Comportamento

"Baleia Azul" e suícidio: escolas buscam meios de falar do tema com alunos

Getty Images
Jogo "Baleia Azul" está causando pânico nas casas e nas escolas Imagem: Getty Images

Helena Bertho

Do UOL, em São Paulo

21/04/2017 04h00

As notícias --e também os boatos-- sobre o jogo da Baleia Azul têm tirado o sono dos pais de adolescentes. Por isso, as discussões em torno do game online que incitaria jovens ao suicídio viraram assunto nas escolas. "Há uma situação de pânico geral. Os pais estão desesperados, as crianças curiosas e os professores sem saber como lidar com tudo isso", analisa a advogada Alessandra Borelli, da empresa de educação digital Nethics. 

Alguns colégios estão tentando aproveitar o assunto de forma positiva. Educadores viram em toda a comoção em torno do jogo uma oportunidade de trazer para o debate questões como a valorização da vida e proximidade dos pais na rotina dos adolescentes. No colégio Jardim Anália Franco, em São Paulo, por exemplo, a decisão foi não falar do Baleia Azul nem do tema do suicídio. "Estamos abordando o assunto indiretamente, em ações preventivas. Aderimos ao jogo da Baleia Rosa e estamos propondo desafios do bem para os alunos. Também aproveitamos os momentos em sala e fora dela para trazer mais afetividade para os alunos", explica a diretora pedagógica, Nevinka Saavedra.

Em outro colégio paulistano, o Fecap, a solução foi criar uma versão própria de um game resposta. Logo que a história do Baleia Azul surgiu, os professores da escola propuseram que os alunos do curso técnico de desenvolvimento de jogos online criassem um contra-jogo, que focasse em tarefas do bem. "Em debate com os alunos, foram criados 15 desafios que falam sobre o que é bom, o que faz bem para eles. Criamos todo um clima no colégio sobre isso e tiramos o foco do lado ruim da questão", explica a professora Evelyin Cid.

Papo direto com os pais e alunos

Em outras instituições de ensino, o caminho escolhido tem sido falar diretamente sobre o assunto com os pais e alunos. A advogada Alessandra Borelli conta que nas últimas semanas recebeu diversas solicitações para que abordasse o jogo, como lidar com ele e tirasse dúvidas em palestras para familiares e estudantes.

"É importante que os pais conversem com os filhos e observem seu comportamento. Os jovens estão cheios de dúvidas e medo. Adolescentes me perguntaram, por exemplo, o que fazer caso sejam convidados a jogar", conta Alessandra. "Tem muita informação falsa circulando, o que ajuda a promover esse clima de medo. Eles acham que não vão poder sair do jogo, por exemplo, e isso não é verdade", conta a advogada. Para ela, apesar do papel da escola ser importante, é indispensável que os pais lidem com o assunto.

Alguns colégios têm optado por enviar circulares e notificações para os pais avisando da necessidade de que lidem com a questão dentro de casa e com orientações de como agir e conversar com os filhos.

É o caso do colégio Dante Alighieri, em São Paulo. Segundo a coordenadora educacional Elenice Ziziotti, os pais vão receber um comunicado ressaltando a importância de uma conversa na família sobre o tema e com recomendações de textos e áudios sobre o assunto.

A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo está adotando a mesma postura, enviando para as escolas uma orientação para que incluam as famílias na conversa, dando continuidade a programas de combate ao bullying e atenção aos alunos que já existiam anteriormente.

Algumas escolas optam por não falar do assunto

Na Psicologia e na Psiquiatria fala-se da existência do chamado "efeito Werther", que defende que quando se aborda o tema do suicídio, a tendência é que as pessoas imitem os relatos e os números aumentem. O nome do termo veio do personagem que tirou a própria vida no livro "O Sofrimento do Jovem Werther", de Goethe. Logo após o lançamento da publicação, houve uma grande onda de suicídios e sua venda chegou a ser proibida em alguns países.

Baseadas nisso, algumas escolas, como o Colégio Positivo de Joinville, SC, têm optado por não tratar do jogo da Baleia Azul ou do tema com os alunos, para evitar que eles se inspirem no relato. 

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