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Vida Real: Ela se casou com o cunhado e é mãe de primos-irmãos

Reprodução/Instagramleonegabriel
Em "Os Dias Eram Assim", Renato (Renato Góes) casou com Rimena (Maria Casadevall) e seu irmão Gustavo (Gabriel Leone) se apaixonou por ela Imagem: Reprodução/Instagramleonegabriel

Amanda Serra

Do UOL

02/08/2017 10h41

Na supersérie “Os Dias Eram Assim”, Gustavo (Gabriel Leone) se apaixonou por Rimena (Maria Casadevall), esposa de seu irmão Renato (Renato Góes). Cada vez mais próximos, os cunhados um dia finalmente transaram e ela, eventualmente, engravidou. A ficção levou parte do público a torcer para que o casal termine junto — uma possibilidade da trama criada pelas autoras Ângela Chaves e Alessandra Poggi que não está muito longe da realidade. Afinal, quem nunca ouviu uma história de envolvimento amoroso entre cunhados?

Em 1976, Paula* vivia em Cambuí, uma cidade com 26 mil habitantes em Minas Gerais. Aos 14 anos, se envolveu com Bruno* e perdeu a virgindade. Quando sua família descobriu, foi obrigada a se casar com ele.

“Minha mãe sempre falava: ‘aprontou tem que casar, nem que seja para separar na porta da igreja’. Eu casei, mas depois de quatro anos, já com dois filhos, senti que não era mais a mesma coisa. O amor já não era mais o mesmo, o sexo já não rolava mais. Eu passava a maior parte do tempo cuidando das crianças e fazendo bicos como cabeleireira. Amanhecia e eu estava sozinha em casa. A verdade é que eu não era feliz. Achava que estava apaixonada, mas era uma ilusão”, conta ela em depoimento ao UOL.

Após 13 anos de casamento, Paula, 41, se separou e se uniu a César*, seu cunhado. Eles já estão juntos há sete anos. Aqui, ela relata sua história e conta como é ser mãe de primos-irmãos — ela tem um casal de filhos de cada relacionamento.

Como me apaixonei pelo meu cunhado

Reprodução/Instagramrenatogoess
Imagem: Reprodução/Instagramrenatogoess

"Quando casei, fui morar na casa dos fundos do terreno dos meus sogros. O César também morava lá. Era ele quem me ajudava com os meus filhos. Sempre muito presente na vida do meu caçula, jogava bola, saía para andar de bicicleta. Já o Bruno era muito distante dos filhos, Gabriel e Luana*.

Por muito tempo, não olhei para o César como homem e não percebia nenhuma intenção da parte dele. Até que, em uma festa, trocamos olhares pela primeira vez.

Logo depois dessa situação, precisei ir à casa da minha sogra pegar o ferro de passar e ele se prontificou a me ajudar. Foi então que demos o nosso primeiro beijo. Era uma situação angustiante, eu não tinha com quem desabafar.

Ficou aquele clima. Um tempo depois, estávamos na minha casa assistindo uma cena de ‘Tieta’ e ele me beijou, disse que me amava e avisou que aquele seria o nosso último beijo. Mas minha sogra flagrou a cena e foi um escândalo. Meu outro cunhado quis me agredir, o César me defendeu. Depois da confusão, voltei para a casa da minha mãe.

A volta com o ex

O Bruno alugou um carro de ‘loucura de amor’ — com vídeo, alto-falante e implorou para retomarmos o casamento. Acabei voltando pela pressão de amigos e da minha mãe, mas eu já não queria estar com ele, que ainda construiu um muro separando as duas casas.

Eu comecei a trabalhar como cabeleireira em casa. O César me ligava e passávamos a tarde inteira conversando. Foi neste momento que decidi: eu precisava me separar o quanto antes.

De repente, grávida

Foram anos terríveis. Eu levava as crianças ao psicólogo para que eles compreendessem a separação, ia ao fórum para tentar adiantar o divórcio e tentava lidar com aquele sentimento todo. Quando o meu caçula do primeiro casamento estava com seis anos, engravidei do César. Fiquei desesperada. O Bruno sugeriu assumir a criança como se fosse dele, mas eu não quis. Não ia viver assim.

Em meio a essa situação, o César ligou para minha mãe, disse que queria assumir o meu filho. Ele ouviu xingamentos, ameaças. Saí de casa definitivamente, não teve briga ou palavrões entre os irmãos. Até hoje, eles não se falam, mas convivem. O César me assumiu grávida e acolheu meus filhos, os sobrinhos dele.

Sempre fui muito católica e cheguei a me sentir culpada. Porque de acordo com a lei da Bíblia, eu não podia ter me apaixonado pelo meu cunhado. Mas eu tinha apenas 14 anos quando casei, não sabia o que era amar. Só soube o que é o amor quando fiquei com o César.

Enfrentei tudo e todos, não foi fácil. Mas não me arrependo de nada. Meu marido é um homem bom, um pai presente, faz questão de se declarar para mim todos os dias, às vezes estamos em casa e liga para dizer 'bem, te amo viu' [risos]. Tive que passar por três cirurgias no rim, retirar o útero, fazer dieta por causa da diabete e ele sempre esteve ao meu lado.

O César nunca me desrespeitou. Aquele amor segue vivo. Ele sempre fala: ‘Te esperei por 18 anos da minha vida, escondia o sentimento que tinha por você enquanto acompanhava seu casamento’. Acredito que o nosso primeiro filho nos deu forças. Porque, na verdade, não tínhamos coragem para tomar uma atitude.

Os meus quatro filhos se dão bem. Eles não cresceram revoltados e nunca falam do assunto de forma pejorativa

Rumo ao altar?

Arquivo Pessoal
Paula e Cesar já estão juntos há 7 anos Imagem: Arquivo Pessoal

Meu maior sonho é casar na igreja com o César. Estou tentando anular meu casamento com o Bruno, mas preciso que minha mãe testemunhe, já que foi ela que assinou na época. Até o padre me disse: ‘você era uma criança, não sabia o que estava fazendo. Sua felicidade não pode ser adiada’.

Quando casamos no civil, já foi uma felicidade imensa — teve bolo, a bênção da minha mãe.

A nossa história é realidade, todo mundo sabe. Já me confessei com o padre, pedi perdão para os meus sogros. E sei que se não fosse por Deus, nós não estaríamos aqui com dois filhos e casados. É uma história de amor, não é uma brincadeira.

Os meus quatro filhos se dão bem. Eles não cresceram revoltados e nunca falam do assunto de forma pejorativa. Uma vez, minha sogra até tentou colocar um dos nossos filhos contra mim, mas o César explicou: ‘Sua mãe sofreu muito, vivia sozinha, não era feliz e o pai sempre foi apaixonado por ela, desde a época em que ela era uma menina. Ninguém tomou ninguém de ninguém’. E ele entende até hoje.

Fico muito feliz de compartilhar a minha história. Podem dizer que não, mas é uma história muito bonita. Espero que Deus nos deixe envelhecer juntos com nossas bengalinhas".

*Os nomes foram trocados para preservar a identidade dos entrevistados.

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