Vida no trabalho

Ambição demais pode destruir uma carreira promissora

Orlando/UOL
A ambição, quando não é exagerada, é positiva e é vista com bons olhos pelas empresas Imagem: Orlando/UOL

Luciana Mattiussi

Do UOL, em São Paulo

12/04/2013 07h48

As histórias de ambição desenfreada são comuns na ficção, e o personagem ganancioso, quase sempre, acaba mal. Na vida real, pessoas que têm essa característica também têm tudo para ter um final infeliz. E não é errado ambicionar promoções e aumentos salariais. Ao contrário: a ambição é valorizada pelas empresas. Mas, quando passa dos limites, deixa de ser qualidade e passa a ser defeito, prejudicando o profissional que, mesmo tendo talento e boas chances de crescimento, acaba malvisto no trabalho e até no mercado em que atua.

 

A importância da ambição

 
"A ambição faz bem. No cenário atual do mundo corporativo, onde impera o dinamismo e a inovação, não enfrentar desafios não é a melhor escolha.  Se não houver ambição, a tendência de acomodar-se é maior. Para quem anseia um lugar de destaque no mercado é necessário assumir riscos", diz Fernanda Campos, diretora-executiva de desenvolvimento de negócios da Mariaca, empresa de recrutamento de profissionais e consultoria de carreira.
 
Ao concordar sobre a importância da ambição profissional, Sílvio Celestino –sócio-fundador da Alliance Coaching– explica que ela é um dos propósitos de uma corporação. "Toda empresa quer crescer, assumir novas responsabilidades. Portanto, se o profissional não se preocupa em se desenvolver, está desalinhado com a empresa e acabará perdendo o emprego. Tem gente que só consegue trabalhar em lugares pequenos justamente por causa da falta de ambição". 
 

De qualidade a defeito

 
Mas se a ambição é estimulada no ambiente corporativo, como saber quando ela passa a ser prejudicial? A resposta é simples: quando a pessoa deixa a ética de lado e quer se dar bem a qualquer preço. Nesta caso, a ambição se transforma em ganância. "É uma qualidade quando serve para direcionar a pessoa, definir objetivos. A ambição é propulsão para vencer na vida, ao contrário da ganância, que cega a pessoa para valores morais e éticos", explica a psicóloga e psicoterapeuta Triana Portal, pós-graduada em Psicologia Clínica na USP e com extensão na Emory University, nos Estados Unidos. 
 
 
A ambição também se torna uma característica perigosa quando é controlada pelo ego, segundo o psicólogo Fábio Munhoz, membro do IPPA (International Positive Psychology Association) e conselheiro da APPAL (Associação de Psicologia Positiva da América Latina). "Se for invadida por questões do ego, da pessoa querer ser melhor e mais bem-sucedida de qualquer jeito, ela passa a ser perigosa. O ego faz com que a pessoa trace metas irreais, fazendo com que ela passe por cima do que é certo", fala. "Regido pelo egoísmo, o ganancioso passa a tratar os outros como peças a serem manipuladas", continua a psicóloga Triana.
 

Encontre o equilíbrio

 
Para saber se a ambição passou do normal e se tornou prejudicial ao próprio ambicioso, Fernanda Campos recomenda analisar três pontos: "Se o profissional pensa apenas em buscar a satisfação financeira; se há sobrecarga de tarefas e quando a obstinação e anseios são tão grandes que afetam sua qualidade de vida e seus relacionamentos".
 
Encontrar o equilíbrio em uma sociedade que promove a cultura do “levar vantagem” é difícil, mas não é impossível. "Muitos veem como normal explorar o outro em benefício próprio. A competitividade distorce a ética, principalmente quando a pessoa já sabe o gosto do sucesso, do dinheiro. Mas olhe ao seu redor e avalie o que você realmente tem. Seus filhos estão felizes? Você tem amigos? Tem tempo livre para o lazer e vida pessoal? É uma pessoa querida pela maioria das pessoas? Quem convive com você é o melhor termômetro para lhe dizer se suas atitudes são equilibradas", diz Triana.
 
 
 

Outro ponto fundamental é pensar em sua carreira sem esquecer de se imaginar no futuro. "A ambição deve ser realista, galgada em passos e as pequenas vitórias devem ser valorizadas. Escalone sua ambição e trace as metas sem pressa", afirma Fábio Munhoz. "Pense a longo prazo, pois uma pessoa de 30 anos, por exemplo, ainda tem muito tempo pela frente e a pior coisa que pode acontecer é descobrirem que ela não é ética. Inicialmente, o ganancioso pode até se dar bem, mas uma hora a situação se reverte", afirma Celestino.

Além de saber onde quer chegar sem atropelar etapas, é imprescindível sempre buscar conhecimento e melhorar as capacidades. "O equilíbrio certo vem com um bom planejamento ao longo de sua trajetória profissional, sempre monitorando a própria carreira e buscando constante aprimoramento", finaliza Fernanda Campos.

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.title}}

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Redação
Redação
Redação
BBC
BBC
Redação
Redação
UOL Estilo
do UOL
Comportamento
Redação
BBC
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Plano de Carreira - Daniela Lago
Escolha Sua Vida
Redação
Redação
BBC
Redação
Escolha Sua Vida
Comportamento
Redação
Redação
Redação
BBC
Comportamento
Glamurama
Comportamento
Comportamento
Plano de Carreira - Daniela Lago
Webmasters
Folha de S. Paulo
Glamurama
Redação
Escolha Sua Vida
BBC
Folha de S.Paulo
Folha de S.Paulo
Topo