Comportamento

Casal abre mão de emprego, casa e carro para velejar pelo mundo com seu cão

Arquivo pessoal
Beto Toledo e Thaís Cañadó com seu cachorro, Google, no veleiro batizado como Shogun Imagem: Arquivo pessoal

Melissa Diniz

Do UOL

No final de 2014, o publicitário Beto Toledo, 35, foi passar o Réveillon em São Miguel dos Milagres, litoral de Alagoas, e voltou transformado. Ele e os amigos alugaram uma casa de praia onde ficaram por uma semana em contato direto com a natureza, em meio a uma paisagem paradisíaca. “Percebi que a população local vivia com pouco dinheiro e bem mais qualidade. Vi que não valia a pena ganhar mais apenas para sustentar um estilo de vida caro e estressante em São Paulo.”

Na volta, Beto contou à namorada, Thaís Cañadó, 26, coordenadora de estilo na marca de roupas Scarf-me, que gostaria de mudar totalmente de vida. “Não estava cansada, nem passando por uma crise pessoal, mas sou parceira. Estamos felizes juntos e decidi acompanhá-lo aonde quer que vá.”

Da terra para o mar

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Casal investiu R$ 200 mil entre compra e reforma do veleiro Imagem: Arquivo pessoal

Depois de pensar muito sobre como poderia realizar esta mudança, o casal decidiu vender tudo  – carro, apartamento, roupas – pedir demissão e viajar de barco pelo mundo com seu cachorro, o golden retriever Google. “Nós não sabíamos velejar, nem temos pessoas na família ligadas ao mar. Mas lemos a respeito e vimos que seria uma maneira econômica de viver, capaz de trazer a qualidade de vida que buscamos”, diz Beto.

O investimento em um veleiro usado, batizado como Shogun, foi de cerca de R$ 200 mil, entre compra, reforma e pagamento de impostos. Beto e Thaís fizeram também um curso de cinco dias em Ubatuba (SP) para aprender a velejar. “Aprendemos o básico e passamos quase todos os fins de semana do ano passado velejando e arrumando o barco, já treinando para a vida que queremos ter.”

Arquivo pessoal
O barco tem suíte, com cama de casal e closet Imagem: Arquivo pessoal

O veleiro Peterson de 33 pés com dois andares tem cerca de 60 m² de área privativa. É forte e resistente contra os ventos, tempestades e o mar, além de ser seguro e confortável.  Batizado de Shogun, é praticamente autossustentável. “O gasto de combustível é mínimo, dois litros de diesel por hora de navegação, pois usa a força dos ventos para se movimentar”, diz Beto.

Na parte de baixo fica a suíte com cama de casal, closet, banheiro, chuveiro, armários e uma mesa de navegação. A sala é integrada à cozinha, que tem pia, torneiras de água doce e salgada, fogão com forno e geladeira, e tanto a mesa quanto um dos sofás podem virar outras camas. Na parte de cima ficam a cabine de comando e uma área de lazer para tomar sol e fazer exercícios. A energia vem de uma bateria e de um painel solar.

Treinando o desapego

Diretor-geral de mídia na agência de publicidade VML, onde trabalha há nove anos, Beto já vinha guardando dinheiro desde muito cedo pois queria se aposentar com 35 anos. Em janeiro, ele avisou a empresa sobre sua decisão que, segundo ele, foi aceita com tranquilidade, e combinou que ficaria no cargo até o final de abril. “Eu investi em imóveis e quando eles valorizaram, vendi e apliquei o dinheiro em um fundo de renda fixa, que é uma aplicação bem segura. Com os rendimentos, conseguiremos pagar nossas despesas, estimadas em R$ 4 mil, sem precisar trabalhar.”

Beto e Thaís moram juntos há um ano em São Paulo e namoram há três anos. “Nós nos conhecemos em um grupo do Whatsapp formado por frequentadores de um bar de Sorocaba, interior de São Paulo, onde nascemos. Beto é DJ lá”, conta Thaís.

Diminuir o consumo e cortar despesas foram parte importante do planejamento do casal. “Antes, eu gastava muito dinheiro com roupas. Tinha muita coisa que não usava e comecei a me desfazer, vendendo na internet. Hoje, antes de comprar algo eu me pergunto se vai ter utilidade no barco. Se não for, não compro”, afirma Thaís.

Vida simples e mais saudável

Arquivo pessoal
Beto e Google, que ama nadar, na área de lazer do barco Imagem: Arquivo pessoal

A decisão de mudar de vida já trouxe muitas diferenças no dia a dia do casal. “O ano de 2015 foi muito difícil para mim, trabalhei muito, saía tarde e acabei engordando. Parte da transformação envolveu almoçar em casa todos os dias. Com isso, além de economizar, consegui manter uma dieta mais saudável e perdi 5 kg”, diz Beto.

As famílias receberam bem a notícia da mudança. “Minha mãe acha que somos jovens e temos mais é que aproveitar a vida”, diz Thaís. Já a mãe de Beto, diz ele, no começo estranhou um pouco, mas hoje é entusiasta da ideia. “Ela perguntou se eu tinha certeza de que era isso que queria, pois estava largando um bom emprego e um ótimo cargo, mas entendeu que já cheguei aonde queria”, explica.

Roteiro e diversão

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Casal ficará um ano na costa brasileira Imagem: Arquivo pessoal

Beto e Thaís vão iniciar a viagem em maio, após o Dia das Mães, sem data para terminar. “Vamos sair de Santos em direção a Ilhabela, Ubatuba, passando depois ao litoral do Rio de Janeiro, Paraty e outras cidades. No final do ano, queremos ir para Fernando de Noronha. A ideia é chegarmos ao Caribe no ano que vem, mas a rota está aberta e não sabemos quanto tempo ficaremos em cada local”, explica Beto. Em seguida, partirão para a Austrália, via canal do Panamá, e Europa pelo canal de Suez. Por fim, cruzarão o Atlântico de volta ao Brasil.

Eles pretendem manter apenas o plano de dados do celular para facilitar a comunicação com a família e amigos e também para que possam se conectar à internet. “Somos muitos fãs de Netflix, mas acho que não vamos repetir a bordo as maratonas de séries que fazemos aqui, pois haverá muitas atrações nas cidades pelas quais passaremos”, diz Thaís, que está aprendendo a pescar para que possa apanhar e preparar peixes  frescos enquanto estiverem velejando. “Vai ser uma delicia”.

Parte do plano é registrar a viagem em uma série de vídeos, que serão postados em seu canal no YouTube “Sailing Around The World”.

Preparativos e segurança

A entrada no exterior, explica Beto, é via alfândegas. “O processo é semelhante ao que acontece nos aeroportos. É preciso apresentar a documentação do barco, passaporte, vistos, carteira de vacinação (inclusive do cachorro) e, em alguns lugares, pagar uma taxa. O barco às vezes fica estacionado em marinas ou simplesmente ancorado. “Alguns locais pelos quais passaremos são ainda selvagens”, diz.

O casal afirma não se amedrontar por possíveis acidentes ou percalços da viagem. “Eu sou uma pessoa muito medrosa. Tubarões, por exemplo, me assustam. Mas vamos evitar áreas perigosas, como o Recife, e prefiro não pensar nisso, pois com medo não fazemos nada”.

Já Beto acredita que estarão bastante seguros no mar. “Eu tenho muito mais medo de andar de noite em São Paulo.”

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