Relacionamento

Deborah Secco diz que traiu os ex. Quem trai uma vez, trai sempre?

Reprodução/Instagram/@dedesecco
Deborah afirma que nunca traiu o atual marido, Hugo Moura Imagem: Reprodução/Instagram/@dedesecco

Vivian Ortiz

Do UOL, em São Paulo

08/08/2017 18h27

Deborah Secco foi questionada, durante uma entrevista ao programa "Fofocalizando", do SBT, se perdoaria uma traição. A atriz foi sincera e respondeu que tudo dependeria do contexto, da pessoa e do tipo de relação a que se propôs ter com a outra pessoa, mas assumiu que ela mesma traiu seus namorados.

"Eu já traí todas as pessoas com quem eu estive. Todos. Menos o Hugo (Moura)", explicou, fazendo referência ao atual marido e pai de sua filha, Maria Flor, de 1 ano. Usando a história de Deborah como exemplo, como fica aquela máxima de que quem trai uma vez, trai sempre? Pode esquecer, viu! Isso não é necessariamente verdade. Segundo especialistas, não dá para generalizar o comportamento, que pode mudar ao longo do tempo e da relação. 

Ilustração/Lumi Mae
Imagem: Ilustração/Lumi Mae

Cada pessoa tem razões, tanto individuais quanto do próprio relacionamento, que podem levar a uma situação assim. "Na minha prática, já me deparei com pessoas que traíram, pois estavam sentindo-se desamparadas, inseguras e com a autoestima baixa", diz a psicóloga e sexóloga Priscila Junqueira. "Também já vi gente que traiu por gostar de fazer algo escondido, proibido e aqueles que se apaixonam e amam mais de uma pessoa", explica.

Para a sexóloga Carla Cecarello, do C-date, a traição pode partir da infelicidade e insatisfação no relacionamento. "Ou de uma característica da personalidade, momento de descontrole emocional, influência de pessoas à sua volta, desejo em sempre querer mais e nunca estar satisfeito com o que se tem, alto grau de compulsividade, entre outros", esclarece.

A traição também pode ser uma forma de revelar que o relacionamento não está bom. De acordo com Marina Simas de Lima - Consultora de relacionamento do Match Group LatAm, um relacionamento insatisfatório tem maior chance de motivar uma traição. Por isso, devemos sempre, de forma constante, investir na relação a dois. 

"É fundamental diagnosticar e descobrir se o que está faltando é atenção, carinho, amor, comunicação, sexo, espaço e sempre procurar olhar para ambos os lados. Isso porque as pessoas mudam e as necessidades também, dependendo das fases da vida", diz.

Quando bate um sentimento chamado...culpa!

Na visão do terapeuta Marcelo Katayama, do Núcleo Ser Treinamento, se o indivíduo trair o parceiro e perceber que aquilo que estava buscando não foi encontrado, vem a culpa. "Quando o lado negativo da experiência é maior do que o positivo, a pessoa provavelmente não cogitará repetir a dose", pontua.

É neste ponto que vale a pena olhar mais para si mesmo e entender os motivos de não estar satisfeitos no relacionamento, como uma maneira de encontrar alternativas melhores. "Conversar com o parceiro sobre as insatisfações e perceber quais são os problemas reais do casal são caminhos mais saudáveis na busca por uma forma permanente e duradoura de se sentir realmente feliz ao lado do outro", avalia Marcelo.

Ser fiel saiu de moda?

"O conceito de fidelidade na nossa cultura vem de costumes políticos e de poder", explica a psicanalista Júlia Bárány. Segundo ela, as pessoas se casavam para juntar patrimônio, poder familiar, reinos, hereditariedade genética e outros interesses, que nada tinham a ver com amor.

Por isso, as certidões de casamento eram verdadeiros contratos de negócios, nos quais a partilha de bens se configurava como uma das principais cláusulas. "Hoje, um relacionamento não se sustenta mais só pela instituição. Os compromissos são escolhas livres, assumidas conscientemente e que precisam ser desenvolvidos", avalia a psicanalista.

Na visão do psicólogo Reinaldo Renzi, a fidelidade é um conceito que está cada vez mais difícil de se manter. Há questões como as relações pela internet, ou mesmo por causa da definição do que é traição para cada um. "Tem gente que tem essa vontade e necessidade de conhecer outras pessoas e acha que isso não é traição, porque é "simplesmente físico"", diz.

Dá para "corrigir o rumo", assim como Deborah Secco?

Esta é uma questão bastante relativa e que depende, no primeiro momento, do que a pessoa considera como infidelidade. De acordo com Renzi, o indivíduo certamente pode progredir e evoluir, a ponto de não sentir mais a necessidade de ter outras pessoas, além de seu parceiro. "Mas não é que 'era infiel e deixou de ser', apenas mudam os conceitos internos e ele passa a viver de acordo com sua nova visão de mundo."

Esse processo de amadurecimento emocional costuma acontecer à medida que nos tornamos mais conscientes de nossos estados emocionais, temos mais clareza do propósito de estar em um relacionamento, e avaliamos de forma mais humana os impactos causados pelos nossos atos na outra pessoa.

Orlando/UOL
Imagem: Orlando/UOL

"Existem aqueles que têm um transtorno de caráter --uma patologia psiquiátrica (psicopatas por exemplo)-- e nesses casos pouco pode ser feito. Mas, na imensa maioria das situações, quando começamos a nos conhecer melhor, e zelar realmente pelo bem-estar do próximo, principalmente daqueles com os quais nos relacionamos, vivemos mais felizes, nos sentindo importantes e amados dentro do relacionamento", lembra Marcelo.

Para o psicólogo Roberto Debski, Diretor da Clínica Ser Integral, quando uma pessoa tem um comportamento habitual de traição--e isso coloca em risco suas relações, sua vida emocional, e até sua saúde mental--, em algum momento ela poderá avaliar seus sentimentos, comportamentos e emoções.

"Se perceber que essas atitudes têm feito mal a si e a outros, pode escolher olhar melhor, de maneira sistêmica para essa questão, em um processo de autoconhecimento e renovar seu modo de se relacionar daí por diante. Sempre é possível mudar quando um decide ampliar a consciência", avalia.

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