Relacionamento

Casais de mulheres revelam as particularidades de suas relações

Arquivo pessoal
Os casais (da esq. para a dir.) Keicy e Samantha e Keila e Renata revelam particularidades da relação Imagem: Arquivo pessoal

Camila Dourado

Do UOL, em São Paulo

Depois de Daniela Mercury apresentar publicamente sua mulher, Malu Verçosa, a questão da união estável entre homossexuais no Brasil virou tema de discussão e ganhou mais força. A atitude veio no momento em as declarações da cantora Joelma e do pastor Marco Feliciano sobre gays revoltavam grande parte da população e impulsionavam manifestações contra a homofobia.

Depois de anos de muita luta, no dia 14 de maio de 2013, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) finalmente aprovou uma resolução que obriga os cartórios de todo o país a realizar o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Para comemorar e continuar com a conscientização, a 17ª parada do orgulho LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e trangêneros) acontece neste domingo, 2 de junho, na Avenida Paulista, com o tema "para o armário, nunca mais!". 

Como qualquer casal heterossexual, um casal gay tem vantagens e desvantagens de acordo com as características da personalidade e do dia a dia de cada um. "Não há diferenças nem para melhor e nem para pior. A vida a dois é determinada por fatores relacionados ao cotidiano e àqueles que são decorrentes do amor, e tudo isso está presente em todos os tipos de relação", afirma o psicoterapeuta Flávio Gikovate, que lançou recentemente o livro "Sexualidade sem Fronteiras" (MG Editores). 

Amor intenso

Amar alguém do mesmo sexo, no entanto, tem peculiaridades como um guarda-roupa dobrado e, no caso delas, duas TPMs. Quando se trata de um casal de mulheres, é comum que a dinâmica da relação seja mais intensa, emocional, carinhosa e tenha mais diálogo. 

Para a roteirista Mariana Lima, 32, e a revisora e tradutora Larissa Rocha, 32, que vivem juntas há três anos, a intensidade é um aspecto muito particular do universo feminino. "Somente uma mulher é capaz de explorar e potencializar toda a complexidade de outra mulher", diz Mariana. "As mulheres também são muito carinhosas e sedutoras", diz Larissa.

  • Arquivo pessoal

    Renata (à esq.) e Keila (à dir.) acreditam que o relacionamento entre mulheres é mais intenso

A supervisora de mídias sociais Renata Andreolli, 32, e a supervisora de atendimento Keila Roberta Oliveira, 37, juntas há seis anos, também concordam que a intensidade dos sentimentos é uma peculiaridade evidente. "Sentimos tudo em dobro: o amor, o ódio. São muitos sentimentos misturados. Durante um único dia, qualquer situação, por menor que seja, é urgente. Não existe o amanhã, precisamos do hoje para continuar sonhando e querendo viver a relação", diz Renata.

Para o psicólogo e psicoterapeuta Klecius Borges, especializado no atendimento a homoafetivos e suas famílias e autor do livro "Muito Além do Arco-Íris" (Edições GLS), características biológicas e culturais relacionadas ao gênero feminino podem se destacar forma duplicada em um relacionamento entre duas mulheres. "Isso pode facilitar ou dificultar o relacionamento, dependendo das pessoas envolvidas", afirma.

Quando positiva, a intensidade feminina abre espaço para uma forte cumplicidade entre as mulheres. "Conversamos muito. Temos assunto que não acaba mais --sobretudo DRs--, e estamos sempre nos ajudando. Somos muito companheiras", diz a chef de cozinha Graziela Araújo, 31, que vive há quatro anos com a cantora Luciana Moraes, 29. "Além disso, dá para dividir tudo, coisas comuns da vida de mulher, como o absorvente, o desodorante, as roupas e a maquiagem", diz.


Para a ilustradora Samantha Reis, 31, noiva da estudante de gastronomia e assistente de cozinha Keicy Faria, 25, além do companheirismo e da troca de experiências, a ajuda mútua com as responsabilidades de casa e da família é um ponto importante. Em um casal de mulheres, a tendência é que não exista a antiga e ultrapassada figura do chefe de família, ainda presente entre alguns casais heterossexuais.

 

É um modelo que contribui para a quebra de paradigmas, abrindo espaço para que novos formatos de relacionamento se firmem na sociedade.

 

Para Keicy, esse modelo não deve depender do tipo de casal. "Isso tem a ver com pessoas que se amam de verdade, que abraçam todas as dificuldades da convivência e que topam tudo para fazer o casamento dar certo", diz.  

 

Fidelidade e liberdade sexual

Gikovate acredita que a particularidade mais marcante entre os casais de mulheres esteja relacionada à fidelidade. "As mulheres têm o sexo mais fortemente vinculado ao amor do que os homens e são menos visuais. Sendo assim, tendem para a fidelidade nos relacionamentos afetivos estáveis", diz.

Para ele, as mulheres lidam melhor com a sexualidade do que o homem. "Elas são mais livres para experimentar as trocas de carícias eróticas com outras mulheres sem que se sintam estigmatizadas, sem que ponham em dúvida sua feminilidade", afirma. Para a chef de cozinha Graziela, o fato de conhecer bem seu próprio corpo e como alcançar o prazer faz com que a mulher consequentemente saiba do que a outra gosta, o que favorece muito na relação sexual. "Na teoria, sabemos o que e como fazer", diz ela.

Filhos

Renata tem dois filhos, Henrico,10, e Eduardo, 7, e Keila chegou para completar a família. "São eles que nos mostram, todos os dias, a importância da família", diz Renata. Segundo ela, embora a escola que seus filhos frequentem aborde diferentes formas de formação familiar, há uma realidade com que precisam lidar: as outras crianças carregam para a sala de aula o preconceito que aprendem dentro de casa.

"Vivemos em uma sociedade impiedosa. Nossos filhos têm acompanhamento para entender melhor o que causa o preconceito e como lidar com ele. Para eles, não há diferença entre relações homoafetivas e heterossexuais. Eles entendem como uma forma de amor, porque é exatamente assim que aprenderam desde o nascimento".

Enfrentando o preconceito

Aguentar olhares e comentários preconceituosos ao dar alguma manifestação pública de carinho é frequente entre os casais gays. "Percebo isso muitas vezes e incomoda, mas não impomos restrições a nós mesmas porque alguém está olhando", diz Graziela. 

Segundo o psicoterapeuta Klecius Borges, enfrentar o preconceito e sair do armário pode ter um significado ainda mais forte para as mulheres. "Para algumas pode ser apenas o exercício livre de seu desejo e afetividade dirigida a outra mulher. Mas, para outras, pode significar a libertação de um padrão patriarcal de dominação e de submissão ao masculino. É a possibilidade de escolher um amor que atenda a seus verdadeiros desejos e necessidades", afirma ele.

Por isso, atitudes como a de Daniela Mercury são vistas com admiração por muitas mulheres. "Embora ela não precise provar mais nada para ninguém, o mundo precisa de gente admirada como ela saindo do armário espontaneamente para mostrar que qualquer um pode gostar de pessoas de qualquer sexo, que é algo natural", diz Mariana.

$!$render-component.split('/')[$math.sub($render-component.split('/').size(), 1)]

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.title}}

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
UOL Estilo
Comportamento
Redação
Redação
UOL Estilo
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Comportamento
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
BBC
Comportamento
BBC
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
UOL Estilo
BBC
Vya Estelar
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Topo