Sexo

A ereção muda com a idade? Especialistas respondem

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Médico diz que ereção de qualidade é possível mesmo após os 80 anos (e sem remédios) Imagem: Getty Images

Rita Trevisan e Thaís Macena

Do UOL, em São Paulo

16/10/2014 07h06

Há algum tempo, perder a capacidade de ereção e, com isso, diminuir o ritmo e o nível de satisfação com a vida sexual era tido como inevitável para a maioria dos homens à medida em que iam envelhecendo. Com o desenvolvimento dos medicamentos que favorecem a ereção essa realidade mudou.

No entanto, nem todos os homens vão precisar recorrer a esse tipo de remédio, mesmo com o avanço da idade. "Indivíduos com boa saúde poderão manter uma vida sexual ativa e de qualidade, mesmo após os oitenta anos", afirma o médico João Afif Abdo, mestre em urologia pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Cultivar bons hábitos durante toda a vida é, portanto, fundamental. "A ereção ocorre a partir de um estímulo, que provoca uma resposta neurovascular. Os corpos cavernosos do pênis se dilatam, permitindo o fluxo de grande quantidade de sangue no local. É isso o que garante a rigidez peniana", explica o urologista Eduardo Gröhs, da Sociedade Brasileira de Urologia.

Não por acaso, as doenças que afetam a circulação são as que geralmente provocam a dificuldade de se ter e manter a ereção durante o tempo necessário para que o casal obtenha a satisfação sexual. “O problema é muito comum entre os idosos diabéticos e hipertensos, por exemplo”, explica o médico Rodrigo W. Andrade, urologista pela Santa Casa de São Paulo.

Quando persiste, o mal também pode estar relacionado a alterações no colesterol, problemas neurológicos, alterações hormonais, entre outras doenças crônicas. E, na presença dessas complicações, conseguir uma única ereção torna-se mais difícil.

"Também será necessário um esforço maior para conseguir ereções consecutivas. Se um indivíduo jovem precisa de 20 minutos de recuperação, em média, entre uma ereção e outra, no caso de um homem mais velho essa pausa poderá ser de um dia ou até mesmo de uma semana", diz Abdo.

A rigidez do pênis do homem maduro também pode ser diferente da observada no início da juventude. Porém, isso não é uma regra. "Em uma pessoa que está envelhecendo de forma absolutamente saudável, as chances de conseguir ter e manter uma boa ereção são praticamente iguais em qualquer idade”, afirma Gröhs.

Assim, os cuidados que ajudam a prevenir as doenças crônicas citadas também colaboram para a manutenção de uma vida sexual satisfatória. Ter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas regularmente, evitar o sobrepeso, cessar o tabagismo e não exagerar no consumo de bebidas alcoólicas estão entre as medidas mais importantes.

Bem-estar emocional e envolvimento do casal também contam

Além das causas chamadas de fisiológicas, e que têm a ver com a saúde física, os desequilíbrios emocionais respondem por boa parte dos problemas de ereção. "Em geral, indivíduos mais jovens apresentam problemas de disfunção erétil relacionados a questões psíquicas. E, nessa fase da vida, a insegurança e a falta de experiência são, sem dúvida, as maiores vilãs”, explica Andrade.

Segundo o médico Amaury Mendes Júnior, professor do serviço de sexologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), a preocupação em agradar a parceira pode provocar efeito contrário, impedindo o homem de obter uma boa performance. “Hoje em dia, a mulher também faz questão de sentir prazer no sexo e isso, de certa forma, aumenta a responsabilidade que o homem impõe sobre si mesmo”, diz o sexólogo.

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Problemas como estresse, depressão e ansiedade também podem influenciar a qualidade e a quantidade das ereções durante a prática sexual, tanto quanto o entrosamento entre o casal. Afinal, mesmo quando se utilizam medicamentos que facilitam a ereção, é preciso que haja um estímulo forte para que a rigidez peniana ocorra e se mantenha. Por isso, ainda que a disfunção erétil seja um problema do homem, é preciso que haja apoio do par para vencê-la. “Ter um par interessante e interessado em sexo ajuda muito", afirma o sexólogo.

Diagnóstico e tratamento

Detectar uma disfunção orgânica relacionada à perda de ereção muitas vezes requer a realização de exames específicos, que variam de um paciente para outro. Em geral, logo na primeira consulta com o urologista, haverá uma tentativa de afastar ou comprovar a existência de doenças associadas. Com o diagnóstico fechado, depois de uma investigação médica minuciosa, diversos tratamentos poderão ser utilizados para melhorar a qualidade da vida sexual do casal, a começar pelos medicamentos via oral.

Dentro dessa classe de remédios, há algumas diferenças, tanto no efeito quanto no modo de administração. No entanto, se o medicamento for prescrito por um especialista e se houver um acompanhamento médico, os riscos para a saúde serão mínimos, mesmo que o remédio seja de uso contínuo. A utilização indiscriminada, por outro lado, é extremamente perigosa.

“Esse tipo de remédio pode apresentar efeitos colaterais, como dores de cabeça e quedas súbitas de pressão. Além disso, se ministrado de forma errada, poderá até gerar uma fibrose no pênis, caso o órgão fique ereto por muito tempo. Então, o ideal é sempre procurar um urologista e não utilizar esses medicamentos sem receita”, diz o médico Rodrigo Andrade. Outro risco é a dependência psicológica. “Esse talvez seja o efeito colateral mais importante do uso inadequado dos remédios que facilitam a ereção”, afirma o urologista João Afif Abdo. 

Injeções de fármacos diretamente no pênis, próteses penianas e até bombas de vácuo são outras opções de tratamento que podem ser receitados por especialistas, dependendo do quadro e do perfil do paciente. A psicoterapia também é bem-vinda, até como um complemento ao tratamento físico. “O mais importante é que o homem que está tendo problemas de ereção não tenha vergonha de conversar com um médico e de buscar tratamento adequado”, afirma Abdo.

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