Comportamento

Mexeu com uma mexeu com todas? Uma visão pró e uma contra do assunto

Reprodução/Instagram/caiapitanga
Atrizes e diretoras da TV Globo participam da campanha "Mexeu com uma, mexeu com todas" Imagem: Reprodução/Instagram/caiapitanga

Helena Bertho

do UOL, em São Paulo

A frase "Mexeu com uma, mexeu com todas" estampou camisetas de atrizes globais nas redes sociais nesta terça-feira. Sophie Charlotte, Drica Moraes, Tainá Muller, Tatá Werneck, Fátima Bernardes e outras publicaram imagens com a frase em protesto contra o assédio e em apoio à figurinista Susllem Tonani, que fez uma denúncia de assédio contra o ator José Mayer. Horas após o início da campanha, Mayer soltou uma carta em que admite o erro e pede desculpas.

Apesar do resultado positivo, a campanha traz à tona um questionamento: será que no dia a dia, vale a máxima de que alguém que mexe com uma mulher mexe com todas? Esse tipo de campanha é realmente válida ou apenas uma ação de mídia? O UOL conversou com duas ativistas, a feminista Mariana Varella e a anti-feminista Thais Godoy de Azevedo, 33, para saber o que acham do assunto. 

Arquivo pessoal.
Imagem: Arquivo pessoal.
"Mexeu comigo, mexeu comigo. Eu não estava lá, não tenho como saber o que aconteceu"

"Eu acredito em duas coisas: primeiro, que não existe gente santa, nem homem, nem mulher. E homens e mulheres são capazes de prejudicar o outro, simplesmente porque nós temos isso dentro da gente. Agora, sobre as atrizes que estão vestindo a camiseta, elas não me representam como mulher. Mexeu comigo, mexeu comigo. Eu não estava lá, eu não tenho como saber o que aconteceu e se você fizer isso, você está colocando todos os homens como abusadores. E mais uma vez eu falo algo que digo direto sobre o feminismo: isso é você culpabilizar toda a sociedade por algo que fizeram com você. O que eu percebo é que essas atrizes colocam o homem como o abusador, sem que escutem a versão dele, sem que haja uma investigação do que aconteceu, a gente toma partido só por ser uma mulher do outro lado. Sendo que se a história fosse o contrário, seria diferente.

Eu não estou dizendo que o que ele fez foi certo ou errado, porque eu não estava lá. Mas o fato de as mulheres só defenderem mulheres, isso mostra que elas não olham os seres humanos como seres humanos, elas estão selecionando sua raiva. Então elas escolhem se mexeu com uma mulher, mexeu comigo. Mas e se uma mulher mexe com um homem?

Eu acredito que no dia a dia as mulheres normais não defendem as outras cegamente. Esse conceito de sororidade é algo das feministas. É um movimento de se ajudar que está muito mais na teoria do que na prática, as mulheres não estão dispostas à sororidade como elas gostariam que fosse. Estão muito mais cada uma na sua, cuida da sua vida, sabe? Eu acho que a mulher é muito mais fiel, vamos dizer assim à sua família, aos próximos, do que com seu gênero. Homens são mais leais nesse quesito, no meu ponto de vista.

Em um caso de assédio eu acho que é mais capaz de um homem me defender, do que uma mulher. Eu estou pensando em cenários que já presenciei várias vezes, de situação de abuso, em que homens foram defender, mas as mulheres não".

Thais Godoy Azevedo, 33 anos, professora e ativista anti-feminista

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
"Falar que mexeu com todas é dizer que não queremos que aconteça com mais ninguém"

"Tem poucos assuntos que unem as mulheres como o assédio. Não importa a raça, a idade, o nível social, todas as mulheres na vida já passaram por assédio, constrangimento ou violência sexual. E quando a gente coloca isso de "mexeu com uma, mexeu com todas", estamos deixando claro que não queremos que aconteça com mais ninguém.

E está começando um movimento de as mulheres se identificarem, perceberem o quanto é importante a união entre as mulheres. Estamos vendo que quando nos unimos em uma campanha ou na divulgação de uma história, isso ganha força, ajuda a quebrar o silêncio. 

É claro que no dia a dia muitas mulheres ainda têm dificuldade de dar apoio a outras. O assédio conta muito com o silêncio das vítimas e de toda a sociedade, inclusive de outras mulheres, porque ele acontece numa estrutura de poder. O assediador mexe com meninas mais jovens ou que ocupam cargos inferiores, então é mais difícil denunciar, mesmo se for uma colega que estava ali e viu. É uma situação difícil e dá medo.

Por isso é tão importante que haja uma denúncia dessa e uma campanha que coloca como uma coisa coletiva. Tira dessa esfera individual. Quanto mais casos tiverem repercussão e algum tipo de consequência para o assediador, mais pessoas terão coragem de quebrar o silêncio".

Mariana Varella, 43, jornalista e ativista feminista

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