Comportamento

Homens contam por que preferem prostitutas a sexo casual

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Para alguns homens, estar com uma prostituta dá sensação de alívio por não ser avaliado Imagem: Getty Images

Heloísa Noronha

Colaboração para o UOL, em São Paulo

12/02/2016 07h25

Em tempos nos quais o sexo casual é cada vez mais comum, por que há homens que preferem pagar por sexo? Para o consultor financeiro Ricardo*, 29, de Santo André (SP), a objetividade desse tipo de relacionamento é ótima para quem, como ele, não quer se envolver seriamente com ninguém.

“Namorar dá trabalho. Exige energia, fins de semana previamente comprometidos e uma série de rituais como ligar, mandar mensagens ou se lembrar de datas especiais... Fora o fato de ter de lidar com os pais da menina, crises de ciúme e outras chatices. A relação com uma garota de programa é bem mais simples. Saio com uma fixa a cada 15 ou 20 dias e para mim está ótimo”, fala.

Para Letícia Cardoso Barreto, mestre em psicologia pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e doutora em ciências humanas pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), por mais que o sexo casual tenha se tornado corriqueiro, o profissionalismo das prostitutas se mantém atrativo.

“Elas têm técnicas e conhecimentos que as separam das mulheres em geral. Muitas vezes, são buscadas pela capacidade de desempenhar uma prática ou fazê-la de forma mais prazerosa ou diferente”, diz Letícia.

A educação repressora em relação ao sexo também está por trás da preferência de alguns homens, como atesta o redator publicitário Mário*, 31. “Curto alguns estímulos que não tenho coragem de pedir para qualquer garota, pois temo ser julgado. Uma garota de programa faz o que quero sem drama”, fala.

A motivação apontada por Mário é mais comum do que se imagina. Segundo Thaddeus Gregory Blanchette, docente de antropologia na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e pesquisador do Observatório da Prostituição, projeto de extensão do Laboratório de Etnografia Metropolitana do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da instituição, muitos homens não se sentem à vontade para compartilharem fantasias sexuais com namoradas ou mulheres ou não conseguem encontrar quem tope realizá-las.

“Eles não querem arriscar serem rejeitados, o que dificilmente acontecerá combinando previamente com uma prostituta”, declara Blanchette.

Sem vínculo, pudores ou julgamentos

Para a psicoterapeuta Suzana Modesto Duclos, professora fundadora do curso de psicologia da UFSC e diretora e supervisora de psicodrama pela Febrap (Federação Brasileira de Psicodrama), a facilidade de acesso ao sexo sem qualquer tipo de vínculo afetivo oferecido pelas prostitutas é um chamariz importante.

“Há uma pseudoproteção nessa prática. O homem contrata serviços para um objetivo específico, com começo, meio e fim. Por outro lado, a garota de programa entra em cena para cumprir determinada tarefa com um roteiro de desempenho”, afirma Suzana. Portanto, ficam ambos livres de terem de estabelecer vínculos afetivos.

A crescente liberação sexual feminina também influencia nesse cenário. Com as mulheres falando o que querem ou não na cama, os homens passaram a se preocupar não só com o próprio prazer, mas também com o da parceira. Nesse cenário, alguns temem ser julgados e comparados a outros parceiros sexuais.

“Estar com uma prostituta proporciona a sensação de alívio de não ser avaliado antes, durante e depois na relação sexual. Trata-se de uma mulher que o exime de qualquer responsabilidade de satisfação, deixando-o livre para fazer o que deseja. Não há cobrança de desempenho”, declara Carla Ribeiro, psicóloga clínica e hospitalar especialista em saúde masculina, do Rio de Janeiro.

Poder e dinheiro

Segundo um estudo realizado pela Universidade de Vigo, na Espanha, em 2011, o que motiva o homem a sair com prostitutas é o desejo de fortalecer seu papel dominante. Ele acaba identificando o hábito como uma necessidade social.

“Sair com prostitutas reafirma uma determinada masculinidade e se constitui na troca explícita de uma relação sexual por um bem material”, declara a cientista social Leina Peres Rodrigues, formada em ciências sociais pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), onde apresentou a monografia de conclusão de curso “Coisa de Homem, um Estudo sobre Construção de Masculinidades com Homens Clientes de Prostitutas), e mestre em ciência sociais pela PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Rio Grande do Sul.

E esse “bem material” não está somente ao alcance dos endinheirados da elite. Segundo alguns homens mais jovens, pagar cerca de R$ 300, em média, por um programa, pode sair bem mais em conta do que apostar no sexo casual.

“Ir para a balada para conhecer mulheres, oferecer e pagar drinques e depois propor um motel sai muito mais caro do que isso”, conta o vendedor Rômulo*, 30, de Niterói (RJ).

“E sem contar que nem sempre dá certo. Com a prostituta, o dinheiro é sempre bem gasto e a satisfação garantida”, fala Murilo*, 29, concordando com o amigo.

* Nomes trocados a pedido dos entrevistados.

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