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Fantasiar no sexo é saudável? Especialistas falam sobre os limites

Se as fantasias sexuais não impedem que você curta o sexo, não se preocupe - Igor Pizzuto/UOL
Se as fantasias sexuais não impedem que você curta o sexo, não se preocupe Imagem: Igor Pizzuto/UOL

Heloísa Noronha

Do UOL, em São Paulo

13/11/2014 08h01

De fingir na hora H que quem está ali com você é o Rodrigo Hilbert ou a Fernanda Lima (talvez os dois juntos, por que não?) a fazer de conta que o quarto se transformou em um bordel dos anos 1920, não há limites que possam impedir os devaneios eróticos. A imaginação é um componente importante para a sexualidade. Fantasiar faz bem. Desde que, obviamente, não comece a prejudicar a vida real nem se torne algo obsessivo.

Para a psicóloga e sexóloga Jussania Oliveira, de Americana (SP), a fantasia é um dos grandes estímulos sexuais, pois favorece e intensifica o desejo. "Ela impulsiona a criatividade, a iniciativa, a comunicação e o prazer no relacionamento", afirma. Fechar os olhos durante a transa e se imaginar com outro parceiro ou em uma situação diferente é muito comum, segundo ela. "O fato de ter compromisso com alguém não impede ninguém de se sentir atraído por outras pessoas, tampouco pensar no sexo de uma outra forma", completa.

Segundo o ginecologista e terapeuta sexual Amaury Mendes Jr., professor e médico do Serviço de Sexologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), fantasiar permite ampliar horizontes eróticos e potencializar o momento lúdico. "Muitas vezes, as pessoas são tímidas ou não têm coragem suficiente para vivenciar uma sexualidade transgressora e estimulante, seja por autocensura ou falta de intimidade com o par", afirma.

Assim, fantasiar pode ajudar a lidar melhor com desejos que não se tem coragem de concretizar. Exemplos: trair o par com alguém do trabalho, experimentar transar com alguém do mesmo sexo, viver determinado personagem na cama etc. "Nem tudo aquilo que se fantasia ou deseja é factível, por isso investir na imaginação faz bem", comenta o psiquiatra e terapeuta sexual Carlos Eduardo Carrion, de Porto Alegre (RS).

Realizar ou não é uma questão de escolha, segundo Jussania Oliveira. "Em alguns casos, fantasiar é suficiente para atingir os objetivos propostos, como atiçar a libido e aumentar o nível de excitação”, diz a psicóloga.

Entretanto, trata-se de um recurso que pode se tornar um complicador quando passa a ser prioridade. Ou seja: em vez de se concentrar na interação com o outro e nas sensações que o sexo com aquele indivíduo propicia, é necessário com frequência dar asas à imaginação para sentir estímulos e conseguir excitação. "Se isso começar a acontecer, é necessário refletir sobre o próprio relacionamento e avaliar o que está ocorrendo", conta Jussania$escape.getHash()uolbr_quizEmbed('http://mulher.uol.com.br/comportamento/quiz/2013/08/14/qual-e-a-sua-fantasia-mais-intima.htm')A especialista diz que nem todo mundo consegue lidar bem com os desejos através da fantasia. "Dependendo do teor, há quem sinta angústia e sofrimento. Nesses casos, é necessário buscar ajuda psicológica". Uma boa maneira de identificar se as fantasias podem se tornar prejudiciais é verificar o tempo gasto com elas e se existem implicações, danos e/ou comprometimentos de outras áreas da vida.

Portanto, reflita: elas vêm atrapalhando suas relações sociais, a esfera familiar ou o campo profissional? "Se a criatura ficar maior que o criador, ou seja, se a fantasia se tornar mais importante que o próprio objeto sexual, é um sinal de alerta, pois há o risco de se transformar em uma situação compulsiva de que sem a fantasia o sexo não acontece", declara Amaury Mendes Jr. Fantasiar pode dar um tempero extra ao sexo, mas nunca ser o prato principal.

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