Equilíbrio

Sensualizar para se destacar na vida é positivo ou negativo? Opine

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Yannik D'Elboux

Do UOL, no Rio de Janeiro

10/03/2015 06h58

O verbo do momento é "sensualizar". Homens e mulheres sensualizam em “selfies” (autorretratos), para conquistar alguém, convencer o chefe de uma ideia ou cortar a fila para conseguir uma mesa no restaurante. Não é difícil passar dos limites e associar o comportamento à falta de honestidade ou ética. Porém, se não houver exagero nem causar prejuízo a ninguém, essa atitude pode ser positiva na vida e nos relacionamentos.

A psicóloga e psicanalista Julimar Mariano do Nascimento, que integra o grupo de estudos do EBEP (Espaço Brasileiro de Estudos Psicanalíticos), considera legítimo usar a sensualidade para obter atenção nas relações interpessoais, desde que não seja a sua única arma. “O negativo é apoiar-se somente nas características externas da sensualidade”, diz.

Para ela, o conceito mais amplo do termo engloba, por exemplo, ser delicado, gentil e confiante. “Ser seguro de si é uma característica altamente sensual e sedutora”, exemplifica.

Eugenio Mussak, especialista em desenvolvimento humano, professor da FIA-USP (Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo), relaciona essa característica à ideia do capital erótico, proposto pela socióloga inglesa Catherine Hakim. “O capital erótico é a capacidade de você se tornar atraente, encantar", explica.

Para Mussak, a sensualidade enquanto essa forma de capital, como uma habilidade de se tornar agradável, é bem-vinda, favorece a pessoa e aqueles com quem ela convive. Mas ele faz uma ressalva: “Se houver um exagero e escorregar para a sexualidade, descamba para a vulgaridade”, diz.

Beleza e recompensa

Ser sensual não significa ter boa aparência. Contudo, a beleza tem uma forte ligação com a sensualidade. E essa combinação é capaz de trazer vantagens concretas para alguns indivíduos.

Segundo o pesquisador de economia Daniel Hamermesh, docente da Universidade de Londres, na Inglaterra, e professor emérito da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, dados de diferentes países sustentam essa afirmação.

“Os resultados são bastante claros: pessoas mais bonitas ganham mais”, diz o professor, que publicou o livro “O Valor da Beleza – Por Que as Pessoas Atraentes Têm Mais Sucesso” (Editora Elsevier), com as conclusões de seus estudos acerca do tema.

Hamermesh observa que a beleza é uma qualidade subjetiva, não há como explicar ou generalizar o que torna uma pessoa atraente. Entretanto, seja lá o que for, trabalhadores considerados mais atraentes recebem melhores salários e geram mais lucro para seus empregadores.

Arquivo pessoal
A comissária de bordo Jaqueline Jatai acredita ter perdido o emprego por causa do seu uniforme, avaliado como muito justo por sua chefe Imagem: Arquivo pessoal

A sensualidade rendeu benefícios e prejuízos para a comissária de bordo Jaqueline Cardoso Barreto Jatai, 27 anos, uma bela loira, moradora de Guarulhos (SP). Ela acredita ter perdido o emprego na companhia aérea em que trabalhava, há dois anos, por causa do seu uniforme, avaliado como muito justo por sua chefe. Oficialmente, a empresa não justificou o motivo da demissão.

Sem conseguir se recolocar no mercado, Jaqueline começou a trabalhar em eventos e resolveu fazer algumas fotos, que lhe renderam um convite para a revista Sexy, da qual foi capa em outubro do ano passado. Apesar dos frutos que colheu graças à sua beleza e sensualidade, que considera natural, Jaqueline não se deixou seduzir pela carreira de modelo e quer voltar para a aviação, o que deve acontecer em breve. “Aparência tem um lado bom e ruim. Muitas pessoas te julgam e não dão oportunidade de mostrar quem você é”, diz.

Mesmo não querendo seguir como modelo, Jaqueline Jatai continua alimentando seu Instagram com fotos sensuais e sendo paga para associar sua imagem a produtos do mundo “fitness”.

Sensualidade e limites

Apesar do verbo "sensualizar" ter tido seu primeiro registro em 1836, conforme o dicionário Houaiss, o termo se popularizou nos últimos anos com as redes sociais e a moda das “selfies”, com seus biquinhos e poses manjadas. “Esse comportamento gera um padrão, mas não uma garantia de sensualidade”, observa a psicóloga Julimar do Nascimento.

As pessoas que têm o hábito de “sensualizar para tudo”, com objetivo de atender seus interesses, geralmente agem assim por insegurança e carência. “Elas precisam afirmar-se o tempo todo por desconhecerem seu real potencial interno. Acham que só lhes resta a sensualidade como arma de sedução”, afirma a psicanalista.

Para ser explorada positivamente, na opinião de Julimar, a característica não pode ser vivida como um recurso único para visibilidade, admiração e atração do outro. “É bom que se conheça seus pontos fortes, físicos, intelectuais e emocionais, para que se exerça essa sensualidade de forma natural e segura”, sugere.

Os mais belos e sensuais costumam ter consciência do poder que exercem sobre os outros e tiram vantagem disso. Segundo o professor Daniel Hamermesh, essas pessoas tendem a atuar em áreas que valorizam mais essas qualidades, o que ele acha justificável.

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