Equilíbrio

Vítima de quatro perfis fakes revela que não há punição para ladrões

Reprodução/Facebook
A analista de comunicação Nairah Matsuoka, 27, foi vítima de quatro perfis fakes em um ano e meio Imagem: Reprodução/Facebook

Thamires Andrade

Do UOL

09/02/2017 11h03

Essa semana, a britânica Jessica Hunt virou notícia ao descobrir que teve seu corpo "roubado" por meio de uma montagem. "É o meu corpo e a minha casa, mas de quem é este rosto?", escreveu a jovem no Twitter. A loira da cidade de Plymouth, no entanto, encarou o que aconteceu com bom humor: "Como as pessoas fazem isso? É hilário!", disse. No entanto, nem sempre o fake é bem-visto pelo “original”. É o caso da analista de comunicação, Nairah Matsuoka, 27.

Em um ano e meio, ela foi vítima de quatro perfis fakes no Facebook. “Um rapaz veio me chamar no Facebook me contando desse último perfil que estava usando fotos minhas e da minha filha e fingindo se passar por mim. Ele namorou esse fake virtualmente por dois meses. Chegaram a marcar um encontro pessoal, mas ela nunca apareceu”, relembra.

O rapaz descobriu que o perfil era falso quando jogou a URL da foto do principal na ferramenta de imagens do Google, que mostra onde aquela mesma foto apareceu na web. “Ele confrontou a dona do perfil fake, que deu uma série de desculpas. Inclusive, disse que ela realmente era eu, só que usava aquele perfil [fake] para postar o que bem entendia nem sem ninguém saber”, conta.

Após pedir todas as provas do perfil fake para o rapaz, Nairah teve certeza que a pessoa era sua amiga na rede social. “Meu perfil era bloqueado e tinha imagens lá que eu nem tinha postado no Instagram, só no Facebook mesmo. Uma amiga minha tentou entrar em contato com o perfil e, na sequência, já foi bloqueada”, afirma.

Incomodada com a situação, Nairah pediu aos amigos que denunciassem o perfil ao Facebook que, prontamente, fez a investigação e removeu o usuário. "Mas entrei em contato com a delegacia de delitos praticados por meios eletrônicos e foi super mal atendida. Ouvi: 'não cuidamos dessas besteiras, cuidamos de desvio de dinheiro via internet, crimes de fato'", relembra.

Na ocasião, ela encaminhou tudo que tinha ainda para um amigo especializado em direito civil. E a resposta foi que aquilo não ia dar em nada. "Ele explicou que falsidade ideológica só dava em algo se fosse comprovado estelionato ou danos ao terceiro. E que o Facebook tira o perfil do ar, mas só revela a identidade com solicitação judicial. Ou seja, apelei para excluir os desconhecidos e as pessoas mais distantes dos meus contatos e, desde então, nunca mais passei por isso", afirma.

“Me senti lisonjeado”

Reprodução/Facebook
Imagem: Reprodução/Facebook
Mas não é todo mundo que fica incomodado com o fato de ser alvo de perfis fakes, alguns encaram como um elogio. Daniel Pennisi, 32, modelo, ator e produtor de eventos, não viu problema quando descobriu, na época do Orkut, que vários perfis fakes usavam suas imagens. "Primeiro, fiquei surpreso, depois bateu aquela revolta, mas foi rápido. No fundo, me senti mais lisonjeado", conta.

Ele, inclusive, tentou conversar com alguns desses perfis. "Sempre tentei interagir, mas nunca obtive nenhuma resposta. Tinha um que estava em uma comunidade do tipo 'adoro pés' e fui brincar com ele, falando que achava os pés a parte mais feia do corpo humano. Foi engraçado", relembra.

O único estresse que o ator passou com relação a um fake foi quando um criou um perfil e entrou em comunidades LGBT e, posteriormente, invadiu sua conta verdadeira. "Hoje não me importaria, mas, na época, pedi para que ele retirasse, pois as pessoas podiam confundir, acho que nem todos teriam a mesma leitura e a atitude dele foi me bloquear. Os outros não respondiam, mas ele chegou até a invadir o meu próprio perfil e postar coisas", conta.

O maior medo do modelo era que esse tipo de perfil atrapalhasse sua carreira. "Minha maior preocupação era essa, mas nunca tive relatos de problemas com isso. Acho que essa coisa de fake é um movimento natural da internet. As pessoas são muito solitárias e, de certa forma, usam isso como forma de se comunicar e tentar se relacionar com os outros, ainda que não seja o mais saudável. Mas se meu fake ajudou alguém com relação a isso, fico feliz", afirma.

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