Sexo

Brinquedo erótico não é 'consolo' e combate o sexo burocrático

Julliane Silveira

Do UOL, em São Paulo

05/04/2013 17h18

A ideia de que quem frequenta sex shop são pessoas solitárias ficou no passado. A psicóloga Carla Zeglio, diretora do Instituto Paulista de Sexualidade, conta que percebe o aumento de interesse de seus pacientes por esses objetos. "As pessoas têm mais informação e passaram a falar mais sobre isso. Antes, sex shop era um local escuro, estranho, que gerava constrangimento. Hoje, as lojas são mais bacanas e é possível comprar pela internet", diz 

O uso de brinquedos eróticos cresce no Brasil a cada ano. Dados divulgados pela Abeme (Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico) na quarta-feira (4) mostram que de 2011 para 2012 houve aumento de 15% nas vendas do setor.
 
Não dá para ignorar que outro responsável por turbinar as vendas desses produtos foi a literatura erótica, cujo maior representante é a trilogia "Cinquenta Tons de Cinza", da escritora britânica E.L. James. No último trimestre de 2012, a venda de brinquedos como máscaras, algemas e chicotes foi 35% maior em comparação ao restante do ano, segundo a Abeme.
 
Os livros trouxeram os brinquedos eróticos às rodas de conversa e se mostraram tão importantes para o mercado que foram tema de palestra da Erotika Fair –feira de produtos eróticos, que ocorre até 7 de abril em São Paulo– , e será assunto de uma mesa de debates de um encontro brasileiro de terapia de casais, em maio. 

Só ou acompanhado

 
Os brinquedos eróticos são fundamentais para o sexo de boa qualidade, na visão dos terapeutas sexuais. Para eles, quanto mais lúdico é o encontro dos parceiros, melhor será a transa e maior o prazer.

"Muita gente vê o sexo como algo sério e obrigatório. Numa relação longa, a gente perde a disposição de estar com o outro: transa para ter filho, para bater cartão. O sexo mais divertido pode aumentar a frequência das relações sexuais e tornar o momento muito mais agradável", diz Carla Zeglio. 
 
 
Esses objetos também contribuem para a saúde de seus usuários, de acordo com dois estudos realizados por pesquisadores da Universidade de Indiana, nos EUA, com 2.056 mulheres e 1.047 homens de 18 a 60 anos.

O trabalho constatou que as pessoas que usam vibradores a sós ou com os parceiros apresentam pontuação mais alta em testes que mediram níveis de lubrificação, orgasmo, função erétil e libido. Mulheres usuárias dos aparelhos visitam o ginecologista com mais frequência do que aquelas que não faz uso desses produtos". 

Esses brinquedos possibilitam novas sensações e descobertas. "Ao usar sozinho, existe uma grande oportunidade de conhecer melhor o próprio corpo, o que certamente ajuda na qualidade da vida sexual da pessoa", explica a psicanalista Albangela Ceschin Machado, especialista em sexualidade humana pela Faculdade de Medicina da USP.
 
E não é só vibrador e pênis de borracha que podem aumentar o prazer. Uma calcinha diferente, um talco com sabor ou tintas comestíveis podem incrementar bastante a noite e aproximar o casal. "Às vezes, o produto nem precisa ser necessariamente erótico. Um lenço serve como venda ou cubos de gelo podem aumentar a sensibilidade e levar a sensações bem diferentes", diz Albangela.
 

OS MAIS VENDIDOS

Géis para sexo oral

Géis funcionais (com propriedades excitantes)

Géis para sexo anal

Anel peniano com vibrador

 Cosméticos térmicos (que esquentam e esfriam os genitais)

Massageadores femininos

lingeries, fantasias e acessórios de fetiche

Dados foram fornecidos pela Abeme

Como escolher o brinquedo erótico

 
- Se o objeto será usado a dois, é melhor que o casal escolha junto;
 
- Evite adquirir muitos produtos de uma vez, para não se perder na hora do sexo;
 
- Sempre cheque o prazo de validade, principalmente dos itens comestíveis;
 
- Antes de usar, leia bem o manual de instruções;
 
- Duvide de itens de sex shops que prometem aumentar o pênis ou prolongar ereção.
 
 

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