Equilíbrio

Pesquisadores dos EUA tentam diminuir meios para suicídio

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Restringir acesso às formas mais comuns, como arma de fogo, pode ser caminho Imagem: Getty Images

Celia Watson Seupel

The New York Times

16/03/2015 13h44

Todos os anos, quase 40 mil americanos tiram a pr

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"Nossa capacidade de prever qual membro de determinado grupo de risco irá realmente se matar é bem ruim. É possível dizer que 10% das pessoas do grupo de risco se matam. Mas não dá pra dizer quem serão esses indivíduos", afirmou Miller.
 
O Dr. Igor Galynker, diretor de Biopsiquiatria no hospital Mount Sinai Beth Israel, em Nova York, destacou que, em um estudo, 60% dos pacientes que faziam parte do grupo de baixo risco de suicídio se matou depois de serem liberados de uma UTI psiquiátrica.
 
"Nossa avaliação é ruim", afirmou. Por isso, Galynker e seus colegas estão desenvolvendo um novo método de avaliação para prever o risco iminente, com base em novas descobertas acerca do estado suicida agudo.
 
"O que as pessoas vivenciam antes da tentativa de suicídio é uma combinação de pânico, agitação e descontrole, o desejo de fugir da dor e dos sentimentos insustentáveis aos quais estão presas."
 
Por vezes, a depressão nem faz parte do quadro. Em um estudo, 60% dos universitários que admitiam pensar em formas de se matar não apresentavam quadro depressivo.
 
"Há muitos jovens para os quais é difícil prever o suicídio --não parece haver nada de errado com eles", afirmou o Dr. David Brent, psiquiatra de adolescentes que estuda o suicídio na Universidade de Pittsburgh.
 
A pesquisa de Brent mostrou que 40% das crianças com menos de 16 que morreram em decorrência de uma tentativa de suicídio não possuíam problemas psiquiátricos visíveis. Tudo o que tinham era uma arma carregada dentro de casa.
 
"Se as crianças têm menos de 16 anos, a presença de uma arma dentro de casa é mais importante que um problema psiquiátrico. Em um minuto está tudo bem e, no seguinte, eles querem se matar. Ou então estão com muita raiva e sabem que há uma arma ali por perto", afirmou Brent.
 
A presença de armas é um fator consistente na forma como as pessoas decidem tentar o suicídio, de acordo com Cathy, independentemente da idade. As pessoas que querem morrer não costumam procurar o método mais eficiente, mas o mais acessível naquele momento.
 
"Alguns métodos só funcionam em 1% ou 2% das vezes. Com armas, esse total gira em torno de 85% a 90%. Por isso, o acesso a armas é um fator importantíssimo no caso de tentativas de suicídio não planejadas", afirmou ela.
 
Do ponto de vista estatístico, ter uma arma em casa aumenta a probabilidade de suicídio em todas as faixas etárias. Se a arma está descarregada e trancada em algum lugar, o risco diminui. Se não há arma de fogo na casa, o risco de suicídio cai ainda mais.
 
Descobertas desse tipo não são nada populares. Os contribuintes não gostam de gastar dinheiro público em infraestruturas que eles acreditam ser apenas paliativas para pessoas que desejam cometer suicídio, e o momento político não é nada favorável ao controle de armas. Porém, o acúmulo de evidências em relação à imprevisibilidade do suicídio, aliado aos estudos que mostram que a restrição dos meios pode funcionar, não dá muitas escolhas às autoridades de saúde pública que buscam diminuir a incidência de suicídios.
 
Ken Baldwin, que saltou da Golden Gate Bridge e sobreviveu, afirmou aos repórteres que percebeu logo que saltou que tinha cometido um erro terrível. Ele queria viver. Baldwin teve sorte.
 
Cathy conta outra história: no primeiro dia de um amigo no pronto socorro, um paciente chegou de cadeira de rodas; um jovem que havia atirado na cabeça em uma tentativa de suicídio. "Ele implorava para que os médicos o salvassem", afirmou, mas eles não conseguiram.

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