Comportamento

Demissexuais: para eles, não dá para pegar sem se apegar

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Imagem: Getty Images

Helena Bertho

Do UOL, em São Paulo

27/03/2017 04h00

Uma troca de olhares fortuita em uma festa ou um papo jogado fora em um balcão de bar podem evoluir para uma transa, que, quem sabe, marque o início de uma história de amor. Isso se os envolvidos não forem "demissexuais" -- a nova nomenclatura para definir aqueles que só desenvolvem o interesse sexual por alguém depois de conhecer e se interessar profundamente por sua personalidade.

"Se não rola uma conexão ou uma chavinha dentro de mim que faça o 'clique' com o cara, eu simplesmente não consigo me sentir atraída. É como se fosse um bloqueio", explica a designer Lídia Amêndola, 26 anos. Ela sempre se comportou assim, mas só recentemente conheceu o termo "demissexual" e se identificou. 

O grupo é parte da zona cinzenta que há na escala dos assexuais (aqueles que não gostam de sexo) e alossexuais (que adoram sexo, independentemente dos sentimentos). Entre eles, existe uma variedade grande de perfis que ainda está sendo estudada: um deles é o da demissexualidade. "Pelo pouco que sabemos, a ocorrência de atração sexual é tão rara para os 'demi', que, na maior parte de suas vidas, muitos não estão envolvidos romântica e sexualmente com ninguém", explica Elisabete de Oliveira, pesquisadora de sexualidade, relações de gênero e autora da tese "Minha vida de ameba", no qual identificou grupos de indivíduos assexuais.

"Eu procuro envolvimento romântico, por mais que queira sexo"

Mas veja bem, isso não quer dizer que os demissexuais não gostem de sexo. Eles apenas precisam de uma motivação maior para transar. “Tenho muito desejo. Mas a demissexualidade acaba me atrapalhando por ter mais dificuldade em me relacionar com as pessoas. Sempre procuro uma garota para um envolvimento romântico, por mais que eu também queira sexo”, conta L.O., 33. O entrevistado pediu para não ser identificado na reportagem, já que, por ser homem e não querer ficar com todas as mulheres que vê pela frente, acaba sofrendo com o machismo.

O rapaz começou a perceber que era diferente na adolescência, quando não sentia a necessidade de seus amigos de pegar meninas nas festas. Por isso, até hoje, ouve que é gay. "Não acho que a minha sexualidade seja da conta de ninguém. O que as pessoas pensam sobre mim é problema delas."

Arquivo pessoal
Para Lídia Amêndola, a atração só rola se houver algum tipo de conexão com a pessoal Imagem: Arquivo pessoal
Essa falta de entendimento é algo que as pessoas que se identificam com a categoria costumam enfrentar.  "Na forma como as relações são vistas hoje, o fato de não corresponder a uma investida já significa que você não está afim. Pelo menos no meu caso, isso faz com que eu tenha que ficar me explicando o tempo todo quando quero conhecer melhor a pessoa”, analisa Lídia. Ela também conta que uma vez já ficou com um homem sem sentir atração, só para demonstrar que estava interessada e queria levar o papo adiante. "Foi horrível para nós dois".

Mas o que exatamente é essa conexão?

A definição do termo "demissexual" ainda não foi totalmente desenvolvida pela ciência. "Para os especialistas em comportamento sexual, não está claro qual o significado que os demissexuais dão ao que chamam de 'envolvimento emocional' que dá origem a atração. Seria envolvimento romântico ou poderia ocorrer na amizade? Qual a intensidade desse envolvimento? A ocorrência da atração sexual para eles é única ou pode ocorrer várias vezes na vida? Essas perguntas só poderão ser respondidas por meio de pesquisa”, afirma a pesquisadora Elizabete Oliveira.

Enquanto a ciência busca repostas, os demissexuais vão encontrando nas experiências o que para cada um significa atração e sexo. Caso da empresária Karina Brandão, 49, por exemplo. "Sexo é uma consequência natural do encontro de duas pessoas que se enxergam por quem elas são e não como machos ou fêmeas". Para ela, não existe atração fora de um relacionamento. O que não vale para Lídia e L.O., ambos gostam de envolvimentos casuais, contanto que possam desenvolver uma conexão antes.

Não existem regras e, como defende Elisabete, "o interessante é entender o quanto o desejo sexual varia de pessoa para pessoa em intensidades diferentes." 

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