Relacionamento

Relação aberta ajuda a reacender o romance? Veja casos antagônicos

Arquivo pessoal
Isabella Cassane (esq.), 22, diz que abrir a relação serviu para reforçar a confiança que já existia Imagem: Arquivo pessoal

Do UOL, em São Paulo

01/02/2017 04h03

A estudante Agnes Vencato, 20, estava há dois anos em um relacionamento exclusivo quando ela e o namorado começaram a conversar sobre conhecer outras pessoas. “Nós gostávamos muito um do outro e não queríamos nos separar”, conta. Foi um mês de diálogo constante, até decidirem transformar o namoro em um relacionamento aberto, que seria mantido enquanto os dois estivessem satisfeitos com a dinâmica.

“Nós conversamos muito para que ambos tivessem confiança plena no outro e para estabelecer acordos que mantivessem o equilíbrio da relação”, explica Agnes.

Faz cinco meses que eles estão, oficialmente, em um relacionamento aberto. “Não vemos isso como férias da relação, mas um novo estágio do namoro”, diz. Agnes garante que a relação mudou muito: para melhor. “No relacionamento atual, nos comunicamos melhor do que antes. Nós trabalhamos a questão do ciúme de uma maneira bem mais madura do que antes e continuamos nos amando”, diz a estudante.

Diálogo e regras são importantes

Para o psicólogo Yuri Busin, doutorando em psicologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, o tempo que o casal dedicou ao diálogo foi essencial para que o relacionamento não acabasse sendo sacrificado. “Antes de tomar a decisão de ter um relacionamento aberto, o casal deve estar em sincronia”, afirma.

Porém, ele não acredita que essa seja a melhor saída para movimentar uma relação que caiu na rotina. “O sentimento de estagnação pode ser gerado porque ambos estão acomodados, e isso não irá mudar, necessariamente, com o relacionamento aberto”, diz. “Vale pensar o que está ocorrendo com o casal e conversar sobre isso para tentar solucionar a questão”, explica.

O relacionamento aberto só deve ser considerado se ambos manifestarem interesse. “As regras devem ser dispostas pelo limite de cada um. Como é uma situação que pode levar a brigas e até mesmo a términos de relacionamentos, é indicado que o casal comece aos poucos”, diz o psicólogo. Eles podem, por exemplo, ir juntos a um local com pessoas interessantes e solteiras – como uma balada -  e ver como se sentem em relação a ficar com outras pessoas. “Na fase inicial, é importante ambos serem muito verdadeiros com aquilo que estão sentindo, se querem ou não continuar e quais serão os limites”, diz Busin.

O acordo de Agnes com o namorado incluía compromissos como não ficar com pessoas do mesmo círculo de amizades e também não entrar em detalhes do que fez e com quem. “Nossa combinação não é ‘sair pegando geral’, apenas criamos uma brecha para não transformar um simples interesse por uma terceira pessoa em um motivo de rompimento”, diz.

Evolução constante

A psicóloga Isabella Cassane, 22, afirma que abrir a relação só serviu para reforçar a confiança que já existia entre ela e o namorado, levando a convivência do casal a um novo patamar. “A gente foi realmente sincero um com o outro, pudemos nos abrir, assumir nossas vontades e realizá-las, sem nenhum prejuízo para a relação que havíamos construído até então”, diz. Depois de um tempo vivendo essa experiência - que ela classifica como “incrível e libertadora” - ambos resolveram voltar ao modelo tradicional, de exclusividade sexual. “Nesse momento, eu estou sendo chamada a ficar só com ele e vice-versa. Mas isso pode mudar daqui a pouco, ou não. O importante é que não estamos presos a tabus que poderiam nos impedir de viver plenamente”, diz.  

Caso que não deu certo

De uma relação para outra, as regras podem mudar. Elas também podem evoluir conforme o romance amadurece. De qualquer forma, é importante que sejam sempre muito bem discutidas, para evitar problemas. O estudante Gabriel Ribeiro Menezes, 19, viu a relação degringolar por falta de sintonia entre ele e a namorada. Eles haviam decidido abrir o relacionamento por um período curto, para que ambos pudessem curtir separados uma viagem com os amigos. “O acordo foi que cada um faria o que quisesse e que não contaria nada para o outro. Mas ela voltou e contou tudo o que fez”, afirma Gabriel.

A princípio, a vontade da namorada de compartilhar as experiências não abalou Gabriel. No entanto, pouco tempo depois ela revelou uma preocupação. “Ela me contou que teve uma relação sem camisinha e talvez tivesse contraído HPV”, diz. “Na hora, eu fiquei muito bravo. Fiquei pensando como era possível alguém ser tão egoísta a ponto de colocar a vida de outra em risco. Mas não terminei com ela”, diz.

O resultado do exame acabou sendo inconclusivo e eles não apresentaram sintomas do vírus. Mas, nesse ponto, a relação já tinha chegado ao fim. “Terminamos três meses depois”, afirma. “Eu teria novamente um relacionamento aberto, mas teria de conversar mais e saber o que a outra pessoa entende como limite. Alguns atos podem machucar e comprometer a relação, sem chance de volta”, diz.

Para Yuri Busin, em um relacionamento aberto, seja definitivo ou temporário, até o que parece óbvio deve ser dito. Por exemplo, usar preservativo ao fazer sexo com outras pessoas. “É melhor pecar pelo excesso do que não falar nada e imaginar que o outro pensa como você”, diz. “Ter um relacionamento aberto exige uma grande parceria entre o casal”, afirma o psicólogo.

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