Equilíbrio

Como perder 66 kg mudou a vida de uma mulher, e engordar afetou a de outra

Heloísa Noronha

Colaboração para o UOL

12/12/2016 11h38

Duas mulheres revelam como a perda ou o ganho de peso interferiram –e ainda interferem– na maneira como são tratadas pela sociedade e no modo como enxergam a si mesmas.

Cristiane da Silva Moreno, 34, bacharel em ciências contábeis e recreadora infantil, de São Paulo

Lucas Lima/UOL
Imagem: Lucas Lima/UOL

“Atualmente, peso 71 kg, depois de alcançar 137 kg. A perda de peso ocorreu com a combinação de remédios para emagrecer e cirurgia bariátrica. Levou um ano e meio para acontecer. Há muito preconceito contra os obesos. Notava que muita gente me olhava com pena ou desdém. Os piores momentos aconteciam no ônibus, por causa da dificuldade em passar pela catraca. As pessoas me observavam com cara de ‘será que ela vai entalar?’. Deixei de ir a parques de diversão, porque as travas dos brinquedos não me transmitiam segurança ou me machucavam. Até frequentava baladas, mas já pensando que não ia conseguir curtir muito tempo em pé e que ninguém ia querer ficar comigo. Depois que emagreci, senti melhorias em todos os aspectos da minha vida. Nitidamente, os homens olham mais para mim. Digamos que, agora, tenho vida amorosa (risos). Consegui ingressar na área de recreação infantil, que sempre amei, mas não tinha fôlego para as brincadeiras. Entro nas lojas e escolho as roupas que quero, sem que ninguém me esnobe ou recrimine por não ter o ‘tamanho certo’. Ao usar transporte público, consigo dividir o banco sem ver caretas ou ouvir pessoas bufando. Gosto de me olhar no espelho e passei a dizer a mim mesma, todos os dias, que sou linda do meu jeito e que nada nem ninguém pode me tirar isso. O episódio mais legal foi logo que saí da casa dos três dígitos da balança e fui liberada para dirigir. Estranhei o carro, achando que o banco estava diferente e imaginando quem poderia ter dirigido. Só depois reparei que minha barriga é que não encostava mais no volante.”

Erica de Souza Pangella, 32, analista financeira e microempreendedora, de São Paulo

Junior Lago/UOL
Imagem: Junior Lago/UOL

“Peso 95 kg, 17 kg a mais do que o meu peso ideal. Quando mais jovem, era esbelta e chamava muita atenção. Eu me exercitava bastante, era uma boa jogadora de vôlei. Ao ingressar na faculdade, conheci as ‘cervejadas’ e, com a falta de tempo por conta de trabalhar e estudar, parei de praticar atividade física. Resultado: engordei horrores. Só me dei conta disso ao virar ‘referência’ em uma balada, quando um garoto que eu paquerava apontou uma ‘gordinha’, que era eu. Isso fez meu chão abrir. A partir daquele momento, resolvi mudar. Comecei a praticar muay thai e perdi 20 kg.  Foi nesse momento que conheci o pai da minha filha, que era muito ligado em aparência e odiava meninas cheinhas. Ele pegava no meu pé e comecei a ficar paranoica, porque vinha ganhando peso. Não sabia, mas estava grávida. Ele me abandonou e vivi momentos difíceis. Cheguei aos 105 kg. Meu médico disse que eu estava matando a mim e a minha filha. A pressão arterial subiu muito. Felizmente minha bebê nasceu saudável. Depois de um período depressivo, busquei apoio em um grupo de ajuda, e as coisas foram melhorando. Até fiquei noiva; ele cuida da minha pequena como ninguém. Só que a vida tem seus altos e baixos e engordei novamente. Já deixei de sair por não me sentir bem diante do espelho. Não faço mais academia, pois estou desempregada e tive de cortar gastos. Minha calça preferida está pendurada do lado de fora do guarda-roupa para me lembrar que o objetivo é vesti-la novamente. Acho que as pessoas têm preconceito, sim, e fazem comentários maldosos sobre obesos. O mais complicado é aceitar que só eu mesma posso mudar a situação. Controlar a ansiedade é o meu foco atual.”

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