Equilíbrio

Por R$ 49, site deixa escolher o amigo-secreto: seria o cúmulo do cinismo?

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Para nomear alguém que não se quer tirar de jeito nenhum, o preço é R$ 19; já para escolher quem tirar, o valor é R$ 49 Imagem: Reprodução/amigosecreto.com.br

Do UOL

30/11/2016 07h05

Sites e aplicativos que permitem realizar amigo-secreto já não são novidade há alguns anos. Só que o recurso foi sofisticado. O endereço amigosecreto.com.br –que em 2015 teve mais de dois milhões de cadastros, em cerca de 220 mil grupos de amigos-- agora permite que o usuário escolha quem quer ou não tirar na brincadeira, desde que pague uma taxa. Na modalidade usual, não há cobrança para uso da plataforma.
 

Em um amigo-secreto on-line, você pagaria para tirar ou não tirar alguém?

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O pagamento deve ser feito antes de o sorteio ser realizado. Para nomear alguém que não se quer tirar de jeito nenhum, o preço é R$ 19. Já para indicar três amigos, paga-se R$ 29. Por outro lado, para escolher a pessoa que se quer tirar, o valor é R$ 49. O site garante sigilo: ninguém do grupo saberá da contratação.

O criador do site, Marcelo Abrileri, diz que a novidade foi uma resposta à necessidade dos usuários. “Percebíamos em vários grupos de empresas, e mesmo entre familiares, que nem todos participavam da brincadeira. Na maioria das vezes, por medo de tirar alguém de quem não se gostava.”

Ao mesmo tempo que chocou alguns usuários, Abrileri conta que a ideia agradou outros. “A adesão está crescendo. Temos reclamações de quem realizou o sorteio antes de saber da ferramenta, porque gostaria de ter usado.”

Mas o que levaria pessoas a adulterarem uma brincadeira cuja principal característica é a surpresa? Para o psicólogo Raphael Camara Oliveira, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), o recurso é uma maneira de evitar frustrações.

“Todos temos receio de viver situações desconfortáveis. Quando esse medo toma grandes proporções, algumas pessoas ficam completamente paralisadas diante do risco”, diz Oliveira.

Na impossibilidade de conviver com a eventualidade de uma saia-justa, o psicólogo Raphael Oliveira sugere não participar do amigo-secreto, em vez de manipular.

“Devemos sempre olhar para os nossos limites e identificar até onde conseguimos lidar com determinadas situações sem comprometer nosso bem-estar”, afirma o especialista.

A psicóloga especializada em felicidade e desenvolvimento de adultos Angelita Corrêa Scardua, doutoranda em psicologia social pela USP, diz não achar justo que alguém se prive de um momento agradável por conta de uma ou outra pessoa.

“Nada mais natural do que haver desafeto em qualquer grupo humano. A contratação desse serviço é uma forma de admitir a nossa impossibilidade de amar a todos com a mesma intensidade”, fala Angelita.

Segundo a psicóloga, a ferramenta pode chocar porque expõe algo que todos já faziam na surdina. “Antes do virtual, nas festinhas de empresas ou de família, sempre tinha alguém que, ao tirar quem não gostava, procurava outra pessoa de confiança e trocava o papel”, diz.

Fugir não resolve

Para o sociólogo Cristiano das Neves Bodart, professor da Ufal (Universidade Federal de Alagoas), é do brasileiro não saber lidar com conflitos.

“Usamos expressões que amenizam o confronto, como ‘morena’ para não falar negra –o que camufla nosso racismo--, ‘bonitinha’ para não dizer que a pessoa está mal arrumada ou ‘simpática’, para não dizer feia”, afirma Bodart.

Antes de excluir alguém do amigo-secreto, os psicólogos indicam refletir sobre as razões que o impedem de gostar do outro.

“Ao admitir que o problema existe, você pode se perguntar de onde vem a falta de vontade de ser generosa com ele, porque dar presente é uma generosidade”, diz Angelita. Talvez você conclua que não há fatos concretos para a desavença. Ou, então, descobrirá que a outra pessoa merece mesmo ser um desafeto. O importante é desenvolver o autoconhecimento.

É preciso ter em mente ainda que é possível controlar de alguma forma a brincadeira. Porém, fora dela, o inesperado continuará surpreendendo.

Você pode escolher não tirar um colega de trabalho ou um ex-namorado que ainda está na turma, mas nada impede que sejam obrigados a interagir em outros momentos. “Precisamos reconhecer quando temos pontos a melhorar em nossas habilidades sociais”, diz Oliveira.

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