Comportamento

Grupos do Facebook ganham status de melhor amiga de muitas mulheres

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Helena Bertho

do UOL

16/08/2017 04h00

Desabafos, conselhos amorosos, dicas sexuais, de saúde, pedidos de ajuda. Os assuntos das rodas de amigos são a cara dos papos nos grupos do Facebook. Organizados por temas e interesses comuns, muitos deles secretos (você só pode entrar com convite), essas comunidades virtuais têm assumido o papel de melhores amigas de algumas mulheres.

Além da suposta privacidade, esses espaços costumam ter regras de conduta. Normalmente, determinam os temas que devem ser abordados e comportamentos que levam ao banimento. Para garantir que funcione, moderadores podem reprovar publicações e expulsar membros.

Em tese, as pessoas se sentem seguras ali, onde encontram identificação e troca, sem riscos. "Compartilhar dúvidas e problemas com pessoas que passam por algo semelhante é muito importante. Aumenta a sensação de pertencimento, mas é preciso cuidado", diz a psicóloga e professora da PUC São Paulo, Ceres Alves de Araújo. Afinal, por mais "secreto" que seja o grupo, os grupos são imensos e uma postagem pode ser publicada por alguém fora da comunidade facilmente. 

Aqui, mulheres contam como se relacionam nesses espaços de amizades virtuais.

"Descobri que meu relacionamento era abusivo"

"Meu ex era controlador, ciumento, me colocava para baixo, mas eu não sabia que isso era abuso. Na verdade, me culpava por tudo e ficava mal. Até que encontrei um grupo sobre relacionamentos e postei sobre o que estava passando, perguntando o que as outras mulheres achavam. Nos comentários, elas me ajudaram a reconhecer o que vivia, e mais: incentivaram a terminar. Depois, também me deram força para me manter firme na minha decisão e segurar as pontas". Natália*, 26

"Vazaram um post e meu casamento quase acabou"

"Meu casamento andava mal, a gente praticamente não transava. Para piorar, apareceu um outro homem, que estava mexendo com a minha cabeça. Então postei em um grupo de mulheres, pedindo conselhos. Elas foram ótimas.Dali uns dias, estava no quarto com meu marido quando o celular dele vibrou. Ele me pediu que olhasse o que era e, para meu desespero, era uma mensagem de um homem contando sobre o que eu tinha escrito. Fiquei tão assustada que ele reparou na hora e quis ler. Brigamos feio, imagine! Consegui que ele me perdoasse e nunca mais postei nada nesses grupos. Não existe privacidade com tanta gente desconhecida ali". Julia*, 26

"Encontrei apoio para lidar com a doença do meu filho"

"Em 2013, eu me mudei para Curitiba com meus filhos e, logo que chegamos, o mais novo descobriu um tumor na cabeça. Eu ainda não conhecia ninguém, estava muito sozinha e só chorava. Achei que não fosse aguentar o tranco. Então, saindo do hospital, eu ia para o computador. Estava em um grupo de moda para mulheres gordas e acabei desabafando por lá. O apoio delas foi enorme: me incentivavam, faziam correntes e oração e algumas até me ligavam. Meu filho operou no mês seguinte e sei que tive forças para ficar ao lado dele graças a elas. Hoje, essas mulheres são minhas melhores amigas". Rossana Barbosa, 47

"Elas me ensinaram a fazer nudes"

"Sou bem séria e tímida. Nunca tinha tirada uma nude. Mas faço parte de um grupo de mulheres em que elas vivem postando suas fotos sensuais. Olhando, fui percebendo que esse tipo de foto podia ficar bonita. As meninas também davam dicas: "Deixa a câmera filmando, daí você pega o print", e outras coisas assim. Seguindo seus conselhos, comecei a tentar e não é que ficou legal? Mandei para o meu marido, que adorou, e virei adepta. Mas nunca postei nada ali, vai que vaza". Denise*, 40

"As primeiras a saber da minha gravidez foram elas"

"Estou em vários grupos de maternidade, desde a minha primeira gravidez. Entrei para saber mais e acabei criando o hábito de compartilhar minhas dúvidas. Sobre a gestação, a libido, a criação do meu filho, tudo... Sempre tem tanto acolhimento, a conversa é tão enriquecedora, que passei a considerar as amigas desses grupos realmente importantes. Tanto que semana passada, quando soube que estava grávida de novo, corri para contar no grupo e foi demais ver todas vibrando e comemorando comigo". Maria*, 34

"Me disseram para procurar um médico e assim evitei sequelas"

"Os grupos mais essenciais para mim são os de apoio à esquizofrenia, doença da qual eu sofro. Ali tem vários profissionais de psicologia e de saúde, que ajudam a acalmar quando você está mal e dão dicas sobre o tratamento. Teve uma fase, por exemplo, em quem um remédio estava me dando sintomas de Parkinson. E o pessoal me disse para tomar cuidado, porque podiam ficar sequelas para sempre. Fui orientada a procurar um médico e trocar de remédio e foi o que fiz, ainda bem". Luiza Prado, 28

*Os nomes foram trocados a pedido das entrevistadas

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