Comportamento

Família pode sofrer mais do que o próprio doente crônico, diz estudo da USP

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O estudo foi conduzido por uma psicóloga da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da USP (Universidade de São Paulo) Imagem: Getty Images

Do UOL

31/03/2017 13h01

Pesquisadores da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da USP (Universidade de São Paulo) descobriram que os familiares de pacientes com doenças crônicas, como câncer, derrame, diabete, deficiências auditivas e visuais e males do coração, podem sofrer mais do que o próprio doente.

Para chegar a esse resultado, a psicóloga Maria Augusta Silva Rosa, responsável pelo estudo, entrevistou cem pacientes e seus respectivos acompanhantes, por meio de um questionário, que abordava os aspectos social, ambiental e de qualidade de vida. Os doentes encontravam-se internados em hospital.

Para o “Jornal da USP”, Maria Augusta afirmou que os sintomas apresentados pelos familiares surgem devido às mudanças e adaptações que a família faz para atender às necessidades do adoecido.

“Para acompanhar o paciente, o familiar precisa deixar de realizar algumas atividades, e a família necessita adaptar-se a condições do ambiente que dão mais conforto ao paciente, mas geram incômodo para os não doentes”, disse a psicóloga. Ela ainda constatou altos níveis de ansiedade e depressão nos parentes dos doentes.

O estudo ainda avaliou o impacto da espiritualidade no bem-estar das famílias. Naquelas em que religiosidade e crenças pessoais eram mais presentes, o sofrimento era encarado de forma mais positiva.

Maria Augusta afirmou para o “Jornal da USP” que a realidade do sofrimento familiar sugere que sejam pensadas políticas públicas e estratégias de intervenções que considerem também a família e não só o paciente de doença crônica.

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