Comportamento

"Rainha da faxina" usa memes e paródia de séries para bombar nas redes

Reprodução/Facebook
Cartaz de Veronica inspirado na série Orange is The New Black Imagem: Reprodução/Facebook

Helena Bertho

Do UOL

04/07/2017 04h00

Depois de enfrentar uma depressão e até a pensar em suicídio, Veronica Oliveira começou a fazer faxinas para pagar as contas. Ela usou as redes sociais para transformar suas limpezas em um negócio de sucesso que mudou sua vida.

"Quem gosta de ficar postando 'antes e depois' da beleza é adolescente. Eu posto mesmo é antes e depois da limpeza. Sou faxineira, com muito orgulho, e, além do rodo e da vassoura, as redes sociais também são ferramentas de trabalho para mim. Com minha criatividade, divulgo meu trabalho e foi assim que consegui mudar a minha vida e dos meus filhos.

Sou mãe de dois: minha menina tem 17 e meu menino tem 8 anos. Por muito tempo, trabalhei como operadora de telemarketing e com isso criava meus filhos sem luxo, mas bem. Em 2015 a empresa que eu trabalhava faliu e eu fui para a rua com uma mão na frente e outra atrás, sem receber nenhum dos meus direitos.

Fiquei desempregada muito tempo e, como morava de aluguel, não conseguia mais pagar. Mudei para um quarto de pensão. Três metros quadrados ocupados com cama, geladeira, mesinha e dois colchões que descia à noite para as crianças dormirem.

Nossas roupas ficavam guardadas debaixo da cama e compartilhávamos o banheiro com outros 40 moradores do lugar. Era horrível. Mas eu esperava que fosse temporário."

"Tomei todos os remédios que tinha em casa"

"O problema é que não foi temporário. Quando finalmente arrumei um emprego, ganhava um salário mínimo e, depois dos descontos ficava com R$ 700 para todas as contas. Era R$ 500 só para o aluguel e mal sobrava para comprar comida. Eu nem saía de casa, porque não tinha muito como.

E o clima lá na pensão era horrível, um ambiente pesado que me fazia mal.

Isso tudo fez com que eu entrasse em depressão. Não tinha vontade de nada, era uma guerra sair da cama para trabalhar e às vezes nem ia, ficava prostrada. Até que em dezembro de 2016 cheguei no limite e um dia tomei todos os remédios que tinha em casa, mais de 120 compridos.

Na hora que percebi o que tinha feito, me arrependi, eu não queria morrer! Mandei uma mensagem num grupo de amigos que chamaram minha filha que voltou correndo para casa, chamou uma ambulância e salvou minha vida.

Mas do hospital eu fui mandada direto para uma clínica psiquiátrica, onde tive apoio médico e de terapeutas para colocar minha cabeça no lugar. Foi lá que decidi que precisava mudar minha vida. Não sabia como, mas precisava."

"Fazer faxina me deixava feliz"

"Quando tive alta, mais uma notícia ruim: levaria três meses até eu poder fazer a perícia do INSS para voltar a trabalhar e a empresa não me pagaria enquanto isso. Se com R$ 700 já estava ruim, imagina com nada!

Uma amiga, vendo minha situação, um dia me chamou para limpar sua casa. 'Eu estou doente e a casa está uma zona, faz uma faxina e eu te pago', ela disse. Eu não podia recusar dinheiro e fui. E fiz uma faxina maravilhosa, deixei tudo tinindo.

Ela curtiu tanto que mandou foto para seus amigos da faculdade e eles pediram meu contato. Assim, meio sem querer, eu comecei a fazer faxina e percebi que eu gostava bastante. Mas precisava de mais clientes.

Foi aí que resolvi divulgar na internet e fiz uma pesquisa de como as pessoas faziam isso. Era um negócio muito deprê, essa coisa de 'estou passando dificuldades e preciso fazer faxinas'. Até era real, mas eu não ia fazer isso, seria diferente."

Reprodução/Facebook
O primeiro cartão de Veronica Oliveira que viralizou nas redes sociais Imagem: Reprodução/Facebook
"Meu cartão de visitas viralizou"

"Eu gosto muito de séries de TV e tive a ideia de fazer um cartão no estilo do advogado da série Better Call Saul. Com ajuda do meu ex-namorado, porque nem computador eu tinha, fizemos uma montagem colocando meu telefone e minha cara no cartão do programa da TV.

Quando postei, aconteceu algo inacreditável: o negócio viralizou e meu cartão teve mais de 10 mil likes! Comecei a receber telefonemas agendando faxina e também mensagens de faxineiras contando suas histórias e de gente elogiando meu cartão. Até ligações de bêbados de madrugada teve.

Foi estranho, mas eficiente: de repente eu estava trabalhando a rodo."

"Fico amiga dos meus clientes"

"Fiz uma página no Facebook, a Faxina Boa, onde comecei a divulgar o meu trabalho. Sem saber nada de marketing, no instinto mesmo, eu criava cartazes engraçados inspirados em filmes e séries. Também postava crônicas, relatos, do meu trabalho e as playlists que ouvia para trabalhar. Sempre com muito bom humor, fui conquistando cada vez mais clientes.

É claro que de nada serve o marketing se o trabalho não é bom? E eu sou muito boa em faxina, gosto de tudo limpinho. Quando começo, parece que baixa um negócio e limpo como se a casa fosse minha. E no fim vem aquela sensação de gratificação, dever cumprido. Deixo a casa impecável e sempre um bilhetinho fofo para o cliente.

O pessoal gosta tanto que muitos clientes se tornaram amigos. Teve gente que me chamou para jantar, que já saiu comigo e até um publicitário que me deu de presente vários cursos de marketing e mídia, para melhorar o que eu já fazia bem nas redes sociais!"

Reprodução/Facebook
Imagem: Reprodução/Facebook
"Aluguei um apê e consegui viajar"

"Minha vida estava melhorando, eu ganhava o suficiente para viver bem, mas ainda não conseguia sair daquela pensão que me fazia tão mal, porque precisava de um valor muito alto de depósito para alugar um canto meu. Então comecei a falar disso com as pessoas e um cliente que eu nem conhecia um dia disse que iria fazer uma vaquinha para me ajudar a sair de lá.

Fiquei com vergonha, mas aceitei, achando que ninguém ajudaria. Mas para minha surpresa, ajudaram! Muita gente. Tanto que deu para eu pagar o aluguel de um apê, o depósito de entrada e sobrou até para um carreto da mudança.

Em março de 2017, eu e meus filhos nos mudamos para um apartamento lindo, com dois quartos e até playground e daí sim minha vida ficou plena!

Com as faxinas realizei outro sonho: viajar. Sempre quis voar de avião, mas nunca tinha grana. Então pensei que podia fazer faxina em outro lugar e com isso bancar meu passeio. Postei que ia rolar um #tourfaxinaboa e consegui clientes no Rio. Limpei três casas e passei três dias lá em junho. Foi animal. Trabalhei e passeei muito na cidade maravilhosa. Os clientes me levaram para sair e teve uma que até pagou um Uber para eu conhecer a cidade!"

"Meu trabalho merece valor"

"A vida que eu levo hoje como faxineira é a melhor que já tive. Tem mês que tiro até R$ 3500 com meu trabalho e me vejo como uma empreendedora. Eu não só faço o meu trabalho, mas estou também sempre pensando em formas de me divulgar e trazer uma imagem legal para o que eu faço.

Inclusive, acho que por isso acabo pegando os clientes mais legais. Foram poucas as vezes em que passei por situações de preconceito, de maneira geral o pessoal me trata muito bem.

Minha avó foi empregada doméstica e, em 30 anos de serviço, ela nunca foi convidada para comer na mesa com a chefe dela. Queria que ela pudesse ver como eu vivo e como as coisas mudaram. Hoje eu faço faxina com orgulho e sou respeitada. Eu sento sim na mesa com meus clientes e eles sabem que meu trabalho tem tanto valor quanto os deles."

 

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