Comportamento

Pensando em fazer terapia? Veja qual linha combina mais com você

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Helena Bertho

do UOL, em São Paulo

07/04/2017 04h00

Não está conseguindo lidar com a pressão dos chefes? A vida amorosa não vai bem? A autoestima está lá embaixo? Os motivos que levam as pessoas a procurarem terapia são muitos e a escolha da linha psicoterápica não precisa ser mais um motivo de angústia. "Os métodos de psicoterapia são diferentes uns dos outros. Nem toda pessoa combina com todo tipo de linha e vale à pena ler sobre antes de começar e conversar com pessoas que já fizeram", explica a coordenadora do curso de psicologia da PUC- SP, Paula Peron.

Vale saber que dentro da psicologia tradicional existem cinco principais linhas terapêuticas: psicanálise, terapia analítica, psicodrama, psicologia comportamental e Gestalt. Mas cada vez mais têm ganhado espaço métodos de terapias alternativos, que não são baseados nos autores estudados pela psicologia, como a constelação familiar.

Para ajudar você a escolher qual a melhor para você, conversamos com especialistas e contamos aqui um pouco mais sobre cada linha terapêutica – tradicional e alternativa.  

Linhas psicoterápicas tradicionais

São aquelas estudadas nas faculdades de psicologia e reconhecidas pelos Conselhos da profissão. Apesar de existirem estas cinco linhas principais, dentro de cada uma existem variações e subcategorias que variam um pouco.

Psicanálise

Baseada nos estudos de Freud, ela trabalha com a premissa de que temos um inconsciente, onde acontecem processos psíquicos que podem explicar nossos conflitos. O psicanalista através da sua fala ou dos relatos de sonhos vai procurar entender o que o seu inconsciente está expressando, para te conduzir a tornar isso consciente e lidar com as questões. Trabalha muito a ideia de traumas gerados no passado.

Como são as sessões: o paciente fala, o psicanalista conduz através de perguntas e comentários.

Duração da terapia: não tem prazo definido, podem ser anos.

Indicada para: quem prefere um processo mais profundo e lento.

Terapia analítica

Foi criada por Jung, um discípulo de Freud. Também parte da ideia do inconsciente, mas acredita que existe um inconsciente coletivo, símbolos que têm o mesmo significado para todas as pessoas. Na terapia analítica, o profissional tenta interpretar como esses símbolos aparecem nos relatos do paciente, para que ele possa entender os processos que acontecem no seu inconsciente e levam ao sofrimento.

Como são as sessões: o paciente fala e o terapeuta conduz através de perguntas e comentários.

Duração da terapia: não tem prazo definido.

Indicado para: quem prefere um processo mais reflexivo e lento.

Psicodrama

É uma terapia geralmente feita em grupo, baseada na encenação improvisada dos conflitos. Ela parte da ideia de que as questões são fruto das relações estabelecidas pela pessoa desde a infância e propõe uma retomada dessas experiências durante o processo terapêutico.

Nas sessões, primeiro o grupo discute um tema, quando surge um protagonista. Em seguida é feita a encenação, quando o protagonista contracena com os demais, que assumem os papeis coadjuvante ligados ao tema. Por fim o grupo compartilha seus sentimentos em relação à cena. Quem conduz tudo e dirige a cena é o terapeuta.

Duração da terapia: não tem prazo definido.

Indicado para: quem prefere algo mais movimentado e gosta de trocas e de compartilhar com outros.

Psicologia comportamental

Trabalha com a análise do comportamento da pessoa, sem uma grande preocupação com uma investigação da interioridade e do inconsciente. Olhando para os comportamentos que a pessoa tende a repetir em determinados contextos, a terapia procura fazer com que isso seja cada vez mais perceptível, para sem seguida ser mudado.

Como é a sessão: o paciente fala e o psicólogo ouve e conduz. Podem ser usados exercícios de relaxamento e respiração e também haver a designação de tarefas para casa, com preenchimento de formulários ou leituras.

Duração da terapia: não tem prazo definido.

Indicado para: quem procura um resultado mais rápido e um processo mais ativo.

Gestalt

Procura entender a fala do paciente como um todo. Tem menos preocupação com os fatos em si e mais com a forma como o sujeito interpreta a vida, olhando para a maneira como ele organiza seu pensamento e o expressa. O foco é todo no momento exato da terapia, no aqui e agora, e na relação do paciente com o terapeuta, com objetivo de que ele tome consciência do que diz e faz, para depois reproduzir essa tomada de consciência fora do consultório.

Como é a sessão: o paciente fala e o terapeuta conduz de maneira mais ativa, fazendo observações sobre o que acontece ali.

Duração da terapia: não tem prazo definido.

Indicado para: quem prefere uma percepção mais direta das relações que tem com o mundo ao seu redor.

Terapias alternativas

Existem linhas de terapias alternativas, que envolvem outras técnicas além das estudas pela psicologia em sua metodologia de trabalho.

Constelação familiar

Em moda no Brasil, essa terapia considera a pessoa como parte de uma trama de relações que vêm de várias gerações. Cada indivíduo é uma estrela no que seria uma constelação da família toda. E dentro disso, um sofrimento de agora pode ter origem em um conflito mal resolvido de pessoas que vieram antes. Para enxergar esse conflito, é feita uma sessão em grupo em que, sem conversar com o paciente, desconhecidos assumem papeis das pessoas envolvidas em sua vida. Essas pessoas captariam as informações sobre a questão de um círculo de energia que se formaria entre os participantes. O paciente, ou "constelado", ao ver seus conflitos encenados de fora, tem uma visão diferente sobre o que lhe causa sofrimento.

Como é a sessão: podendo durar de 20 minutos a mais de duas horas, ela é feita com uma pessoa começando a assumir um papel indicado pelo constelador. A partir daí, outras pessoas podem assumir outros papeis e interpretar situações. O constelador, ou terapeuta, apenas observa e analisa, assim como o paciente.

Duração da terapia: uma sessão pode ser suficiente.

Indicado para: quem quer algo bem rápido.

Somaterapia

Criada no Brasil, essa metodologia terapêutica parte da ideia de que os indivíduos estão inseridos na sociedade e em um contexto político e isso tudo influencia o que lhe causa sofrimento. A terapia é em grupo e envolve exercícios físicos que usam diversas técnicas de capoeira a teatro e conversa. É considerada uma terapia anarquista.

Como é a sessão: dura três horas e começa com 40 minutos de exercício físico, seguido de conversa sobre os sentimentos despertados na atividade.

Duração da terapia: um ano de sessões semanais.

É indicada para: pessoas que se alinham a uma visão de grupo e valorizam a política em suas vidas, sem doenças psiquiátricas e com capacidade física para os exercícios.

Terapia de Regressão

Antes era chamada de terapia de vidas passadas. Nela, acredita-se que as pessoas têm almas imortais que passam por várias vidas em vários corpos. E os sofrimentos de hoje podem ter origem em algo que acontece em outra vida. Através da respiração ou relaxamento, o terapeuta coloca a pessoa em um estado de semiconsciência, no qual é conduzida a se lembrar dos momentos traumáticos do próprio passado, de dentro do útero ou até de outras vidas. Ao se lembrar, a pessoa reprogramaria sua relação com o sentimento e, com o tempo, supera o trauma.

Como é a sessão: primeiro é feita uma sessão de entrevista, em que o paciente faz suas queixas. Na sessão de regressão, com um exercício de relaxamento, o terapeuta coloca o paciente em estado de quase transe e conduz seu pensamento. O paciente se lembra de tudo.

Duração da terapia: duas entrevistas e duas sessões de regressão.

É indicada para: pessoas que acreditem na ideia de vidas passadas.

Fontes: Paula Peron, coordenadora do curso de psicologia da PUC-SP; Diva Lúcia Gautério, presidente do CRP-RJ; João da Matta, psicólogo somaterapeuta; Mário Koziner, psicoterapeuta e psiquiatra; Suely Molitermo, psicoterapeuta especialista em regressão de memória. 

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