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Não acoberte colegas ladrões de marmita, fominhas e preconceituosos

Quando colegar agem mal, o correto é, no mínimo, ter uma conversa com ele sobre o assunto - Getty Images
Quando colegar agem mal, o correto é, no mínimo, ter uma conversa com ele sobre o assunto Imagem: Getty Images

Catarina Arimatéia

Do UOL, em São Paulo

22/01/2014 09h01


Saias justas no trabalho, envolvendo relacionamento, acontecem a todo momento. Há desde colegas que procuram prejudicar os outros até aqueles que adoram arrumar confusão por qualquer motivo insignificante, sem falar dos pequenos furtos, de material de trabalho e até marmita. O difícil é saber como agir ao presenciar um desses fatos, sem levar a fama de "dedo duro" ou "puxa-saco do chefe".

Para os especialistas de RH, nem sempre é indicado denunciar o colega para a chefia. Pelo menos não imediatamente. Em caso de furto, por exemplo, a consultora da MOT – Mudanças Organizacionais e Treinamento, Valéria José Maria, aconselha, primeiro, conversar com o colega, se ele for do mesmo nível hierárquico, e alertá-lo sobre os perigos e os problemas que tal atitude acarreta.

Se não for, o correto é levar o caso para a chefia ou alguém com um cargo superior. "Mas, em primeiro lugar, é preciso ter certeza absoluta de que esses furtos estão acontecendo". Trata-se de um furto de papel sulfite ou desvio de dinheiro? Cada situação tem uma gravidade.

Alexandre Prates, fundador do ICA (Instituto de Coaching Aplicado) e autor do livro "A Reinvenção do Profissional – Tendências Comportamentais do Profissional do Futuro" (Novo Século), é mais drástico em relação a furtos: tem de denunciar. "Uma pessoa assim nem merece ser seu colega de trabalho. Denunciar, nesse caso, é um dever não só profissional, mas cívico. Eu denunciaria para o chefe", afirma. 

Há outras situações, segundo Prates, que também não podem ser toleradas. Fofocas, por exemplo, "que destroem qualquer ambiente de trabalho", ou a competição extrema, momento em que o colega para de se importar com os resultados da empresa e pensa apenas em seus próprios resultados, também conhecido como "fominha". "É aquele momento em que a pessoa se impõe e começa a passar por cima de tudo e de todos", descreve Prates.

E, claro, existe também o baixo desempenho, o procrastinador, que pode prejudicar não só a empresa, mas os colegas, que acabam sobrecarregados por tarefas que ele, apesar de ser o responsável por elas, não executa. Nesse caso, também vale a pena dialogar, mas se a conversa não tiver efeito, o chefe precisa estar ciente de que alguém está prejudicando o andamento do trabalho. 

Sem preconceito

Outra situação que também pode ser constrangedora para os colegas é quando alguém emite opiniões ou faz piadinhas claramente preconceituosas, seja em relação à raça, orientação sexual ou condição social. Nesses casos, a pessoa merece ser repreendida por seu comportamento, segundo a consultora Valéria José Maria. "Não se pode ignorar situações assim nem deixá-las passar. Não é possível ser conivente com isso", fala. Se bater um papo não for suficiente, o chefe precisa saber.

Colegas que tentam "puxar o tapete" de outros também costumam provocar situações difíceis de administrar. Novamente, uma conversa direta é a melhor maneira de lidar com casos assim. "Já que uma história tem vários lados, você deve avaliar quando e como envolver seu líder em uma questão dessa natureza. Sem dúvida, o diálogo é o caminho para a solução dos conflitos", diz Caroline Pfeiffer Marinho, diretora de gestão da mudança, vendas e marketing da Lee Hecht Harrison – DBM.

Contaminação profissional

Os colegas que agem mal também podem provocar outro tipo de problema: contaminar o ambiente. "Se alguém fala em tom de voz muito alto, comenta demais sobre a própria vida pessoal e tira a atenção dos demais colaboradores do trabalho a ser feito, isso pode ser prejudicial. O furto também é um tipo de ‘contaminação’, pois gera insegurança nos colegas, tanto de serem lesados quanto de serem acusados injustamente", afirma Valéria.

E como evitar casos dessa natureza? Para a consultora, tanto um treinamento profissional quanto um pessoal podem ser a solução para os problemas mais sutis. "A conscientização é o melhor caminho. É preciso realizar treinamentos periódicos para que haja harmonia no ambiente de trabalho e eficiência para atingir os melhores resultados. Mas em caso de furto, por exemplo, é preciso ser mais incisivo", diz ela, ressaltando que assédios também não podem ser tolerados.

Fora da equipe

Para Claudia Monari, diretora da Divisão Outplacement & Career Planning, da Career Center, em primeiro lugar, é importante tentar resolver os problemas no ambiente onde surgiram. E somente deverão ser levados aos níveis superiores quando não houver possibilidade de diálogo ou quando o caso for muito grave.

"As pessoas que agem mal ou fora do padrão exigido pelo ambiente corporativo acabam sendo expurgadas do local. Elas se denunciam sozinhas", fala Monari. E caso uma boa conversa não resolva o problema, não há outro jeito: quem está em desacordo com o ambiente deve ser retirado da equipe.