Equilíbrio

Programa aborda 'magrofobia' e cria polêmica; esse preconceito existe?

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Pessoas magras demais também sofrem preconceito Imagem: Getty Images

Vivian Ortiz

Do UOL, em São Paulo

08/02/2017 18h59

A cantora Miley Cyrus, as atrizes Thayla Ayala e Grazi Massafera, além da super modelo Gisele Bündchen. O que elas têm em comum, de acordo com o debate promovido pelo programa "Encontro com Fátima Bernardes" da última terça-feira (7)? Todas sofreram de 'magrofobia', que é quando pessoas abaixo do peso considerado normal ficam ofendidas com termos pejorativos ao seu biotipo e se sentem inferiorizadas.

Ser chamada de "magricela" e "Olívia Palito", além de colocar várias roupas para disfarçar a falta de curvas e parecer mais curvilínea foram alguns dos problemas enfrentados por elas, de acordo com o programa. A Dra. Sabrina Gonzalez, especialista em Psicologia Clínica com foco em Transtornos Alimentares e Obesidade, explica que o termo "gordofobia" vem de uma pressão estética, de não saber lidar com a pessoa gorda. Mas ela ressalta que isso também existe contra a pessoa muito magra, só que mais escondido. 

"Valorizamos a magreza na nossa sociedade, que ser magro é bom, é ser feliz e bem resolvido. E não é isso que acontece, pois, querendo ou não, só temos um estilo de padrão de beleza divulgado e que não serve para as magras extremas também, do mesmo jeito que não é para as gordas".
 
Getty Images
Quem é muito magro também está fora do padrão Imagem: Getty Images
A psicóloga afirma já ter visto vários casos de pessoas que sofrem de 'magrofobia' em seu consultório. São indivíduos muito magros de nascença, ou mesmo anoréxicos, que trazem em seus discursos preconceitos pelo fato de serem assim.
 
"Elas reclamam que as pessoas ficam toda hora 'empurrando comida', contra a vontade delas. Também se queixam que são rotuladas de 'varas de cutucar estrelas' ou ouvem 'ninguém vai te querer, porque quem gosta de osso é cachorro', do mesmo jeito que as muitas gordas sofrem preconceito por serem assim", diz.
 
Sabrina avalia que a sociedade atual reprime os extremos, seja o muito magra ou muito gorda. "Até porque o ideal de corpo, por mais que seja magro, é um tipo específico: o bonito, com carne, com peito, bunda e coxa. E não dá abertura para as muitas silhuetas que temos por aí, para essa diversidade. Isso gera o preconceito", avalia.
 

Pressão estética para todas

Evellyn Lima, jornalista e mestre em Mídia e Gênero, além de ser uma das autoras do blog "As Gordas", discorda da existência do termo, ressaltando que 'magrofobia' não é um sistema de opressão. No entanto, reconhece que é um sofrimento real quando as pessoas assim dizem que também é difícil ser muito magro.

Arquivo pessoal
Evellyn Lima é uma das autoras do blog "As Gordas" Imagem: Arquivo pessoal

"Nós, da militância de gordofobia, não desvalorizamos esse problema, mas ele tem outro nome, pois não é estrutural e sistemático como é a gordofobia. Essas pessoas sofrem pressão estética, como todos de nossa sociedade sofrem" ressalta.

Thais Ulrichsen, autora do blog "GrandEstima", concorda com Evellyn. Para ela, todos sofrem com isso, seja por serem muito magras, gordas, ou por serem muito baixa, e assim sucessivamente, pois a sociedade coloca um padrão pré-estabelecido do que é aceitável ou não.

"A partir disso, posso dizer que não acredito que 'magrofobia' exista, principalmente por pessoas magras não terem seus direitos cerceados, não serem impedidas de ocupar um cargo em determinada empresa, ou negligenciadas em hospitais e consultas médicas por causa dos seus corpos", ressalta.

Arquivo pessoal
Thais Ulrichsen, autora do blog "GrandEstima" Imagem: Arquivo pessoal

Na visão de Thais, esses indivíduos sofrem por causa de uma pressão social. Inclusive, durante o programa, ela avalia que foi desenvolvido realmente o que seria o assunto, que é a prática de bullying com pessoas muito magras.

Para a blogueira, a diferença é que pessoas gordas são patologicamente julgadas diariamente, sendo preciso lutar contra uma sociedade projetada para não atendê-las.

"Você precisa se preocupar em como sentar numa cadeira, por exemplo, por medo dela quebrar, pois as pessoas jamais vão dizer que é um problema de fabricação, e sim que foi pela gordura", avalia.

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