Equilíbrio

União homoafetiva e filho pra companheira: legados de ações de Cassia Eller

Divulgação
Cássia foi casada com Eugênia por 14 anos. Após sua morte, a guarda do filho, Chicão, ficou com a mulher Imagem: Divulgação

Melissa Diniz

Do UOL

29/12/2016 16h30

Há 15 anos, morria Cássia Eller, conhecida pela voz rouca e pelas interpretações marcantes, combinando rebeldia e doçura. Dona de uma personalidade forte, a cantora quebrou diversos paradigmas durante os 39 anos de vida --11 de carreira artística. Relembre algumas atitudes de Cássia que provam que seu legado vai muito além da música.

Liberdade de expressão

A menina tímida, filha de um militar, nunca abriu mão de ser quem era e fez da música sua principal forma de expressão. Uma vida comum e burocrática não era para ela. No palco, Cássia se transformava, ousava, seduzia e arrebatava fãs de todas as idades. Não havia limites para sua liberdade artística, que a transformou em uma cantora eclética, capaz de interpretar Édith Piaf e o rapper Xis com a mesma intensidade.

Feminista sem aceitar rótulos

Embora não se considerasse feminista, Cássia Eller incorporou diversas atitudes libertárias e batia de frente com a cultura machista, que espera da mulher uma postura dócil, frágil e submissa. Usando o cabelo no estilo moicano, com a língua para fora, a camiseta levantada e os peitos à mostra, Cássia cuspia no chão, falava palavrão e não se deixava enquadrar em padrões preestabelecidos. Queria provocar...e conseguia. 

Coragem para enfrentar a dependência química

Cássia permitiu-se experimentar de tudo. Os períodos de imersão coletiva para criação de músicas e produção de discos eram regados a álcool e drogas. No final da vida, ela admitiu a dependência química e fez um tratamento para desintoxicação que durou dois anos. Apesar dos boatos iniciais, não foram encontradas substâncias químicas em seu corpo nos exames realizados pelo IML. Ela sofreu três paradas cardíacas no dia 29 de dezembro de 2001, no Rio de Janeiro.

União homoafetiva pioneira

Nem o pai conservador, nem o preconceito da opinião pública impediram Cássia de assumir sua homossexualidade e de vivenciá-la plenamente, da maneira que quisesse e com quem quisesse, inclusive em um casamento que durou 14 anos com Maria Eugênia Viera Martins. A união começou muito antes de o CNJ (Conselho Nacional de Justiça aprovar a resolução que obrigava todos os cartórios do país a celebrar casamentos entre pessoas do mesmo sexo, em 2013.

Deixou o filho para a companheira

Após a morte de Cássia, a justiça concedeu a guarda de seu filho, Francisco Ribeiro Eller, o Chicão, na época com oito anos, para Eugênia, mesmo sem elas serem casadas oficialmente. A mãe e os irmãos de Cássia atestaram que esse era seu desejo, confirmado pelo menino. A decisão inédita abriu um precedente para que outras famílias homoafetivas pudessem lutar pelos seus direitos.

 

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