Equilíbrio

Por que um homem usar vestido no 'BBB' incomoda tanta gente?

Reprodução/Tv Globo
Pedro e seu look polêmico no "BBB 17" Imagem: Reprodução/Tv Globo

Thais Carvalho Diniz

Do UOL

03/02/2017 04h16

Pedro Falcão, 29, participante do "BBB 17”, cumpriu a promessa de usar vestido no programa e a internet reagiu. Na última terça-feira (31), sua namorada, Lelly Costa, que administra as redes sociais do brother no período do confinamento, respondeu às críticas de um post feito na página do Facebook "Galãs Feios". O texto, que apontou o gamer como "pseudo-cult desconstruído de condomínio", teve mais de 11 mil curtidas e 800 compartilhamentos.

Arquivo pessoal
Esse foi o primeiro vestido que Pedro experimentou e comprou Imagem: Arquivo pessoal

Entre os diversos comentários, Pedro foi acusado de estar montando um personagem para ganhar o público. Mas Lelly contou ao UOL que o parceiro usa saias e vestidos desde antes do relacionamento, que tem dez meses.

"Uma vez fomos ao mercado e eles estava usando vestido. As pessoas olharam, mas não com desprezo e, sim, simpatia. E frisou que o namorado nunca sofreu agressão verbal ou física por conta dos looks. "Das primeiras vezes, ele disse que sentiu certa resistência, mas só porque realmente as pessoas reparam demais".

A estranheza e curiosidade ao ver um homem usando roupas que, teoricamente, fazem parte do vestuário feminino, ainda é bastante comum. Mas por que incomoda tanto? Segundo Amana Mattos, professora do Instituto de Psicologia da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), o furor acontece por se tratar de algo que "bagunça" a divisão engessada de gênero: masculino e feminino.

"As roupas são elementos que fazem parte da demarcação do que é o corpo da mulher e do homem, em diferentes culturas. E os gêneros são polarizados, excludentes. O que serve para um, não se encaixa para o outro".

Reprodução/Facebook
Pedro Falcão, participante do "BBB 17", usando saia antes de entrar no reality Imagem: Reprodução/Facebook

De acordo com Ana Claudia Bertolozzi, coordenadora do Lasex (Laboratório de Sexualidade Humana) da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Bauru, existem aqueles que se vestem dessa forma para causar polêmica. Mas o incômodo maior acontece quando aparece alguém que se sente livre o bastante para usar o que quiser.

“Está tudo tão amarrado que, quando alguém se liberta, causa polêmica. Mas será que outros homens não gostariam de usar? Eles não achariam mais confortável nesse calor?”, questionou.

A psicóloga reforça que a roupa nada tem a ver com a construção de identidade. E que tudo está em transição e pode mudar. “Há muito pouco tempo homens que usavam brincos e cabelos compridos não eram vistos com bons olhos”, diz ela, que acredita que os modelos de roupa só não são mais usados por eles por medo de discriminação.

O receio de sofrer retaliações não é o caso de Bruno Kawagoe, 24. O publicitário usa saias e vestidos há cerca de um ano e meio e, assim como Pedro, não passou por nenhum constrangimento. 

Arquivo pessoal
Bruno embaixo do Minhocão, em São Paulo. Nesse dia, sua chefe o viu de vestido pela primeira vez Imagem: Arquivo pessoal
“A gente nota alguns olhares aqui e ali, mas nada que gere desconforto". Pelo contrário: "Aconteceram coisas muito legais também. Uma família já me parou na rua para mostrar para filhos que homem também pode usar saia”, contou.

Para Bruno, muito além de provocar ou causar impacto ao sair por aí com as peças, o objetivo é se sentir bem. “Quando eu coloco um vestido ou uma saia, estou 100% ciente do meu biotipo e gosto pessoal. Não é uma questão de hiperssexualização. Não é uma fantasia ou para mostrar que sou diferente. É colocar no corpo algo que eu acho que fica bom em mim”.

E é para esse ponto que Ana Claudia chama atenção. A professora diz a batida frase de que “ninguém deve se preocupar com o outro a esse ponto” e lembra que, nas épocas de festas como o Carnaval, por exemplo, homem usar “roupa de mulher” é comum. “As pessoas aceitam porque é pejorativo. Temos um problema social de aceitação do que foge às normas culturais históricas”.

Entretanto, Amana, que também é pesquisadora do Degenera (Núcleo de Pesquisa e Desconstrução de Gêneros), entende que o que interpretamos como feminino ou masculino está em constante disputa e negociação. Para ela, a força de movimentos como o feminismo e os de cunho LGBT são a prova disso. “O que está em jogo é pensar os motivos pelos quais as pessoas se incomodam quando não conseguem colocar os sujeitos em caixas que já existem”.

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