira, a explicação começa no nascimento. Todos estão desamparados quando deixam o ventre materno e precisam da mãe. "Por outro lado, nascemos numa cultura onde não é bonito falar da dor, da morte ou de estar triste. Assim, esse desamparo precisa ser mascarado de alguma forma, porque ninguém quer encará-lo", diz. 
 
Uma das estratégias utilizadas pelo ser humano para compensar a sensação de abandono é se tornar dominador e fazer o possível para segurar o outro o mais próximo e dependente que puder. 
 

Contudo, há pessoas que contornam a carência buscando um par dominador. "Há mulheres que só se sentem seguras se estiverem na posição de submetidas. Elas acham que não conseguiriam seguir sozinhas e independentes. Buscam, mesmo que inconscientemente, a dependência", diz Sandra Teixeira. Mas essa postura não é exclusividade feminina. Muitos homens são subjugados pelas parceiras.
 
Se essas são figuras opostas que se complementam, a fórmula do "amor tóxico" se completa: basta que alguém queira dominar e que outro acredite não poder deixar de ser dominado.
 
Segundo a doutora em psicologia e professora da Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo), Renata Udler Cromberg, esse tipo de amor pode ser entendido como uma doença: "Se todos nós estamos sujeitos à paixão, estamos sujeitos a relações amorosas que nos fazem sofrer”, afirma.
 

Liberte-se

Sair deste círculo vicioso não é fácil, de acordo com a doutora em psicologia Renata Cromberg. 

É importante é que a pessoa olhe para si mesma e perceba que a solução não está no outro.

Para a psicóloga da USP, a ideia de duas pessoas fundidas –pensamento típico das paixões– não pode se tornar uma fixação.

"Precisamos, primeiro, aprender a ficar sozinhos, para que possamos nos relacionar melhor com o outro”, diz a psicanalista Sandra Teixeira.
 

"Você pode ficar ligado a uma pessoa pelo ódio, como uma forma de não perder o elo com ela. É uma espécie de prazer no desprazer, tudo para não correr o risco de se sentir só", diz Renata. 
 
A toxicidade dos relacionamentos violentos explica-se principalmente pelo fato de uma pessoa enxergar o companheiro como a única solução para preencher um vazio. A sensação de que sem o o objeto de obsessão não sobreviveríamos é destrutiva e, segundo a professora da USP, pode chegar a ser mortal. 
 
"A fixação é o que impede a mudança, imobiliza quem quer que esteja submetido", diz Renata. Já a cultura da violência é um elemento que favorece muito o aparecimento e a perpetuação da patologia. "Se o ambiente social do indivíduo é aquele em que a mulher é desrespeitada, esse padrão tenderá a ser repetido através das gerações", diz Sandra Teixeira. 
 
As mulheres que vivem um relacionamento com um homem que as agride estão repetindo um comportamento que confunde ligações amorosas e afetivas com servidão. "Elas estão, desde o berço, inseridas numa cultura perversa, em que a mulher é até capaz de ter independência financeira, mas continua acreditando que só poderá existir se tiver um homem", afirma Sandra.

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