Comportamento

Elas são solteiras por convicção e garantem: estão muito bem assim!

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Daniela Carasco

do UOL

15/08/2017 04h00

Elas se declaram solteiras convictas. Ainda assim, nem todas se sentem seguras de revelar o nome ao falar sobre sua opção. Mas qual o problema? O inevitável julgamento. Há quem considere que elas estão apenas se protegendo contra decepções e traumas, mas elas negam. Solitárias? Jamais! Independentes e autoconfiantes, curtem uma relação casual na mesma intensidade em que desfrutam de sua própria companhia.

“Já recusei vários pedidos de namoro. Sempre uso a clássica justificativa: ‘o problema não é você, sou eu’”, diz a jornalista Janaina*, 32. Até os 18 anos, ela queria ser freira. A mãe adorou, o pai rechaçou. “Ele me pediu para fazer faculdade e só depois decidir se aquela era mesmo uma vocação”, conta. A vida universitária a fez desistir do convento. Na mesma época, se deparou com uma nova descoberta: não havia nascido para a monogamia.

Solteira há seis anos, Janaina só teve três namorados. Os relacionamentos não passaram de oito meses. “Não consigo ficar com uma pessoa só, acabo enjoando. Como sou contra traição, assumi minha opção pela solteirice e lido numa boa com ela. Não tenho nada contra relacionamentos, só não nasci para isso”, diz.

A musa da pornochanchada Nicole Puzzi, 59, pensa parecido. “Ser solteira me preenche muito mais do que viver acompanhada. Não tenho qualquer expectativa quanto a ter um relacionamento. Sou bem-resolvida, gosto de ter meu canto, de ter minhas prioridades.”

Divulgação
Nicole Puzzi, uma solteira convicta Imagem: Divulgação
A convicção veio cedo, ainda na infância. Enquanto as irmãs se vestiam com véu branco idealizando o casamento dos sonhos, Nicole preferia o manto preto, de freira. “Sempre disse que não me casaria. Tive parceiros incríveis e terei relações casuais até o fim da minha vida. Só prefiro ficar solteira.”

“Ficar para titia” é coisa do passado

Segundo o psicólogo Antônio Carlos Amador Pereira, professor da PUC-SP e autor do livro “Viver Pode Ser Mais Fácil” (ed. Harbra), cada vez mais é preciso derrubar os estigmas que rondam o assunto. “Antigamente, a solteira era uma figura caricata, da mulher que ficaria encarregada de cuidar dos idosos da família. Hoje, ela é bem-resolvida em todas as áreas da vida”, diz.

Para ele, essa nova definição chega a incomodar e intimida alguns homens que ainda se sentem no papel de provedor financeiro e emocional. “Casamento para elas não é mais uma escora afetiva nem financeira. E isso se deu muito com a conquista profissional feminina. Ser solteira por opção é uma espécie de estilo de vida, e não de egoísmo. Podemos comparar com a decisão, por exemplo, de não querer ter filhos.”

Solidão, não. Solitude!

Sentir-se só, definitivamente, é uma sensação que não faz parte da rotina das solteiras convictas. A sensação é de estar em paz na sua própria companhia. “Eu me sinto até menos sozinha agora”, conta a relações públicas Bianca*, 27, que terminou um namoro de 7 anos há seis meses e tem passado longe de qualquer compromisso.

“Não sei se é minha autoestima que está ótima, mas me sinto muito mais autoconfiante agora, penso só em mim. É maravilhoso tomar decisões sem dar satisfação a ninguém. Estou numa fase bem pegadora, me jogando nos aplicativos de paquera”, conta a mais nova solteira convicta do pedaço. “Mesmo namorando, nunca tive o sonho de casar. As pessoas criam expectativas demais e se projetam muito no outro. Aprendi a ser mais racional, não consigo me apaixonar loucamente. Acho que, por isso, nunca mais vou namorar. Minhas amigas me chamam de sem coração. Mas prefiro realista.”

O que elas não suportam mais ouvir

“Conheço um cara perfeito para você.” “Você é muito exigente.” “Você não sai de casa, vai ficar sozinha para sempre.” “E os namorados?” Entre as situações que compartilham em comum, ouvir comentários insensíveis e conselhos não solicitados de conhecidos é, de longe, a mais comum delas.

“Já me incomodou muito”, desabafa a economista Amanda*, 35, que está solteira por opção há quatro. “Cheguei a ouvir de uma amiga de infância que a minha vida era mais fácil do que a dela, casada e com filhos. Como se eu estivesse fugindo disso. A real é que toda vida tem sua dificuldade e dói muito ouvir que optei pela via mais fácil.”

Pouco a pouco, Amanda tem descoberto como administrar melhor o julgamento alheio. “Os 30 anos trazem uma maturidade muito boa”, diz. “Acho fundamental aprender a tocar sua rotina sem depender de ninguém. Por muito tempo me doei muito para o outro, isso me gerou uma insegurança enorme. Hoje, meus planos são só meus. Foco na minha carreira, no meu planejamento financeiro e nos meus momentos de reclusão. Quando tenho vontade, prefiro as relações casuais que atendem ao meu prazer. Não me importo de ir para cama num primeiro encontro.”

Ter medo de relacionar, definitivamente, não é uma realidade no caso das solteiras convictas. Essa é só a maneira que encontraram para serem mais felizes. “Aliás, em muitos casos, é o casamento que funciona como escudo da insegurança emocional, não a solteirice”, explica Antônio Carlos.

*Os nomes foram trocados a pedido das entrevistadas

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