Sexo

Mulher pode fingir orgasmo de vez em quando sem abalar a relação

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Os gemidos podem ser uma forma de se soltar mais e de deixar o prazer fluir Imagem: Getty Images

Marina Oliveira e Rita Trevisan

Do UOL, em São Paulo

28/01/2015 17h10

Imagine a cena: um casal está transando e, por maiores que sejam os esforços do par, a mulher já sabe que não chegará ao orgasmo. Não naquele dia ou, pelo menos, não naquele momento do dia. Porém, ela prefere fingir que chegou lá a ter uma conversa sobre o assunto. Ela encena, a transa acaba e os dois têm a sensação de dever cumprido. 

Fingir prazer é mais comum do que se imagina. Pesquisas já sugeriram que a maioria das mulheres finge orgasmo em algum momento da vida. Um exemplo é um estudo conduzido por cientistas de duas universidades do Reino Unido (University of Central Lancashire e University of Leeds), divulgado em 2010, em que 80% das entrevistadas assumiram fingir gemidos de prazer ao perceberem que não chegariam ao orgasmo durante a relação.

De fato, fingir vez ou outra pode ter um efeito benéfico no momento e não representar um problema para a relação no futuro. No entanto, é preciso que a mulher reflita sobre a origem daquele comportamento. “Será que ela está fingindo de vez em quando, por preguiça, cansaço ou não quer desagradar o parceiro? Ou será que ela quase nunca tem um orgasmo e finge para não ter de lidar com essa questão?", pergunta o psicólogo Diego Henrique Viviani, do Inpasex (Instituto Paulista de Sexualidade).

"Encenar o clímax, em alguns casos, serve até para aumentar a própria excitação sexual e faz parte do processo de conseguir um orgasmo de fato", afirma a psicóloga Quetie Mariano Monteiro, do Cresex (Centro de Referência e Especialização em Sexologia do Hospital Peróla Biyngton).

Em resumo, desde que consciente e pontual, o ato de fingir orgasmo não é totalmente condenável. Os gemidos podem ser uma forma de se soltar mais e de deixar o prazer fluir. Na pesquisa já citada, 92% das mulheres disseram que fingir o orgasmo na relação fez bem à autoestima do par.

“O importante é que a mulher avalie, também, o quanto o fingir está interferindo em sua autoestima”, diz Quetie. Ela explica que muitas mulheres, quando não conseguem atingir o orgasmo, consideram que há algo errado com elas e só optam pela encenação por medo de perder ou decepcionar a outra pessoa.

O outro lado

Para a psicóloga e sexóloga Carla Cecarello, coordenadora do ambulatório de sexualidade da ABS (Associação Brasileira de Sexualidade), fingir sempre o orgasmo implica em mentir. "Ao agir assim, a mulher faz de conta que nada está acontecendo, para não ter de conversar e mudar comportamentos", diz.

Ela defende que se um dos pares está cansado e sem vontade de transar, isso deve ser declarado. “Ninguém é de ferro. Hoje pode ser você que não queira, amanhã pode ser o contrário. Conversem para que os dois sintam-se livres e possam ser sinceros”, afirma.

A pessoa pode explicar a situação para o par e, ainda assim, topar uma rapidinha, por exemplo. "Tendo consciência disso, o outro não ficará magoado, até porque nem toda atividade sexual precisa terminar em orgasmo para ser boa”, diz Viviani.

Não chegar ao orgasmo em todas as transas é normal. Portanto, não há razão para concluir que a franqueza em relação ao assunto vai assustar o outro. “Muitas vezes, por desconhecimento do próprio corpo, algumas mulheres fingem e o ciclo de desinformação se mantém”, afirma Quetie.

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Se a falta de orgasmo inibir a vontade de fazer sexo, a mulher passar a evitar a relação íntima por conta dessa dificuldade ou, ainda, se sentir-se frustrada consigo mesma ao fim de toda relação, é preciso parar e repensar. “Nesses casos, o fingir deixa de ter um caráter protetor com o outro e passa a ser motivo de sofrimento para a própria mulher”, diz Diego Henrique Viviani.

“Existem muito mais razões para não fingir o orgasmo do que para fingir, porque o ápice do prazer é uma sensação muito boa, que todas as mulheres devem se permitir experimentar”, diz Quetie. “Por isso, se perceber que a encenação está se tornando frequente demais, é preciso buscar ajuda”, afirma.

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