Comportamento

Sexo anal: o que é importante saber para não desistir na primeira tentativa

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Assim como as primeiras vezes do sexo vaginal, o anal requer adaptação Imagem: Getty Images

Thais Carvalho Diniz

Do UOL, em São Paulo

09/05/2016 08h05

O sexo anal ainda é permeado de tabus que fazem as mulheres declinarem da ideia antes mesmo de tentarem. Medo da dor e a repulsa pelo ânus ser o canal de eliminação das fezes são as principais barreiras. Mas desistir, mesmo que a primeira tentativa tenha sido frustrante, pode ser um erro se o desejo for renovar a vida sexual.

Segundo os especialistas ouvidos pelo UOL, a primeira coisa a fazer é encarar a modalidade como as primeiras experiências do sexo vaginal. "A primeira vez do sexo vaginal também é dolorida. Toda ‘estreia’ sexual acaba envolvendo mais emoção do que propriamente tesão ", afirma o médico e sexólogo Amaury Mendes Júnior, professor do Ambulatório de Sexologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Para Eliane Maio, sexóloga e professora-doutora em psicologia da UEM (Universidade Estadual de Maringá), no Paraná, a estigmatização do sexo anal é culpa da deseducação sexual. "Pouco se fala sobre os prazeres que o sexo anal proporciona e por isso a dor ganha mais destaque." Diante da vontade de ultrapassar esse tabu, só é preciso respeitar os desejos e os limites do corpo.

"Caso a mulher queira tentar, há de ter diálogo com o parceiro, que, em caso de negativa, deve ser compreensivo." A fantasia de apenas um nunca é um bom caminho para o sexo nem para o relacionamento. "A entrega deve ser um anseio da própria pessoa. Quando ela se sente à vontade para ter uma relação sexual, tem prazer e consegue proporcioná-lo ao parceiro."

Eliane Maio afirma que não há como saber quantas tentativas serão necessárias para que a dor deixe de ser um empecilho para o sexo anal, afinal, cada indivíduo tem desejos e sensibilidades diferentes. “O fato de ser doloroso também se deve à falta de lubrificação da área, que não é elástica como a vagina. Mas também existem pessoas que têm bloqueio emocional e aí só desencanando para resolver (a terapia sexual também pode ajudar)."

Treino a sós

Por isso, um ponto fundamental é se conhecer sexualmente, saber como funciona a própria excitação na região anal, o que, segundo Mendes Júnior, pode começar com uma estimulação a sós.

"É preciso estar bastante excitada e fazer uso de produtos à base de água, afinal, o ânus não é como a vagina, que tem lubrificação natural. Dessa forma, a própria mulher pode tocar a área com um dedo, em movimentos circulares, para saber como o corpo funciona. Durante o banho, outra opção é tentar estimular a região com pequenos vibradores –ou consolos--, o que pode colaborar com o processo", explica. Para o estímulo a dois, nada de cremes, óleos ou usar apenas saliva –que ajuda, mas não é suficiente-- para besuntar o local.

Outro aspecto que deve ser levado em consideração ao decidir insistir no sexo anal é entender que nem sempre ele proporcionará orgasmo, mas que fique claro que é possível atingir o clímax por meio da prática.

"O orgasmo acontece com a estimulação clitoriana concomitante. Ou seja, o parceiro não pode ficar restrito a apenas uma área. Boca, orelhas, mamilos e outras zonas erógenas devem ser exploradas. Exercícios de contração vaginal também podem ajudar a alcançar o clímax", fala Samanta Fonseca, terapeuta sexual do Cedes (Centro de Orientação e Desenvolvimento da Sexualidade), em São Paulo.

Segundo Samanta, algumas pessoas não alcançam o orgasmo, mas não acham isso uma derrota, uma vez que enxergam a experiência como mais uma forma de intimidade e fantasia com o parceiro.

Além disso, lembre-se de trocar o preservativo se decidir, no meio do caminho, praticar sexo vaginal. “O cuidado com a camisinha é importante, pois, em contato com lubrificantes que não sejam à base de água ou com o atrito do pênis no ânus, ela pode se romper”, afirma a especialista.

Precauções, mas sem neuras

Se a principal preocupação for a eliminação de fezes durante a relação sexual, saiba que é possível prevenir acidentes, embora é preciso ter claro que, sim, eles podem acontecer.

Segundo os especialistas, a limpeza interna do ânus antes do sexo não é tão necessária quanto se imagina. Lavar o local com água e sabonete é suficiente para evitar o cheiro característico. Mas se a intenção for fazer uma limpeza mais rigorosa, a lavagem interna do canal retal também é comum e segura, quando realizada com cuidado para não ferir a área e com o uso de uma sonda conhecida pelo nome de enema.

“Caso as fezes apareçam, relaxe e encare o fato com naturalidade, sem vergonha”, diz Samanta. Para as mulheres que têm constipação intestinal, Mendes Júnior fala que o ideal é ter ido ao banheiro naquele dia ou, no máximo, no anterior.

Por último, mas não menos fundamental, está o cuidado com as posições que o casal vai escolher. Se a intenção é incorporar a modalidade na rotina, algumas são dispensáveis, como a que deixa a mulher em quatro apoios. “Nela, o homem que penetra tem controle total da situação e pode acabar se animando demais. O ideal é que a mulher consiga comandar a penetração para ir até onde é possível” fala Samanta.

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