Sexo

Sexo agendado pode ser a solução para driblar a falta de tesão

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Imagem: Getty Images

Thais Carvalho Diniz

Do UOL

09/03/2017 04h01

A produtora cultural Amália* tem saudade dos primeiros anos de seu casamento, quando nem o cansaço de um dia corrido ou os boletos a pagar abalavam o tesão entre ela e o marido. Após dez anos juntos, a vida sexual já não é mais a mesma. O casal tem horários desencontrados de trabalho, uma filha de 3 anos para criar e, em muitas ocasiões, uma maratona de séries no Netflix é mais convidativa que uma noite quente sob os lençóis. A solução encontrada para dar fim à temperatura polar que invadiu o romance pode até parecer estranha, mas, acredite, funcionou para Amália e o parceiro: o sexo agendado.

"Nos comprometemos a transar pelo menos uma vez na semana. Se não agendar, somos engolidos pela rotina. É um investimento que fazemos em nós", diz a produtora cultural. Amália conta que, desde que adotaram a prática de incluir na lista de compromissos da semana um momento para "namorar", tudo vai "muito bem, obrigada" entre o casal. "Se no dia reservado para a transa nossa filha resolve dar mais trabalho e nos deixa exaustos, no dia seguinte a cansamos com diversas atividades e brincadeiras para que vá dormir mais cedo. Aí sim, podemos aproveitar."

Especialistas dizem que o sexo agendado é uma maneira legítima de reacender o tesão no casamento. Maria Cristina Romualdo, terapeuta sexual e doutoranda na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) defende o agendamento como alternativa. Adiar a transa é um risco constante e ter um "compromisso" com o parceiro pode ser a forma de manter não só o sexo em dia, mas a própria intimidade do casal. O importante não é quantidade, mas qualidade.

"O tesão não precisa ser prioridade, mas buscar outras fontes de prazer em estar com aquela pessoa. Se o corpo do outro não desperta mais, tocar e ser tocado ainda pode ser prazeroso e, aí sim, o desejo sexual reaparece. Basta o casal se dedicar a isso. Antes de cobrar o outro, é preciso pensar em si mesmo".

Na casa de Amália as coisas mudaram quando a filha do casal chegou, mas ela não joga a culpa dos impasses na maternidade. "Foi difícil, cansativo, mas nos adaptamos. Aqui precisamos estar felizes conosco primeiro para o sexo fluir bem, para termos vontade um do outro. Já tivemos, sim, fases mais espontâneas, mas hoje é assim que rola".

Segundo Jessica Maxwell, que coordenou um estudo sobre "o segredo para uma vida sexual feliz em relações longas" na Universidade de Toronto, no Canadá, "a fase de lua-de-mel" dura em torno de dois a três anos. Durante uma palestra no TED, a terapeuta belga Esther Perel, autora do livro "Sexo no Cativeiro" (Objetiva), questionou o motivo pelo qual a intimidade adquirida ao longo dos anos de relação não é garantia de um bom sexo. "Acho que parte de uma boa parceria é compreender os tempos um do outro, ter calma para fluir juntos".

A psicoterapeuta sexual Iracema Teixeira diz que o problema é se deixar levar pela monotonia. "Quando o casal usa a intimidade como desculpa para não se dedicar mais ao romance é um problema. Pessoas envolvidas em relações de longa data precisam entender que a garantia não acabou, ainda estão no prazo de validade". A especialista afirma que a ideia de que o amor resolve é equivocada. "Relação é ralação".

De acordo com Jessica, da Universidade de Toronto, os desacordos sobre sexo são inevitáveis, por isso, considere que "sua vida sexual é como um jardim e precisa ser regada e nutrida para continuar existindo". Os resultados do estudo da psicóloga sublinham a importância da terapia sexual para os casais entenderem que problemas são naturais e não significam o fim do relacionamento. 

Sexo é tudo?

Para 95,3% dos brasileiros, o sexo é importante para a harmonia do casal. Os dados são da pesquisa Mosaico 2.0, coordenada pela psiquiatra Carmita Abdo, do ProSex (Programa de Estudos em Sexualidade) da USP (Universidade de São Paulo), que traçou o perfil sexual do brasileiro em 2016. O estudo ouviu 3 mil pessoas com idade entre 18 e 70 anos.

As especialistas entrevistadas pelo UOL, entretanto, acreditam que não há como traçar padrões quando o assunto é relacionamento e sexo. "Se o casal está satisfeito em transar todos os dias ou uma vez por ano, ninguém pode dizer se isso é bom ou ruim. Quando um se queixa da baixa frequência, aí é necessário entender o que está acontecendo e como chegar a um consenso, no qual ambos se sintam felizes", fala Maria Cristina.

Para Amália, a felicidade da união está além. "Eu acho que a gente se ama muito quando partilhamos um tempo livre de fruição. Deitados juntos a falar da vida, de política, de arte.... Às vezes sinto que precisamos tanto disso quanto de sexo. É isso que cuida de nós".

Após "a fase de lua-de-mel", a relação se configura mais companheira, com enquadro nos projetos de longo prazo, segundo Iracema, mas a atenção para a vida a dois precisa continuar. "É importante sempre ficar atento ao elogio e diminuir as críticas negativas. A gente acaba tendo muitas obrigações e se falando só por conta delas. Carinhos, aquela mão boba, e até a investida em um novo brinquedo sexual precisam continuar em cena".
 

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