Relacionamento

Casal que não briga nunca pode ter mais problemas do que parece

Marina Oliveira e Rita Trevisan

Do UOL, em São Paulo

06/02/2015 07h03

Casais que brigam pouco, muito ou o tempo todo não são difíceis de encontrar. Mas e casais que nunca brigam? Eles existem? De acordo com a psicóloga Estela Noronha, especialista em terapia comportamental pela USP (Universidade de São Paulo), conhecer uma dupla dessas é quase impossível. "Teoricamente, relacionar-se bem, sem briga e desentendimento, significa aceitar o outro em sua totalidade, sem reticências. E, francamente, isso é muito difícil", diz.

Para o psicólogo e terapeuta de casal Eduardo Yabusaki, professor da Famerp (Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto), a falta de briga é saudável quando expressa um elevado grau de maturidade dos envolvidos. "Nesse caso, os pares chegam a um bom termo para ambos, sem a necessidade de conflitos ou brigas. O que indica que eles estão em harmonia", afirma.

A falta de brigas tamb

Thinkstock

Brigões x pacíficos

Pessoas que evitam brigas são vistas como mais pacatas e reflexivas, com tendência a explodir menos. Mas a falta de vontade de encarar um confronto também pode ser sinal de insegurança, timidez e dificuldade de comunicação. "Às vezes, a pessoa é muito contida em suas emoções, mas explode de uma hora para outra, geralmente em uma situação que não justifica a reação. E isso é muito ruim", diz Yabusaki.

Por outro lado, irritar-se com facilidade também é ruim. “Os brigões, geralmente, sentem necessidade de se impor e precisam se autoafirmar como donos do pedaço”, diz a psicóloga Arlete Gravanic, coordenadora do curso de especialização em terapia sexual do Isexp (Instituto Brasileiro Interdisciplinar de Sexologia e Medicina Psicossomática). “Na maioria das vezes, essas pessoas têm uma autoestima muito frágil”, diz.

No meio-termo estão os que discordam, mas discutem para chegar a um consenso, antes de partir para a briga. “Discordar significa debater. Brigar está mais próximo de lutar, provocar confusão e disputar”, diz Estela. “As divergências se transformam em brigas quando as emoções saem do controle”, explica.

Brigas quase sempre são ruins, mas o pior cenário é aquele em que, apesar do embate, não se chega a uma solução satisfatória. O que é mais comum do que se imagina. Nessas situações, muitas vezes, o casal discute calorosamente e, ao final, já nem se lembra exatamente da razão que motivou o confronto.

Isso acontece quando um dos dois defende o seu ponto de vista com unhas e dentes, sem verdadeiramente ouvir e refletir sobre a perspectiva do outro. “É um discurso de defesa dos próprios conceitos e valores, que a pessoa acredita serem os mais corretos. Mas isso não existe! Os meus pontos de vista podem ser os melhores para mim e os do outro, mesmo sendo diferentes dos meus, podem ser bons também, especialmente para ele”, declara o terapeuta de casal.

Falar do outro durante a discussão, mais do que de si mesmo, é igualmente prejudicial. Em vez de apontar o dedo para os defeitos alheios, o melhor é explicar como você se sente por conta de determinada atitude dele.

“Colocar-se no lugar do outro é o mais importante. Não é preciso concordar ou ter os mesmos valores, mas exercitar a vontade de entender a forma como a outra pessoa pensa, sente, vê, julga e compreende o mundo à sua volta. Quando o casal é capaz de se aceitar minimamente, as discordâncias não se tornam motivos de brigas”, explica Estela.

Porém, nos casos em que brigar parece ser inevitável, a orientação dos especialistas é vivenciar o conflito porque, em alguns casos, fugir de um confronto pode fazer mais mal do que bem a uma relação.

“Mais do que ficar querendo prevenir brigas, é importante tirar delas um aprendizado e não permitir que se crie um distanciamento entre as pessoas”, diz Eduardo Yabusaki. E, se for para brigar, que seja com o objetivo claro de resolver o conflito e não de colocar mais lenha na fogueira. Caso contrário, o sofrimento será inevitável. “O caminho do equilíbrio será sempre o de conversar, escutar e aprender a colocar-se no lugar do outro. Não é preciso concordar, mas exercitar profundamente a vontade de compreender o par", diz Estela.

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