Equilíbrio

Eles se reinventaram após os 60 anos e foram em busca da verdadeira vocação

Divulgação
Marie Attia, 60, saiu da vida corporativa e tornou-se dona de um restaurante vegetariano Imagem: Divulgação

Melissa Diniz

Do UOL

Se você está achando que já passou da idade de buscar seus sonhos e tentar fazer algo diferente, pense de novo. Essas três pessoas têm mais de sessenta anos e provam que quando há vontade e criatividade, a vida pode ser totalmente renovada.

Marie usou a receita da família e abriu seu próprio restaurante  

Durante 16 anos, Marie Attia, 60, foi alta funcionária no jornal Folha de S. Paulo. Em 2011, quando foi desligada após um corte de pessoal, era gerente administrativa das redações, responsável por cuidar de toda a infraestrutura para cobertura de grandes eventos, como a Copa do Mundo de futebol. “Eu organizava tudo para que os jornalistas pudessem fazer seu trabalho. Era um trabalho muito estressante”, conta.

Após a demissão, Marie foi trabalhar em outra empresa de comunicação, mas percebeu que não era aquilo que ela queria fazer. “O mundo corporativo já não me atraía, sentia que precisava encontrar algo que tivesse um propósito maior. Estava com 55 anos e não tinha mais tempo a perder. Sempre gostei de cozinhar e de receber pessoas, foi aí que tive a ideia de resgatar uma receita de família, o falafel (bolinho de grão de bico típico da culinária do Oriente Médio).”

Usando o dinheiro da rescisão, ela e o filho Alexandre, 32, terapeuta holístico, juntaram-se a outros dois sócios, entre eles um chef de cozinha, e abriram o restaurante Vila das Rosas, em Pinheiros (zona Oeste de São Paulo). “No começo, nós só servíamos falafel, mas as pessoas pediam pratos, então nós criamos um cardápio para o almoço com pratos veganos e vegetarianos.”

Alexandre entrou com a parte das terapias, como reiki e leitura de aura, além e ajudar a mãe na área financeira e no marketing. “Hoje nós dois gerenciamos o negócio juntos. Eu trouxe uma bagagem administrativa do jornal e também da infância, quando ajudava minha mãe em sua loja no Bom Retiro. Mas devo muito a uma amiga, que é dona de restaurante, e me chamou para fazer eventos com ela logo que comecei nessa área. Foi um grande aprendizado.”

Hoje, o restaurante tem uma clientela cativa. “No almoço, eu e meu filho viramos garçons, adoramos conhecer pessoas e conversar com os clientes. Não posso dizer que tenha uma vida fácil, pois o negócio tem apenas dois anos e precisa de muito investimento, mas vivo melhor e sou mais feliz, tenho até tempo para fazer ginástica. Este processo todo de reinvenção aumentou minha consciência e ampliou meu autoconhecimento. Sou uma pessoa mais paciente”, diz.

Trabalho voluntário pôs fim ao sentimento de angústia  

Arquivo pessoal
Maria Cristina, 60, dedica-se ao terceiro setor Imagem: Arquivo pessoal

Maria Cristina Bechara Mussi, 60, nasceu em Mirassol, interior de São Paulo, mas vive na capital desde 1974. No ano seguinte, ela arranjou o primeiro emprego em um banco e permaneceu na carreira até 2004, quando precisou se aposentar. “Eu adorava o meu serviço e depois de alguns meses, começou a me bater uma angústia e agonia de não fazer nada. Então me lembrei da minha adolescência, época em que queria ser arquiteta.”

Em busca do sonho antigo, Maria Cristina fez um curso de decoração prática no Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial), durante um ano e oito meses, e tornou-se designer de interiores. “No curso, conheci uma colega, também aposentada do banco, e acabamos virando sócias. Trabalhamos durante dez anos fazendo projetos, reformas e acompanhamento de obras.”

Em 2016, com a crise financeira, as propostas de projetos tornaram-se difíceis de serem executadas. “Comecei a ter tempo livre de novo e resolvi me dedicar a outro sonho, trabalhar no terceiro setor.”

Maria Cristina começou então a trabalhar como voluntária em um projeto que promove passeios em São Paulo para crianças carentes de hospitais públicos, que estejam em tratamento contra o câncer. “Chama-se ‘Projeto Felicidade’. Trazemos uma média de oito a dez famílias de crianças que fazem tratamento em 37 hospitais públicos parceiros. As pessoas são hospedadas em hotéis conveniados e, durante uma semana, participam de diversões pela cidade.”

Ela também participa de várias outras obras sociais com a Equipe do Bem, que reúne doações para crianças carentes. "Acabei virando um polo de arrecadação e, com isso, conheci uma rede de pessoas que fazem trabalhos assim. Com isso, resolvi não mais fazer projetos de decoração, somente os sociais. Hoje sou realizada”

Ele realizou o sonho de infância e virou escritor 

Arquivo pessoal
Hamilton Bassitt, 72, recebe prêmio pela biografia que escreveu Imagem: Arquivo pessoal

Aos 72 anos, Hamilton Abrão Bassitt, de São Paulo, não se cansa de inovar. Formado em engenharia eletrônica pela Escola Politécnica da USP, em 1967, ele também fez MBA pela ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), em 2002.

“Fui recrutado pela Embratel em 1968 e recebi treinamento nos Estados Unidos para integrar o time que deveria modernizar o sistema de telecomunicações no Brasil. Foi uma época inesquecível, viajei por sete Estados e fiz dez cursos pela empresa.”

Interessado em acompanhar a evolução muito rápida da tecnologia, Hamilton aproveitou todas as oportunidades que a companhia ofereceu para crescer, fazendo parte de treinamentos, eventos e palestras. “Após 35 anos na empresa, eu me aposentei aos 60 anos.”

Ele passou muito tempo deprimido até decidir se reinventar. “Fiz vários cursos de escrita e literatura, pois meu sonho de infância era ser escritor. Hoje sou biógrafo."

Hamilton escreveu a história de um amigo que sofreu com ELA (esclerose lateral amiotrófica). O livro ‘Fragmentos de Memória’ foi um sucesso e ganhou um prêmio literário. "Meu plano é focar só em biografias e um dia criar um portal na Internet. Minha vida melhorou muito, faço o que quero, quando quero e como quero. Sinto-me feliz e em processo de evolução, porque tenho prazer em escrever e liberdade para criar.”

A família e os amigos adoraram a mudança. “Aquele velho mal-humorado que passava o dia todo na poltrona vendo televisão e lendo jornal morreu. Não faltam recursos e oportunidades para ter uma vida melhor. Basta querer.”

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