Comportamento

Mulher suspende compras supérfluas e economiza mais de R$ 70 mil em um ano

Reprodução/Telegraph
Sem grana para gastar, Michelle e o marido fizeram uma viagem de bicicleta pelos condados de Suffolk e Norfolk, na Inglaterra Imagem: Reprodução/Telegraph

Do UOL, em São Paulo

13/01/2017 17h31

Embora atue como jornalista de economia há dez anos, lidar bem com o próprio dinheiro nunca foi o forte da britânica Michelle McGagh. E justamente pela falta de controle com relação às finanças que ela resolveu se propor o seguinte desafio: ficar um ano sem gastar dinheiro com itens supérfluos. E o mais curioso é que ela iniciou o processo em plena Black Friday, em novembro de 2015.

Em seu texto no jornal inglês Telegraph, onde narra a experiência por completo, Michelle comenta que o despertar não foi um ato desesperado em consequência de alguma dívida no banco. Ela sempre manteve sua conta em azul, porém com uma análise de seu extrato veio a constatação de que, em um ano, ela havia gastado mais de R$ 1500 só com cafezinhos --e olha que a jornalista disse que nem é tão fã da bebida. "Isso sem contar as despesas por almoçar fora, rodadas de drinks, peças de roupas e outros gastos", escreve.

Outro fator importante para a mudança estava no fato de que, nos últimos anos, ela e o marido já andavam na reflexão sobre o que realmente precisavam e como poderiam cortar gastos para garantir a segurança do pagamento da hipoteca, cujas taxas eram altíssimas. Michelle intensificou as pesquisas pessoais internet sobre a questão e descobriu o "Buy Nothing Day" (algo como "dia de não comprar nada"), um movimento anti-consumista que cai na Black Friday e cuja finalidade é convidar as pessoas à reflexão durante o dia mais movimentado do ano para o comércio.

"Comecei a refletir que conseguiria tranquilamente viver um dia só sem comprar nada, mas me questionei se sobreviveria a um ano desse projeto", escreve. "Não gastar nada durante 12 meses faria maravilhas para o meu bolso e me impediria de preencher novos espaços da minha casa com objetos desnecessários. Um ano inteiro sem gastar seria uma maneira de ressignificar totalmente a minha relação com o dinheiro."

Ela, então, colocou no papel despesas necessárias: parcelas do empréstimo da casa, seguro de saúde, doações para a caridade, contas de celular, necessidades básicas (pasta de dente, sabonete, desodorante, xampus etc) e produtos de limpeza.

Daí, definiu que não haveria borderô para luxos como ir ao cinema, noitadas no bar, almoços ou jantares fora de casa, novas roupas, viagens, academia... até o chocolate comprado no supermercado ela cortou. Suspendeu também os gastos com transporte, percorrendo as ruas de Londres de bicicleta. "Meu marido, minha família e meus amigos, claro, acharam tudo extremo demais", diz. "Eu mesma tive medo de que me deslocassem do convívio e passassem a me enxergar como uma ermitã."

Entre as dificuldades, estava programar coisas nos dias de inverno, pois os mais chegados preferiam visitar estabelecimentos fechados, que eram geralmente caros. Pedalar também foi um desafio. Mas Michelle viu o cenário mudar com a chegada da primavera e do verão, que permitiram passeios em áreas abertas, museus e cinemas com entradas gratuitas e coisas do tipo.

Reprodução/Telegraph
Imagem: Reprodução/Telegraph
A reflexão que bateu, no entanto, era a de que o segredo não seria adaptar a vida antiga em programas sem gastos, mas criar um novo modo de viver. "Comecei a mudar minha rotina, os tipos de programas que fazia. Em determinado, momento notei que um piquenique em um parque cheio de árvores, com lanches feitos em casa, dentro do orçamento, me deixava mais feliz do que qualquer restaurante badalado", comenta.

 As mudanças bruscas, no entanto, afetaram a relação dela com as amigas, uma vez que Michelle já não conseguia estar sempre presente em determinados eventos. Chegando ao final do desafio, constatou que o melhor possível é viver a vida com leveza e controlar os gastos com equilíbrio. Ao total, economizou mais de R$ 70 mil, dinheiro esse que usou para quitar parte do empréstimo da casa.

"Depois de um ano sem gastar, percebi que é mais importante valorizar a segurança financeira do que os bens materiais propriamente ditos. Não quero mais me sentir forçada a estar em um emprego que não me deixa feliz só porque eu preciso pagar a hipoteca pelos próximos 20 anos. Também me dei conta de que eu não preciso de objetos para ser feliz. Passar o tempo com pessoas que amo me deixa muito contente e se eu tenho dinheiro para isso (em casos de jantares e coisas do tipo), prefiro gastá-lo dessa maneira. Por exemplo, viajar para ver meu avô ou visitar um amigo na Austrália."

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