Comportamento

Obrigar par a conviver com sogros pode acabar em separação

Getty Images
Pais acabam interferindo nas brigas de casal, tomando partido dos filhos, é claro Imagem: Getty Images

Juliana Zambelo

Do UOL, em São Paulo

24/10/2013 07h08

A relação com a família é uma das maiores fontes de conflito de um casal --em especial a relação com a família do outro. Os limites e o tratamento dado a sogras, sogros, cunhados, avós, sobrinhos e demais familiares pode gerar brigas e mágoas que, se não forem enfrentados com diálogo e sensibilidade, podem levar a uma separação.

Muitas vezes, é o próprio cônjuge que falha em não criar um distanciamento saudável entre sua nova família e a família de origem (seus pais, irmãos, avós etc), impondo ao companheiro ou companheira uma convivência intensa e exigindo sua presença em todos os encontros regulares, sem lhe dar a possibilidade de dizer "não" de vez em quando.

"A obrigatoriedade de fazer o parceiro ou parceira participar da família de origem na mesma intensidade não é saudável”, diz Margarete Volpi, psicoterapeuta familiar e de casal. “Quem tem necessidade de estar com aquela família é quem faz parte dela. Exigir que o outro vá junto toda vez que for tomar café da tarde ou almoçar todo domingo, acaba afetando o relacionamento".

O casal forma um novo núcleo familiar. E, para uma vida harmoniosa, precisa de privacidade e de um mundo próprio, segundo Margarete. "A família de origem é outro sistema. O casal pode se alimentar dos afetos, das relações, mas, se ficar muito intenso, ele perde o seu sistema e passa a fazer parte da família maior, ao invés de constituir um núcleo à parte. Isso não é saudável para a relação a dois".

Culpa e dependência

Cristiana Pereira, terapeuta de casal do Instituto de Terapia Familiar de São Paulo, afirma que a vida de casal exige a criação de muitas regras de convivência e negociações diárias, como o que vão almoçar ou onde vão passear. O contato com a família é um pontos mais delicados desse cenário e a negociação pode ser dificultada por diversos fatores. A dependência emocional é uma delas.

"Quando o casal se forma, o ideal é que as duas pessoas já sejam autônomas, tenham se diferenciado da família e consigam dizer ‘não’ para a mãe e o pai. Mas nem sempre isso acontece", fala Cristiana.

Culpa é outro aspecto importante desse problema. Para Karen Vogel, psicóloga especializada em terapia de casal e família, existe, em nossa cultura, uma forte pressão social para que a família seja sempre colocada em primeiro lugar. Com isso, muitas pessoas sentem culpa quando se afastam ou tentam se ausentar eventualmente. 

Nos consultórios, trata-se de um conflito comum. Há o cônjuge que impõe eventos semanais, leva irmãos a todos os passeios ou não coloca limites nas visitas de seus pais em sua casa. "Atendi um casal no qual a mulher dependia do pai e da mãe para tudo. Quando viajava, tinha de ser com eles. Um dia, o homem não aguentou e a mulher escolheu a família", conta Margarete.

Para Karen Vogel, um caso extremo que atendeu em seu consultório foi o da mãe que visitava a casa da filha casada enquanto ela e o marido trabalhavam e mudava os móveis de lugar. A filha não via problema nisso, apesar das reclamações do marido, e permitia que o comportamento se repetisse.

Além de começar a provocar brigas entre o casal, situações como essas podem trazer outros prejuízos para a vida a dois, como a perda da privacidade. "Os problemas que o casal vive na relação acabam sendo compartilhados com a família. E os pais tomam partido, se intrometem e o casal não amadurece", afirma Margarete Volpi.

Colocando limites

O primeiro passo para resolver esse conflito é que a pessoa que se sente incomodada com as imposições familiares deixe claro para o companheiro como se sente. "Primeiro, tem que ter uma conversa franca, colocar os motivos e estabelecer um limite, como combinar de almoçar uma vez por mês, mas colocar que não quer ser obrigado a ir sempre", diz Margarete. 

"É normal querer estar com o parceiro, mas nem sempre ele quer estar com você em determinadas situações. A individualidade é importante", fala a psicóloga. O outro, então, precisa ter sensibilidade ao ouvir seu parceiro e aceitar que novos acordos precisam ser feitos para satisfazê-lo.

"Chega uma hora na vida que minha maior lealdade não é mais com meu pai e minha mãe, é com meu marido ou mulher”, diz Cristiana Pereira. “É muito importante em um novo casal que a pessoa sinta que está em primeiro lugar".

Karen conta que desenvolve em terapia um treino para a pessoa que é muito ligada à família consiga ir, aos poucos, colocando em prática novas regras de convivência, demonstrando que tem outras prioridades e pode ter planos diferentes para aquele almoço do domingo, por exemplo. O importante é que cada membro do casal seja o responsável por sua própria família. "É melhor que a pessoa da família estabeleça limites e que a briga seja com ela, que é filho ou irmão, do que seja o companheiro".

Para ela, os conflitos mais graves acontecem quando o membro do casal não aceita as reclamações do cônjuge e não concorda em estabelecer limites para equilibrar sua relação, ficando do lado de sua família. "É muito difícil resolver o problema se a pessoa não consegue se colocar no lugar do companheiro".

Cristiana Pereira diz, no entanto, que não se deve buscar o oposto, um afastamento total da família, colocando seu companheiro em uma situação de escolha: "ou eles ou eu". "Estar em família é gostoso, faz parte da vida, e é importante para a outra pessoa, que tem amor e que faz parte da história dela".

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Redação
BBC
Redação
Redação
Redação
BBC
BBC
Redação
Blog da Morango
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
do UOL
Redação
Redação
Comportamento
Redação
Redação
BBC
Redação
Redação
Redação
Redação
Blog da Morango
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
Casamento
Redação
Redação
do UOL
Redação
Redação
Redação
Redação
BBC
Redação
Redação
Redação
Redação
Redação
do UOL
UOL Estilo
Comportamento
Topo