Equilíbrio

Ex-Fazenda abraça causa gay e diz que se envergonhava ao passar por hétero

Melissa Diniz

Do UOL

19/01/2017 04h03

Nascida em Uberlândia (MG), Angelis Borges, 30, ficou famosa após ganhar o programa “A Fazenda de Verão”, exibido pela Record em 2013, e embolsar R$ 1 milhão. Foi lá que a então assessora de imprensa assumiu-se gay ao engatar um romance com Manoella Stoltz. Hoje, morando em Nova York com a mulher, a corretora de imóveis Nina Fisher, 39, Angelis transformou a própria vida uma espécie de reality show. Ela e Nina criaram um canal no YouTube no qual mostram a rotina e a intimidade do casal (com direito a cenas quentes), interagem com o público e buscam incentivar outros membros da comunidade LGBT a sair do armário.

Em entrevista ao UOL, a youtuber fala do casamento, das dificuldades que teve para se assumir gay em uma família evangélica, e do rápido romance com o ator Caio Castro.

Vídeos pela causa gay

Muita gente já tinha me sugerido criar um canal no YouTube, mas não queria fazer por fazer. Queria que meu coração pulsasse por algo. Então pensei no quanto de preconceito as pessoas ainda têm com a comunidade LGBT. É muito fácil ser gay quando se mora em Nova York, onde você pode ser quem quiser. Mas ainda há muito preconceito, racismo e discriminação, sobretudo no Brasil. Acho que o mundo precisa de pessoas que tomem a frente e ajudem a derrubar isso. Aqui nos Estados Unidos, pessoas como Barack Obama e a apresentadora Ellen DeGeneres lutaram muito para vencer o preconceito. Agora com Trump temos que continuar lutando e nos manter unidos. Nossa audiência é formada por 18% de americanos, 16% de brasileiros e o restante vem de diversas partes do mundo. Cada vídeo tem uma média de 20 mil visualizações, com recorde de 550 mil. 

“Tentei várias vezes me passar por hétero, envergonhando a mim mesma”

Em março vai fazer dois anos que e eu e Nina nos conhecemos. Nós nos casamos em julho de 2015. É tudo muito recente e muito intenso, ainda estamos aprendendo uma sobre a outra e tentamos passar esse aprendizado nos vídeos. Nós nos conhecemos em um aplicativo para relacionamento sério que tem aqui. Uma amiga fez o perfil para mim, eu já estava desacreditada do amor, por causa do preconceito. Eu tentei várias vezes me passar por hétero, envergonhando a mim mesma, tentei ser quem não era, e isso só me fez infeliz. Foi quando eu decidi que eu não ia sacrificar minha felicidade por ninguém. Por isso, decidi viver nos Estados Unidos e ter a vida que eu sempre quis. Quinze dias depois dessa decisão, conheci a Nina.

Menina gay em família evangélica

Reprodução/Instagram
Angelis e Nina são casadas há 1 ano e meio Imagem: Reprodução/Instagram

Eu cresci em igreja evangélica, minha família toda é cristã, então vocês podem imaginar como foi difícil. Nunca fui atraída por homens, desde pequena as mulheres chamavam minha atenção. Até que fiquei com a primeira mulher, aos 20 anos, e eu ainda era virgem. Foi quando descobri que eu não era assexuada, apenas diferente. Foi um longo processo e só agora, aos 30, me sinto completa e em paz. Tive o período de negação, de confronto, de rebeldia até chegar à aceitação. Esse processo é mais difícil para quem não recebe o suporte necessário, principalmente para quem está sozinho.

Pais souberam pela TV e precisaram de terapia

A verdade é que eu nunca contei à minha família que era gay. Não tive coragem. Entrei no programa como hétero até me apaixonar lá dentro e não ter escapatória.  Meus pais ficaram sabendo pela TV, tiveram três meses para aceitar e, quando eu saí, eles já me aceitavam. Mas foi difícil, precisaram fazer terapia porque estavam presos a uma doutrina da qual tiveram que se libertar. Hoje são livres e também acreditam no amor como o princípio que nos move. Se eu estou feliz, eles estão felizes também. Assim como eles, meus irmãos também me apoiam e todos amam a Nina. Aliás, estamos indo para o Brasil passar o Carnaval.

“Ficar com Caio Castro me provou que não era isso que eu queria”

Nós ficamos juntos. Meus amigos me forçavam a isso falando que eu era hétero, mas só tinha pego o homem errado. Eu fui e até que foi bom, porque depois disso eu não fiquei com mais nenhum homem. Percebi que não preciso provar quem sou. Eu sei quem eu sou e do que eu gosto. E, se as pessoas não aceitam, problema delas. Eu sou feliz assim e minha felicidade é o que mais importa. Não vale a pena perder tempo tentando agradar aos outros. 

Reações de amor e de ódio

O objetivo do canal é mostrar como somos felizes sendo livres para amar, então eles também podem ser. Queremos mostrar para o mundo que somos normais, que nos amamos como qualquer casal hétero.  Que amor não depende do sexo, mas das atitudes, do carinho e do respeito. Todo dia chegam mensagens de agradecimento e de incentivo, o que mostra que estamos conseguindo tocar as vidas das pessoas para o bem. Mas a gente também recebe muito comentário homofóbico, principalmente de pessoas religiosas, que usam a Bíblia para nos condenar, e isso é algo que não consigo entender, porque se Deus é amor e eu estou literalmente amando, e compartilhando amor, eu não vejo erro.

Reprodução/Instagram
Casal mostra sua intimidade nas redes sociais Imagem: Reprodução/Instagram

Casamento gay também tem DR

Relacionamento não é fácil, é uma troca constante. É preciso entender os defeitos da outra, ajudar a melhorar. E eu e a Nina temos a mesma visão, sabemos que pessoas não são descartáveis. O que nos incomoda, a gente conversa e tenta melhorar. E tem coisa que temos que relevar porque não vai mudar (risos). Estamos juntas para dividir sonhos, alegrias, tristezas e dificuldades.

 

 

Intimidade e filhos

Postamos algumas fotos íntimas, mas nada que seja vulgar, é mais artístico. É uma forma de mostrar que somos como qualquer outro casal.  Temos nossos momentos de romance e essas fotos ajudam bastante para que os outros compreendam isso. Pensamos, inclusive, em ter filhos e será da minha barriga (ou então adotaremos um), mas isso é mais para frente. E quando fizermos mostraremos todo o processo nos nossos vídeos.

 

“Participar de “A Fazenda de Verão” mudou minha vida”

Digo isso porque sempre fui gay e sempre tive medo de me aceitar. O programa me deu a coragem para ser quem eu sou e enfrentar o mundo de cabeça erguida. Vi o quanto posso ser forte, eu venci um programa sendo gay em um país que há quatro anos era totalmente contra a comunidade LGBT. Em um país em que pessoas ainda são espancadas na rua por serem gays. Isso só me mostrou o quanto posso ajudar outras pessoas. 

Reprodução/Instagram
A intimidade, acreditam, mostra que a relação é verdadeira Imagem: Reprodução/Instagram

Livro à vista

Quando assumi minha sexualidade, estava dentro do programa sem ter ideia de como as pessoas me viam. Passei por uns maus bocados e as pessoas não fazem ideia de como foi difícil chegar até onde estou. Dos preconceitos que sofria antes do programa, das dificuldades. Eu tive uma vida difícil antes do programa, uma vida que me ensinou a ser forte para ser capaz de enfrentar tudo que enfrentei. Meus seguidores pedem muito para eu escrever um livro contando toda a trajetória. E isso está nos planos.

 

Posts pagos

Nina trabalha como corretora de imóveis de alto padrão. Então, temos uma boa estabilidade financeira. Hoje, minha renda vem do meu blog e do Instagram, pois quando eu realmente gosto de alguma coisa eu compartilho com meus seguidores e, às vezes, sou paga para isso. Já o canal não traz retorno financeiro grande, pois algumas marcas não querem um casal LGBT como representante.

 

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