Comportamento

"Rainha da sucata" da Paraíba se forma e leva latinhas para a festa

Adriana Nogueira

Do UOL

05/04/2017 14h38

Luciene Gonçalves, 35 anos, e o marido, Pedro Filemon, 35, revezam-se comprando sucata e revendendo em Sousa, cidade a 433 km de João Pessoa (PB). Foi com o dinheiro dessa atividade que o casal conseguiu, no fim de 2016, concluir a primeira graduação de cada um, em uma faculdade particular do município. Ela em serviço social e ele, em administração. Com o dinheiro curto, apenas Luciene teve festa, e ela decidiu homenagear o marido em grande estilo na sua comemoração.

Ao ser apresentada com uma das formandas, ela desceu a escadaria da casa de eventos ao som de “Me Chama que Eu Vou”, tema da novela “Rainha da Sucata” --novela da Globo de 1990-- cantado por Sidney Magal, segurando barbantes carregados de latinhas de alumínio.

“Até o último momento, tentei que ele tivesse formatura também, mas ele falava: ‘A gente não tem condições de pagar duas festas’. Nada mais justo que eu fizesse essa homenagem para ele”, fala.

O gesto de Luciane foi uma surpresa para toda a família. Ela não contou para ninguém, nem mesmo para a amiga a quem pediu que filmasse a sua entrada. “Minhas amigas do curso tiveram de chamar o Pedro e meus outros parentes para a frente da escada, porque eles ficaram de longe olhando, sem acreditar.”

Ela e o marido pararam de estudar no ensino médio para trabalharem e cuidarem das filhas, de 14 e 12 anos. Parceiros na atividade de comprar e vender sucata, eles conciliaram durante um ano a jornada dupla de trabalhar durante o dia e estudar à noite, quando chegavam em casa.

David Silva/Alian Eventos
Luciene Gonçalves e o marido, Pedro Filemon Imagem: David Silva/Alian Eventos
Durante os quatro anos de curso, ambos enfrentaram não só o orçamento mais apertado com as duas mensalidades, mas também alguns revezes.

“Fomos enganados em um negócio no depósito e perdemos dinheiro, e Pedro pensou várias vezes em desistir do curso. Insisti muito para que ele continuasse. Meu pai ficou doente [está à espera de um transplante de rim] e tinha de levá-lo para fazer hemodiálise três vezes por semana, trabalhar e cuidar da minha casa e filhas. Fui chorando muitas vezes falar na coordenação do curso que ia desistir. O coordenador falava para mim: ‘Vai desistir, não, vai para a aula’.”

Escondida do marido, Luciene preparou os barbantes com latinhas que carregou na sua entrada no baile. A coroa que usou na festa foi garimpada da sucata que um catador levou até o seu depósito. “Na hora que vi, separei pensando em usar na festa. Do lixo eu tirei o luxo de poder estudar”, fala ela, que sonha em poder conciliar as duas atividades profissionais. “Quero achar um jeito de poder trabalhar com sucata de dia e com serviço social, à noite. Tenho energia para isso.”

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