Comportamento

Exercitar a tolerância e a gentileza são formas de praticar a solidariedade

Stefan Pastorek/UOL
"Quem faz o bem, ganha autoestima; passa a se sentir útil e importante para os outros", diz o psicólogo Reginaldo do Carmo Aguiar Imagem: Stefan Pastorek/UOL

Marina Oliveira e Rita Trevisan

do UOL, São Paulo

21/01/2013 07h00

Além da inteligência e da capacidade de analisar criticamente as situações, os humanos são dotados de empatia, nome da habilidade de se colocar no lugar do outro, de identificar o sentimento da outra pessoa e compartilhá-lo. "Somos capazes de chorar pela dor de alguém sem nem sequer conhecê-lo", diz o psicólogo especialista em terapia comportamental pela Universidade Federal de Uberlândia, Reginaldo do Carmo Aguiar.

A partir daí, a conclusão seguinte é a de que, por mais competitivo que seja o mundo atual, somos seres naturalmente predispostos a ajudar o próximo. "Fomos feitos para praticar a bondade. Fazer o bem é uma ação natural para o ser humano. Não é espontâneo, mas é algo que pode ser aprendido e amadurecido", defende Jorge Claudio Ribeiro, filósofo e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Para Ribeiro, ninguém nasce afetivo e solidário, mas é capaz de se transformar a partir da convivência com pessoas sensíveis. Com este referencial, cada um será capaz de colocar para fora o que há de melhor dentro de si e praticar a mais genuína bondade. "O interessante é que para ser solidário não é preciso abrir mão de nada, mas desenvolver uma nova maneira de enxergar as pessoas e uma nova postura para se relacionar com elas", garante o pesquisador do setor de Medicina Comportamental da Universidade Federal de São Paulo, Ricardo Monezi.

 

Sob essa ótica, fazer o bem torna-se um objetivo muito mais acessível, mesmo para quem não pode dispor de horas do final de semana para atuar junto a um projeto voluntário, ou mesmo reservar parte do salário para doar a uma entidade. "Ser solidário é um compromisso que aos poucos toma conta da vida da pessoa. Quem faz o bem no micro, acaba fazendo também no macro, de uma forma muito natural, sem precisar escolher", afirma Ribeiro. Moral da história: é possível começar a agir de forma solidária hoje. Agora. Pra ontem.

A tolerância, por exemplo, é uma forte demonstração de amor, na opinião de Ribeiro. Deixar o outro ser quem ele é e aceitá-lo no estágio de crescimento em que se encontra é, sim, uma forma de ser afetivo e desejar o bem daquela pessoa. "A paciência é um exercício diário, desenvolvida por meio da compaixão, do saber que o outro é tão humano quanto você, com qualidades e limitações", reforça Monezi.

Outras pequenas ações, que não custam tempo ou dinheiro, também podem mudar o seu dia a dia e o de muitas outras pessoas. "Ser gentil com aqueles profissionais que às vezes passam despercebidos, como garçons, faxineiras e porteiros, é um cuidado simples e que muitos se esquecem de colocar em prática", exemplifica Monica Portella, pós-doutora em psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

Inclua nessa lista do bem sorrir mais e fazer os outros rirem, exercer a cidadania e apoiar causas em que acredita. Além disso, enxergar o que há de melhor no outro e encorajá-lo com expressões do tipo 'eu acredito em você' e 'eu tenho orgulho de estar ao seu lado' serão diferenciais no seu comportamento.

 

Tudo conspira a favor

E se você ainda precisa de motivos para tentar ser mais solidário, aí vai uma lista deles. Em primeiro lugar, a prática do bem é reconhecidamente um meio de ficar mais saudável, de fortalecer as suas defesas. "Há várias pesquisas científicas que comprovam que fazer o bem melhora o sistema imunológico, permitindo que as células de defesa respondam mais rápido ao ataque de invasores como vírus e bactérias. A redução da liberação de hormônios relacionados ao estresse, como o cortisol e a adrenalina, é outro benefício", enumera Monezi.
 
Na dimensão psicológica, se importar e apoiar o próximo ajuda a reduzir os níveis de ansiedade e depressão, e pode até aliviar os sintomas psicológicos relacionados à menopausa e ao envelhecimento. "Quem faz o bem, ganha autoestima. A pessoa passa a se sentir útil e importante para os outros. Quem pratica a solidariedade acaba percebendo uma melhora significativa no humor com o passar do tempo e até uma facilidade maior para as relações interpessoais", assegura Aguiar.

Mas para colher tantos benefícios, é preciso que a vontade de ajudar não implique em nenhum tipo de expectativa em relação à resposta do outro, ainda que seja um simples agradecimento. "A pessoa que faz o bem apenas para satisfazer uma necessidade de reconhecimento não está verdadeiramente preparada para ajudar. Precisa cuidar de si mesma antes de pensar em exercitar a solidariedade", avisa Ribeiro. E finaliza: "Incorporar o hábito de fazer o bem não exige só dedicação e disciplina, é preciso desenvolver um interesse especial pelo resto do mundo, porque é isso o que nos impulsiona a ir além de nós mesmos".

 

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