Comportamento

Professor canta para distrair crianças durante tiroteio e comove a web

Patrick Mesquita

Colaboração para o UOL

31/05/2017 10h08

Um gesto nobre modificou a vida de Roberto Ferreira. O professor de educação musical viralizou na internet após aparecer em um vídeo cantando para distrair seus alunos enquanto um tiroteio acontecia do lado de fora do Ciep Roberto Morena, em Paciência, Rio de Janeiro.

Nas imagens, o docente toca violão e canta enquanto as crianças dançam no corredor da escola, sem se preocuparem com o caos que se instalava na região. O registro ganhou repercussão nas redes sociais e fez do professor um "herói" local. De acordo com Roberto Ferreira, a fama repentina tem sido um susto, mas também uma alegria muito grande.

Reprodução/Facebook
Imagem: Reprodução/Facebook

Um exemplo foi a agenda desta terça-feira (30). O professor acordou por volta das 5 horas e não parou mais de atender diversos veículos de imprensa.

“Eu recebi com muita surpresa e alegria. Em três dias chegou a 200 mil visualizações e mais de seis mil comentários. Foi muito importante para a minha vida. Eu nunca tinha passado por isso. Me assustei muito com a repercussão. Ainda estou vivendo esse momento, essa experiência”, conta em entrevista ao UOL.

Roberto Ferreira afirma que a ideia de cantar em uma hora tão conturbada já era trabalhada na cabeça, ainda mais quando se trabalha com quase 30 crianças com aproximadamente sete anos de idade. Assim, ele propôs uma “aula diferente” e o resultado foi melhor do que o esperado.

“Tudo aconteceu como sempre acontece: inesperadamente. Essas coisas não marcam hora. Eu estava em sala de aula, como sempre, com 30 crianças, e começou aquele intenso tiroteio muito próximo ao local onde estávamos. Eu já vinha me preparando para essa situação e decisão rápida”, aponta o docente, que trabalha na escola há mais de uma década.

"Então, eu tirei as crianças da sala de aula e disse: 'vamos fazer uma aula diferente e cantar no corredor'. Tudo limpo. Elas sentaram e ficamos cantando, gesticulando durante 30, 40 minutos. Nisso, outros professores decidiram tirar os outros alunos da sala. Virou uma dinâmica que resolveu o problema de todo mundo. Ninguém entrou em pânico. Muitos nem perceberam o que estava acontecendo. Essas músicas são cantadas na linguagem em libras e outras têm coreografias. Elas amam este tipo de aula. Mas ali elas tinham que ficar sentadas e tive um trabalho a mais, já que na sala de aula elas ficam em pé", completa.

Apesar de confirmar que a situação caótica se repete na região toda semana, o professor evita usar a palavra “normal” para descrever a recorrência do caso.

Música como ‘arma’

Professor, músico e compositor há mais de três décadas, Roberto Ferreira cantava no vídeo que viralizou uma canção que se chama “Criança Esperança”, composição feita ao lado de Paulo Ribeiro. O educador, nascido em Xerém, afirma que a música é sua “arma” contra a violência.

"Eu dou aula há 35 anos. A música, meu violão, minha flauta, meus instrumentos são minhas armas para combater essa violência, essa mancha na sociedade, esse momento de medo. Então, por meio da música, muita coisa amenizada”, destaca.

Mesmo calmo em uma situação de risco iminente, Roberto Ferreira não esconde a insatisfação com o sistema educacional do Rio de Janeiro. De acordo com o professor, não há condições de trabalhar. 

“A educação no Rio eu vejo como deficiente, porque não tá dando para trabalhar como se deve e como se pode. Você vê pelos números, que respondem melhor. Mas você vê também o número de comunidades, onde as escolas estão, que não podem trabalhar e atender seus alunos pelos tiroteios, pela violência. É lamentável. Agora, sabemos que tem muito material bom, um esforço muito grande da Secretaria Municipal de Educação. Quantos alunos não deixam de ter aula? O ano letivo completamente prejudicado, cerceado pelos tiroteios. Vejo a educação como uma pessoa chorando, em lágrimas, e você não conhece essa pessoa, mas sabe que ela está precisando de ajuda”, critica.

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