Comportamento

Por que vídeos de cravos e espinhas fazem sucesso? Psicólogos explicam

Getty Images
Vídeos de extração de cravos e cistos: a qualquer momento na sua timeline Imagem: Getty Images

Patrícia Colombo

Do UOL, em São Paulo

21/02/2017 04h00

Você já viu a cena: na praia, a namorada espreme cravinhos das costas do parceiro bem na frente de todo mundo. Talvez isso te cause repulsa, mas tem muita gente que sente um prazer enorme ao assistir a conteúdos que mostrem essas "extrações" bem de perto. Vídeos do gênero têm acumulado milhões (sim, milhões mesmo) de visualizações no YouTube, e a pergunta que fica é: por que tanta gente curte isso?

Falam por aí em uma sensação de prazer semelhante a um “orgasmo cerebral”. E, embora a definição pareça exagerada para os especialistas, ela tem lá seu fundo de verdade.

O psicólogo e professor da PUC-SP Hélio Deliberador explica que muita gente associa o que aparece nesses vídeos a sensações de prazer. “A resposta de um orgasmo é muito mais ampla no cérebro”, explica. “Mas, de qualquer forma, existem nos mecanismos cerebrais reações de dor e prazer a partir da estimulação consequente do apertão em alguma parte do corpo, como é o caso de uma espinha ou de um cravo. Tem a ver com a ideia de carícia. Existe até um caminho relacionado ao sadomasoquismo, no qual há a perversão da natureza da sexualidade humana, com dor e prazer muito atrelados.” Ou seja, assistir a cravos sendo espremidos esconde a tal "pontinha de prazer". 

Transtorno Obsessivo-Compulsivo
A psiquiatra e psicanalista Helena Masseo de Castro acrescenta a essa abordagem sexualizada da questão um componente de Transtorno Obsessivo-Compulsivo. Pacientes com TOC têm angústias e conflitos cuja raiz desconhecem. Para aliviá-los, atuam de diversas formas e uma delas é cutucar cravos e espinhas de maneira mais agressiva, lesionando a própria pele. É a dermatotilexomania, também conhecida como "skin picking" (ato de cutucar a pele). 

“A dor física é mais suportável. A coisa mais difícil de enfrentar é a dor emocional que a gente não consegue descobrir de onde vem”, explica ela.

Claro que a ligação não é tão direta assim, mas o TOC é uma das maneiras de se entender o fascínio pelo conteúdo, digamos, dermatológico. “A relação com esses tipos de vídeos é que o paciente, ao assistir à retirada cistos e cravos, transfere o alívio. É como se estivessem retirando algo dele, só que sem a lesão na própria pele. E existem níveis diferentes disso.”

Doutora Estoura Espinhas

Sandra Lee, a famosa Dr. Pimple Popper (“Doutora Estoura Espinhas”, em tradução livre), atua como dermatologista em Los Angeles e é um dos casos de sucesso dessa explosão de vídeos sobre os procedimentos em consultório. Os corpos estranhos que ela retira da pele de seus pacientes são de embrulhar o estômago dos espectadores mais sensíveis.

Seu canal no YouTube tem quase 2,3 milhões de assinantes! Nos comentários, há frases das mais espirituosas, do tipo “You should plant one of those seeds for the year's end. It will grow into a Cystmas Tree” (“Você poderia plantar uma dessas sementes para o final do ano. Vai crescer como uma árvore de cistos”, em tradução livre, fazendo um trocadilho com as palavras “christmas”, Natal, e “cyst”, cistos).

 

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